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3. ESTRATÉGIA TEÓRICO-METODOLÓGICA

3.2 PESQUISA DOCUMENTAL

No âmbito empírico, a opção por trabalhar com pesquisa documental e não observacional, além de estar em diálogo com a tradição dos estudos em Nova História Cultural e Cultura Material, pautada por fontes como Le Goff (2003) e Burke (1992), consiste na única viável, dada a dificuldade de identificar informantes ainda vivos que tivessem vivenciado de perto o fenômeno estudado. Entretanto, é preciso ressaltar que as fontes não são neutras, visto que elas trazem apenas uma verdade, a verdade selecionada por quem as preservou (BURKE, 1992).

Os estudos baseados em documentos como material principal extraem deles toda a análise, organizando-os e interpretando-os segundo os objetivos da investigação e à luz do referencial teórico, requerendo para isso, um tratamento metodológico desses documentos.

Os procedimentos de coleta de dados envolvem, portanto, várias fontes documentais disponíveis no período da pesquisa (2014-2018), detalhadas a seguir.

Relatamos as fontes de dados a que recorremos para abordar nosso objeto especificamente em diferentes momentos (relacionados aos objetivos específicos), de modo a constituir o estudo exploratório apresentado posteriormente (Capítulo 5).

Para identificar os edifícios escolares construídos para fins educacionais no meio urbano da cidade de Pelotas no período de 1889 a 1930 (levantamento das escolas), investigamos pesquisas antecedentes (FERREIRA, 1996; SASTRE, 2001), o site da Prefeitura Municipal de Pelotas / Portal Municipal de Educação e Desporto / Lista de escolas municipais, e o site de Escolas públicas e particulares de Pelotas, onde obtivemos dados, imagens e localizações das escolas. Foram analisados ainda trabalhos acadêmicos que tratassem do tema, como monografias, teses e

dissertações dos Programas de Pós Graduação da Faculdade de Educação da UFPel (PPGE), trabalhos de conclusão de curso e de disciplinas relativas a História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Pelotas (FAUrb/ UFPel) e trabalhos do acervo do Núcleo de Estudos de Arquitetura Brasileira (NEAB/FAUrb). Num segundo momento foi feito o trabalho de observação de campo para confirmar a existência ou inexistência desses edifícios, bem como analisar se haviam sofrido reformas que houvessem modificado as configurações originais.

Para levantamento das datas de fundação, utilizamos registros institucionais das escolas através dos sites de algumas instituições, e bibliografia relativa à história de Pelotas.

A seguir, para reconstituir o histórico da construção de cada escola em relação ao seu contexto, especificamente o urbano (articulação escolas-contexto), investigamos arquivos e acervos históricos, jornais, revistas e periódicos, almanaques históricos, registros institucionais das escolas e pesquisas antecedentes.

Os arquivos e acervos históricos acessados foram os “Relatórios da Intendência de Pelotas” (disponíveis em meio físico na Biblioteca Pública de Pelotas).

Os jornais, revistas e periódicos acessados foram: Jornais “Diário Popular” (disponíveis em meio físico na Biblioteca Pública de Pelotas*); revistas “Ilustração Pelotense” (disponíveis em meio físico no Laboratório de Acervo Digital da Universidade Católica de Pelotas).

Os almanaques históricos acessados foram: “Almanaque do Bicentenário de Pelotas” (2012, 2014 e 2014) (disponíveis em meio digital); “Álbum do Centenário da Independência” (1822-1922) (disponíveis em meio físico Laboratório de Acervo Digital da Universidade Católica de Pelotas); “Almanaque de Pelotas”, exemplares de 1924 a 1927 (disponíveis em meio digital no site Memória Gráfica de Pelotas); “Almanaques Pelotas Memória” (disponíveis em meio físico Laboratório de Acervo Digital da Universidade Católica de Pelotas).

Os registros institucionais das escolas acessados foram: “Lembranças do Colégio Gonzaga” (1925, 1927, 1939, 1940) (disponíveis em meio físico na Biblioteca Pública de Pelotas) e “Memorial do Colégio Gonzaga 100 anos dedicados à educação” (PARMAGNANI e RUEDELL, 1995) do acervo da autora.

Os desenhos arquitetônicos de uma das escolas (planta baixa e fachadas9) acessadas são fruto de trabalho de acadêmico desenvolvido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/UFPel, nas disciplinas Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo. Os desenhos das demais escolas foram executados para a pesquisa e fazem parte do acervo da autora.

Por fim, para analisar os diversos edifícios escolares, sua localização e contextualização com o meio urbano e a relação espacial com esse contexto, as bibliografias acessadas são: “A cidade de Pelotas” (OSORIO, 1922); “Aspectos Gerais de Pelotas” (PIMENTEL,1940); “Antigualhas de Pelotas”, de Alberto Coelho Cunha, publicadas no jornal Opinião Pública (disponíveis na Biblioteca Pública de Pelotas); “Opulência e Cultura na Província de São Pedro do Sul. Um estudo sobre a cidade de Pelotas” (MAGALHÃES, 1993); “Retratos de uma Cidade, catálogo de fotografias impressas 1913/1930” (MICHELON, SCHWONKE, 2008), Programa de Revitalização Integrada de Jaguarão (OLIVEIRA; SEIBT, 2005). Outros estudos antecedentes investigados são teses, monografias a artigos: “A construção social da forma urbana: Pelotas (Brasil) na transição dos séculos XIX e XX” (SOARES, 2006); “Habitação Popular em Pelotas (1880-1950) entre políticas públicas e investimentos privados” (MOURA, 2006); “Pelotas: Arquitetura e Cidade (1902 a 2012)” (GUTIERREZ; GONSALES, 2014), dentre outras.

As demais bibliografias que foram consultadas são: “História da Educação Brasileira. A Organização Escolar” (RIBEIRO, 2003); “História da Escola em São Paulo e no Brasil” (MARCÍLIO, 2005); “História da Educação” (VEIGA, 2007); “Controle e Ufanismo: “A escola pública no Rio Grande do Sul (1889-1930)” (CORSETTI, 2008); “Alicerces da Pátria História da Escola Primária de São Paulo (1890-1976”) (SOUZA, 2007); “Histórias e Memórias da educação no Brasil Século

9 Planta baixa: planta de um pavimento de um edifício visto de cima após a execução de um corte horizontal e retirada da parte de cima, que mostra a forma, a distribuição e as dimensões dos espaços internos e as paredes, janelas e portas que os delimitam (CASTRO, 2010, p.324).

Fachadas: designação de cada face de um edifício.[...]. Fachada principal é o nome que se dá à fachada da frente, a que dá para a rua. As outras serão denominadas de fachada posterior, ou fachada lateral. O conjunto das fachadas e sua composição plástica darão, em volume, o caráter e a fisionomia do edifício. Essa composição das fachadas é feita através do tratamento do plano, das superfícies, dos cheios e vazios, da modenatura, dos materiais e sua textura e da cor. Com esses elementos, o arquiteto trabalha e compõe uma fachada, dando expressão final à criação arquitetônica. (CORONA e LEMOS, 1972, p. 214).

XX” (STEPHANOU; BASTOS, 2011); “Escola Primária na Primeira República (1889- 1930): subsídios para uma história comparada” (ARAÚJO et al., 2012).

Tendo apresentado brevemente alguns princípios da investigação na Nova História Cultural e cultura material através da pesquisa documental de natureza qualitativa, passamos agora aos procedimentos metodológicos utilizados nesta pesquisa

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