3.8 Procedimentos de coleta de dados
3.8.1 Pesquisa documental
Na condução de um estudo de caso, a pesquisa documental é necessária para o melhor entendimento do objeto em análise e, para corroborar ou refutar evidências coletadas por outras fontes de dados. Sendo assim, buscas sistemáticas por documentos relevantes são importantes, o que inclui: relatórios, agendas, propostas, estudos, material didático, etc. (YIN, 2005; MARTINS, 2006). Afinal, eles guardam informações potenciais e leituras particulares de fenômenos sociais (como o proposto para este trabalho), contribuindo para o seu desvelar.
Contudo, por existir uma multiplicidade documental, essa procura exige um esforço firme e inventivo quanto ao reconhecimento dos arquivos potenciais de informação. Assim, para se constituir um corpus satisfatório de análise é necessário esgotar todas as pistas capazes de fornecer dados interessantes (CELLARD, 2008).
Uma apreciação preliminar desse material envolve um exame e crítica do documento; em termos de contexto social global, no qual foi produzido e no qual mergulhava seu autor e aqueles a quem ele foi destinado. Pela análise desse contexto, o pesquisador se coloca em boas condições de compreender as particularidades da forma, da organização e, sobretudo, evita interpretações errôneas em função de valores modernos. Não basta, no entanto, apenas se informar sobre a origem social, a identidade, a ideologia ou interesses particulares do autor do escrito; é também importante assegurar-se da qualidade da informação transmitida (CELLARD, 2008).
Cabe destacar que, esse trabalho de análise preliminar somente estará completo quando o pesquisador tiver o sentimento de ter compreendido, satisfatoriamente, o sentido dado aos termos empregados, os conceitos chaves e a lógica interna do texto (CELLARD, 2008). Uma vez examinadas, essas fontes servirão de guia para a confirmação das etapas subsequentes da investigação, embasando a constituição de linhas de confronto e convergência entre os demais dados (CAMPONOGARA, 2008).
Há ainda a possibilidade de se fazer inferências através dos documentos, porém essas inferências devem ser reconhecidas apenas como indícios que valem a pena ser investigados e não como constatações definitivas, já que podem revelar-se como falsas indicações (YIN, 2005). Assim sendo, por sua importância na compreensão direta e no alinhavar das demais estratégias de abordagem junto ao processo de educação ambiental, foi efetivada uma investigação documental no início dos procedimentos de coleta; na intenção de que as
informações colhidas se constituíssem em diretrizes orientadoras para as entrevistas a serem efetivadas.
Desse modo, o primeiro passo desta fase se deu em agosto de 2011, mediante contato com alguns dos ex-integrantes do NEA e informantes-chaves por eles indicados; quando se levantou subsídios sobre documentos que eles consideravam relevantes ao estudo em questão, especialmente, no relativo à organização e efetivação de “capacitações e/ou treinamentos” sistematizados na área e às concepções de meio ambiente e EA adotadas na instituição pesquisada.
Salienta-se que a identificação e o acesso a essas pessoas foi possível, particularmente, por eu ter vínculo empregatício com a instituição e, em função disso, ter conhecimento prévio das atividades que o núcleo vinha desenvolvendo até então; e isso desde a minha admissão, momento em que participando da etapa de integração institucional, tomei conhecimento das ações do NEA. Já nessa época, havia procurado maiores informações sobre o núcleo e conversado com um dos seus membros, que mais tarde me ajudou a fazer um diagnóstico primário da questão ambiental e da EA no GHC; o que, inclusive, balizou a formulação da própria problemática de pesquisa. Logo, foram esses diálogos primários os impulsores de uma ideia inicial em torno, tanto do histórico da EA no GHC quanto de materiais que pudessem retratar o processo de discussão da problemática ambiental, no âmbito da instituição estudada. Portanto, os documentos base para essa etapa foram àqueles documentos mais pontuais produzidos pelo próprio NEA, tais como: relatórios, resumos e registros de ações/atividades de EA desenvolvidas pelo núcleo e apresentados a GTED, atas de reuniões do grupo, materiais de divulgação de eventos organizados, incluindo editais para abertura de cursos e oficinas; alguns poucos materiais preparados para palestras e oficinas, bem como, “planos de trabalhos futuros” e programações de linhas de ação do núcleo. Além desses, foram analisados os relatórios sociais do GHC do período de 2005 a 2010 (em 2005 foi publicada a primeira versão), produzidos pela assessoria de comunicação do grupo e que apresentam um balanço anual das ações implementadas e dos investimentos do GHC, nos mais diversos setores; os quais são disponibilizados na página eletrônica do grupo (www.ghc.com.br) e na própria assessoria de comunicação (neste caso, somente para os funcionários). Eles trazem ainda informações acerca dos valores, missão e objetivos do GHC.
