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PESCA DA SARDINHA

No documento Sardinha (páginas 38-40)

A pesca da sardinha no Norte de Portugal é efetuada através do uso de traineiras, grandes e pequenas, e do processo do cerco americano. O uso preferencial da traineira no Norte do país deve-se ao facto do mar ser mais duro e irreverente nesta zona. Para fazer frente às provações da faina, a traineira adotou o uso de redes mais curtas, logo o seu manuseamento mais fácil.

Antes do uso das traineiras e do método do cerco os pescadores usavam as lanchas poveiras, as bateira e a arte Xávega na pesca da sardinha. A arte Xávega é uma espécie de pesca de arrasto, com a diferença de que o barco sai de terra deixando uma corda, que está sempre ligada a este, dando a volta a mais de 500 metros de distância da costa este deixa a rede que depois é arrastada até á praia, onde é puxada por bois, mais recentemente utilizam-se os tratores, capturando todo o tipo de peixes que encontrava pelo caminho. Tratando-se de um método única em tudo o mundo, onde os bois lavram o mar.

Em relação às embarcações utilizadas na captura da sardinha temos em primeiro lugar a lancha poveira que, tratando-se de um barco de boca aberta, não tinha convés nem qualquer tipo de cobertura. A propulsão do barco era obtida graças à força braçal dada pelos doze remos que a configuram, e dos ventos, através da sua vela triangular. Este tipo de embarcação

tinha uma tripulação de 20 a 30 homens. Porém a lancha poveira deixou de existir na década de 50.

Posteriormente ao uso da lancha poveira utilizou-se a bateira, que possibilitava navegar em mares bravos onde outros tipos de embarcações não conseguiam. A bateira tem as suas origens nas embarcações dos conquistadores normandos, os Vikings. É caracterizada por ter um fundo liso, que possibilitava o seu transporte para terra, e um perfil luniforme, arcados em meia lua, de forma a fazer frente à rebentação das ondas com lugar para quatro remos, cada um com oito homens, e uma vela. No entanto, este tipo de embarcações requeria muito esforço da sua companha, uma vez que a tripulação ora estava a remar ou a deitar e a puxar as redes da água, o que levou à sua extinção.

Mais recentemente, nos inícios do século XX, surgem as traineiras a fogo, descendentes das canoas baleeiras. As traineiras a fogo moviam-se graças à sua caldeira alimentada a carvão e tinham uma companha de 50 homens, empregando milhares de famílias na época dourada da pesca da sardinha. Posteriormente a traineira a fogo dá lugar à traineira a motor a petróleo, na década de 30. Com a utilização de equipamento mais mecânico e motorizado o número de efetivos da companha reduz drasticamente. O surgimento da traineira a motor coincidiu com a afirmação de Matosinhos como o maior porto sardinheiro do Mundo.

A pesca da sardinha representa, atualmente, uma parte importante do total de descargas de peixe nas docas, uma vez que constitui, em média, 2/3 do peso total da pesca e 3/4 do valor. Sendo de apontar que o porto de Leixões, Matosinhos, é o que possui o maior numero de sardinhas capturadas (na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Sardinha, 1960: 723). A nível mundial a sardinha representa quase 1/3 de toda a produção mundial de pescado.

A pesca da sardinha é feita principalmente à noite, altura em que ela se aproxima da superfície para se alimentar de plâncton. As traineiras saem para a pesca ao escurecer e voltam na madrugada do dia imediato. No mar a tripulação da traineira, com um total de doze homens, usa a observação para encontrar os cardumes, uma vez que durante a noite eles formam sobre a superfície da água manchas características denominadas de cabrilho (carneirada das ondas). Para além do cabrilho os pescadores também se servem dos mascatos (ave que assinala a presença do cardume) e de sondas para localizar os cardumes, depois de saber a sua localização dá-se início ao cerco do cardume e ao largar das redes borda fora, com o auxílio da chalandra (pequena embarcação), até elas estarem completamente submersas. Na sua maioria a rede utilizada é de fio de linho tingido com casca de salgueiro. Na pesca da sardinha a rede empregada chama-se

rede flutuante, de superfície ou de sardinheira. Esta rede tem o comprimento de 66 a 110 metros e uma altura de 300 a 400 malhas, tendo bóias na zona superior e pesos na inferior. Posteriormente ao cerco estar completo e o lanço vedado, a rede começa a ser puxada recheada de sardinhas (Marçal, 1988: 4-5). Com a técnica do cerco as redes podem apanhar peixes de diferentes tamanhos e espécies que não são o alvo da pescaria e que estejam no meio do cardume. Depois de içar as redes a sardinha é amontoada na traineira e as redes são preparadas para serem novamente lançadas, caso se aviste um novo cardume.

Por voltas das seis, oito horas da madrugada as traineiras regressam ao Porto de Leixões, com a sardinha quase viva.

A pesca reduz-se ao mínimo nos meses de março e abril, época do ano conhecida por

entre duas safras, atingindo o máximo de captura nos meses de setembro a dezembro. Assim

sendo, a pesca da sardinha é um trabalho sazonal, uma vez que, dependendo do ano, pode estar parada mais de quatro meses, devido ao humor do tempo e do mar e à má qualidade do peixe (Galego, 2004: 264).

A sardinha portuguesa é a única espécie de peixe, em toda a Península Ibérica, a obter a certificação de qualidade e o rótulo da Marine Stewardship Concil1.

No documento Sardinha (páginas 38-40)