4. METODOLOGIA
4.3. PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS
4.3.1. Pesquisa documental
Na condução de pesquisa qualitativa através de estudo de caso, há vários caminhos para coleta de dados, a pesquisa documental é compatível e permite alcançar os resultados desejados (GODOY, 1995a).
A pesquisa documental permite ao investigador reunir grandes quantidades de informação (TRIVIÑOS, 1987). O termo documental derivado do substantivo documento designa vários tipos de fontes de informações já existentes. Além de documentos impressos, fazem parte os documentos sonoros, discos e fitas magnéticas, fotos, pinturas, desenhos, filmes e vídeos; tudo o que em suporte audiovisual pode veicular informações sobre o humano (LAVILLE; DIONNE, 1999).
Entre as fontes impressas, Laville e Dionne (1999) as dividem em diversos tipos de documentos, tais como publicações destinadas a orientações, enunciados políticos, documentos para expor projetos, prestação de contas, até documentos que expressam sentimentos pessoais. Entram também nessa classificação dossiês que apresentam dados sobre a educação, justiça, saúde, condições de trabalho, situações econômicas, sem esquecer os artigos de jornais, periódicos e publicações científicas, revistas, atas de congressos e colóquios.
Na escolha da técnica mais adequada para a pesquisa, foram observados os conceitos e definições para capital intelectual, classificado pela teoria em três categorias: capital humano, capital estrutural e capital relacional. Estas categorias de capital intelectual são compostas de indicadores.
Stewart (1991) destaca que cada instituição deve adaptar o modelo às suas características, porque a informação (indicadores) que é importante para um segmento pode ser irrelevante para outro, permitindo, dessa forma, as organizações estabelecerem seus próprios indicadores, porém essa flexibilidade deve obedecer aos fundamentos para capital intelectual.
Dessa maneira, o levantamento do capital intelectual da Universidade Federal do Tocantins, funda-se nos conceitos estabelecidos por Edvinsson e Malone (1998), Bontis (1999) e Sveiby (1997b), principalmente na proposta de relatório de capital intelectual de Leitner (2004), adaptado à especificidade da instituição onde será aplica a pesquisa.
Por se tratar de um tema novo e pouco explorado pelas organizações, não é prática elas conceberem relatórios específicos que evidencie seu capital intelectual, que apesar destes ativos não estarem explicitamente nos relatórios dessas instituições, eles provavelmente estão presentes, demonstrados de outra forma.
Para análise do capital intelectual da Universidade Federal do Tocantins a pesquisa documental mostra ser um caminho viável, em que as fontes são os documentos produzidos pela gestão da instituição.
Como principal fonte de dados, serve-se este trabalho de documentos impressos e/ou disponibilizados em sitio eletrônico, denominados de Relatórios de Gestão da Universidade Federal do Tocantins 2016 e o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).
O PDI a ser analisado trata do planejamento 2016 a 2020 da UFT, cujo objetivo é conduzir as práticas acadêmicas e administrativas para o alcance da missão da instituição, serve como guia para:
[...] materializar as ações em metas para serem atingidas pelos e pelas Pró-Reitorias, estabelecendo cronograma de execução, indicadores para acompanhamento e monitoramento e custo da ação por exercício financeiro. Assim visualizaremos os desdobramentos da estratégia definida pela comunidade acadêmica e que temos por responsabilidade implementar (UFT, 2016).
Este documento assenta como base para coleta de dados, por conter em sua estrutura, definições e elementos representantes dos valores intangíveis produzidos pela Universidade Federal do Tocantins, que podem ser estudados e neles aplicados o conceito de capital intelectual para consequentemente extrair os indicadores necessários para análise.
Alguns pontos importantes podem ser destacados no PDI, tais como: o Projeto Pedagógico Institucional (PPI); Políticas Institucionais; Responsabilidade Social; Comunicação com a Sociedade; Cursos e Programas ofertados na Universidade, Perfil do Corpo docente; Organização Administrativa; Política de Assistência Estudantil; Infraestrutura; Aspectos Financeiros e Orçamentários.
Já o Relatório de Gestão 2017, este faz parte da obrigação nos termos do parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal, elaborado de acordo com as disposições da IN TCU nº 63/2010, da DN TCU nº 154/2016, da DN TCU nº 156/2016 e da Portaria TCU nº 59/2017, que na sua essência faz parte da transparência pública da instituição.
O Relatório de Gestão é um documento institucional que tem por objetivo demonstrar a transparência aos atos políticos e administrativos da Universidade. Dessa forma, para o Tribunal de Contas da União (TCU) e para a Controladoria Geral da União (CGU), que são os órgãos de controle da união, o Relatório de Gestão é peça obrigatória de prestação de contas das instituições públicas, e, deve refletir o processo de gestão institucional à luz da legislação (UFT, 2016).