Incluíram-se ainda na pesquisa: relatórios da GTED (da qual o NEA fez parte) do período de 2003-2006, 2009 e 2010; disponíveis na própria GTED em formato eletrônico e voltado à divulgação de suas ações na instituição; e a análise das agendas estratégicas do GHC (documento que existe a partir de 2007) do período de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e a
agenda aprovada para o período de 2012 a 2015. A agenda estratégica é um documento que tem o propósito de promover o alinhamento das metas da gestão do Grupo Hospitalar Conceição às ações estratégicas definidas pelo Ministério da Saúde, bem como, à agenda do governo federal para o país; sendo elaborada mediante as contribuições de gestores e trabalhadores do GHC.
Também se fez uma busca ativa na intranet institucional em termos de documentos e produções do GHC que pudessem ser vinculados a EA, mas sem um resultado verdadeiramente efetivo; já que capacitações orais e audiovisuais sistematizadas sobre o tema, não foram disponibilizadas eletronicamente. Encontrou-se um relatório sobre resultados de sensibilização dos funcionários e usuários do HNSC acerca de gerenciamento de riscos, informações sobre a política de gerenciamento de riscos e sobre os hospitais sentinelas; o que muito indiretamente remeteu a alguma ação de gestão e/ou educação ambiental, sobretudo relacionada ao manejo de resíduos. Estudou-se, igualmente, o plano de gerenciamento de resíduos do local, no entanto, não se visualizou interfaces verdadeiras com a EA, até mesmo por ele estar desatualizado.
Nesse sentido, nesta fase da investigação, procurou-se avaliar (conforme disponibilidade de informações), os seguintes itens: contexto temporal em que o documento foi produzido, particularmente em relação à problemática ecológica e legislação ambiental vigente; autores; objetivo e público alvo a que se destinou; conceito de meio ambiente e educação ambiental adotado; conceitos-chave; abrangência; estratégias pedagógicas utilizadas; recorte de temas e conteúdos; tipo de discussões estabelecidas; etc. estes dados foram sistematizados de acordo com o Apêndice A. De tudo isso, é relevante enfatizar acerca da sistematização desta etapa que, uma vez demonstrada a legalidade e autorização para efetivação da pesquisa, houve disponibilidade das pessoas procuradas em colaborar na investigação, com oferta de acesso aos documentos tidos como de importância às buscas; alguns prontamente e outros em um prazo combinado mutuamente.
No entanto, talvez, possa-se citar como certo dificultador a falta de um setor organizado em função da EA, a própria desarticulação do NEA e o enfraquecimento de outros setores relacionados, ainda que indiretamente, com a EA; o que exigiu sucessivas tentativas de encontrar (a partir do que era repassado pelos informantes) as pessoas e os locais em que se encontravam os poucos documentos existentes. Até mesmo porque, muitos dos materiais tratavam-se de produções pessoais, para momentos específicos, e se perderam ao longo do tempo. Porém, aquilo que foi encontrado e/ou inferido nesta fase, mesmo não sendo em
grande número, convergiu, em vários aspectos, com o colocado nas entrevistas e ajudou a melhor explorar cada uma delas, no momento de sua efetivação.