Este relatório traz em sua estrutura informações relativas às ações desenvolvidas e aos resultados alcançados nos aspectos administrativos e acadêmicos. Estes dois documentos são
importantes para a instituição por serem instrumentos de planejamento e prestação de contas à sociedade, sendo os dois de livre acesso social, facilitando o contato com essa fonte de dados.
Os indicadores de capital intelectual serão categorizados segundo o quadro conceitual para o relatório de capital intelectual das universidades austríacas, desenvolvido por Leitner (2004), baseia-se num modelo que tenta visualizar o processo de produção de conhecimento nas universidades e consiste em quatro elementos principais: os objetivos, o capital intelectual, os processos de desempenho e os impactos. Assim, o modelo conceitua o processo de transformação de recursos intangíveis ao realizar diferentes atividades, resultando na produção de diferentes saídas, de acordo com as especificidades e metas.
Por isso os Relatórios de Gestão da UFT e o Plano de Desenvolvimento Institucional permitirá o diagnóstico do capital intelectual da UFT categorizado segundo Leitiner (2002) e utilizado por Bezhani (2010) para analisar as práticas de relatórios de capital intelectual das Universidades do Reino Unido.
A pesquisa investigará, através da pesquisa documental, os indicadores de capital intelectual de acordo com os definidos por Leitner (2004). A entrevista semiestruturada será para perceber as concepções dos gestores referentes às categorias da estrutura do relatório de capital intelectual (Quadro 9).
Quadro 9: Estrutura de relatório de capital intelectual CATEGORIAS
1 - ESTRATÉGIA INSTITUCIONAL Objetivo, metas e ações
2 - INDICADORES DE CAPITAL INTELECTUAL 2.1 Capital Humano (CH)
Equipe acadêmica total
Número de programas de pesquisas Número de professores
Rotatividade de Técnicos administrativos Rotatividade de pesquisadores (servidores) Rotatividade de professores
Rotatividades de pesquisadores (não servidores) Crescimento do número de pesquisadores (servidores) Crescimento do número de pesquisadores (não servidores) Duração dos pesquisadores na instituição
Despesas de treinamento e qualificação 2.2 Capital Estrutural (CE)
Investimentos em biblioteca Investimentos em mídia eletrônica
Investimentos em instalações e equipamentos para laboratórios Investimentos em instalações e equipamentos administrativos 2.3 Capital Relacional (CR)
Bolsista de intercâmbio com outras instituições ingressantes (nacionais e internacionais) Bolsista de intercâmbio com outras instituições (nacionais e internacionais)
Cientistas de outras instituições na universidade (nacionais e internacionais) Cientistas da universidade em outras instituições (nacionais e internacionais) Número de congressos visitados
Número de congressos hospedados
Número de servidores financiados por fundos não institucionais Número de atividades em comissões
Número de parcerias (públicas e privadas) Projetos de extensão
Ações de divulgação da instituição (imagem, produtos etc.) Eventos sociais e culturais
Participação no mercado (local, regional) 3 - INDICADORES DE RESULTADOS 3.1 Pesquisa
Artigos publicados Dissertações defendidas Teses defendidas
Número de publicações com coautores Doutores pesquisadores
Mestres pesquisadores
Pesquisadores parceiros (Nacionais e internacionais) Fundos não institucionais (pesquisa por contrato etc.) Programas de pesquisa
Produtos desenvolvidos Eventos científicos 3.2 Educação Graduações
Pós-graduação latu sensu Pós-graduação stricto sensu Duração média dos estudos Professor por aluno Taxa de abandono Taxa de evasão 3.3 Comercialização
Taxa de empregabilidade dos graduados Taxa de empregabilidade de mestre e doutores Renda gerada a partir de licenças
Número de licenças concedidas Patentes registradas
Marcas registradas
3.3 Transferência de conhecimento para o público Site de acesso
Palestras (não científicas) 3.4 Serviços
Prestação de Serviços (medição e laboratório e pareceres de especialistas) Fonte: Adaptado de Leitner (2002)
Este modelo de relatório de capital intelectual demonstra as metas e objetivos da instituição junto às informações de capital intelectual. Para visualizar os resultados alcançados deve ser composto no mínimo com as seguintes informações (FEDERAL MINISTRY OF EDUCATION, 2002): a) atividade da universidade, os objetivos sociais e estratégicos impostos; b) a categoria de capital humano, estrutural e relacional; c) os processos estabelecidos no compromisso de desempenho, incluindo os seus resultados e impactos.