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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Pesquisa documental

A discussão a respeito da flexibilização da jornada de trabalho na UnB teve início no começo do ano de 2011, mediante interlocuções envolvendo o Decanato de Gestão de

Pessoas, o sindicato dos servidores técnicos administrativos e diversas unidades acadêmicas e administrativas. A finalidade desses encontros era construir uma proposta compartilhada de ampliação do horário de atendimento ao público, com reflexos no regime de trabalho dos servidores. O objetivo maior da Instituição era melhorar a qualidade do ensino público oferecido à comunidade; e, para tanto, era preciso modernizar e tornar mais eficiente a gestão universitária.3

Diante disso, elaborou-se uma exposição de motivos4 e fundamentos legais para flexibilização da jornada de trabalho dos servidores técnicos administrativos da UnB, a qual foi apresentada ao Conselho de Administração (CAD) para análise, votação e aprovação.

Desta forma, o CAD, em sua 324ª Reunião Ordinária, 1ª, 2ª e 3ª Sessões realizadas nos dias 10/11/2011, 24/11/2011 e 1º/12/2011, autorizou a flexibilização da jornada de trabalho dos servidores técnicos administrativos em educação da Universidade de Brasília e o seu respectivo regulamento, por meio da Resolução CAD N. 7/2011, de 22/12/2011. Essa Resolução foi elaborada considerando vários fatores, quais sejam: os princípios que regem a Administração Pública, notadamente o da eficiência; a autonomia administrativa da UnB; o Decreto n. 4.836 (BRASIL, 2003); o art. 19 da Lei 8.112 (BRASIL, 1990), bem como as alterações de sua redação promovidas pela Lei 8.270 (BRASIL, 1991); os objetivos, finalidades e função social da UnB; a oferta de cursos nos três turnos; e a gestão democrática e compartilhada na Universidade.

A Resolução pode ser considerada o principal documento norteador do processo de implementação da flexibilização de jornada na UnB. Sua abrangência engloba os seguintes aspectos:

 autorização da flexibilização de jornada dos servidores, podendo ser adotada carga horária de 30 a 40 horas semanais, sem prejuízo da remuneração;

 aprovação do regulamento de flexibilização, o qual constitui o seu anexo A;

 estabelecimento do horário regular de funcionamento da Instituição no período entre 6h e 23h, diariamente;

 delegação de competência ao DGP para assumir todos os procedimentos relativos aos encaminhamentos administrativos necessários à implantação da flexibilização;  determinação de que o DGP proceda à avaliação dessa medida durante seis meses

após a implementação para subsidiar as decisões finais do CAD;

 criação da Comissão de Flexibilização, no âmbito do DGP, com a responsabilidade de no prazo de 180 dias, analisar a viabilidade da implantação da flexibilização da jornada de trabalho na UnB;

 determinação de que os processos de autorização da flexibilização aprovados pela Comissão e homologados pelo DGP sejam arquivados para fins de apreciação pela Auditoria Interna e pelos órgãos de controle externos;

 estabelecimento da competência dos diretores das unidades acadêmicas e administrativas, dos centros e dos órgãos complementares, dos chefes de departamento e das demais chefias de providenciar a publicação de quadro, permanentemente atualizado, com a escala nominal dos servidores, constando dias e horários do expediente; e

 determinação de que é responsabilidade do DGP informar à comunidade universitária que a flexibilização não se aplica aos servidores que atuam em regime de plantão, aos ocupantes de cargos com jornada semanal de trabalho estabelecida em lei específica e aos detentores de Cargo de Direção (CD) ou Função Gratificada (FG); bem como de divulgar no âmbito dos campi que as horas extraordinárias serão computadas a partir da oitava hora para os servidores cuja jornada for flexibilizada e que a flexibilização não gera direito adquirido, podendo

ser revogada a qualquer tempo pelo dirigente máximo da Instituição, caso os fins que justificaram sua implantação não estiverem sendo atendidos.

Todos esses documentos estavam disponíveis no sítio do DGP, em um campo denominado flexibilização, possibilitando o conhecimento por parte de todos os interessados. Nesse mesmo local, também podiam ser encontrados a Exposição de Motivos, e todos os demais documentos necessários à montagem do processo de solicitação de flexibilização de jornada pelas unidades interessadas.

Ademais, todas as informações relativas à flexibilização eram noticiadas no sítio da UnB e do DGP, bem como eram encaminhadas, via InfoUnB, mensagens de e-mail contendo a programação dos eventos ocorridos em função do processo, tais como apresentações, reuniões dos órgãos superiores, palestras, entre outros. Também foram abertos canais de comunicação entre a comunidade acadêmica e os órgãos superiores responsáveis pela implementação do processo, com o objetivo de sanar eventuais dúvidas a respeito do assunto. As unidades acadêmicas e administrativas, à medida que tinham seus processos de flexibilização autorizados pela Comissão e homologados pelo DGP, também encaminhavam

e-mail informando toda a comunidade sobre a nova situação, bem como disponibilizando seus

novos horários de funcionamento.

Desta forma, a partir da análise de toda essa documentação, bem como do acompanhamento das ações relativas à construção desse processo de flexibilização, foi possível tomar conhecimento do modelo adotado pela Instituição e, então, confrontá-lo com os demais modelos apresentados pela literatura consultada.

O modelo adotado na UnB é uma flexibilização de jornada de trabalho, na forma de redução de jornada. Os servidores continuam a ter sua carga horária de oito horas diárias e 40 horas semanais; entretanto, essa carga foi flexibilizada, em conformidade com a legislação pertinente, para seis horas diárias e 30 horas semanais, sem alteração salarial. No entanto,

cabe destacar que essa iniciativa não foi tomada para privilegiar os servidores; mas sim para ampliar e aumentar a qualidade da prestação dos serviços universitários. Obviamente, isso traz como consequência uma valorização da condição de trabalho do servidor. A literatura consultada considera flexibilização e redução de jornada como situações distintas. Como destacado por Pereira e Gonzaga (2001), as propostas de redução na jornada de trabalho muitas vezes são confundidas com as de flexibilização da jornada de trabalho efetiva (por exemplo, criação de banco de horas). Entretanto, seus efeitos sobre o nível de emprego são bem distintos. A flexibilização contribui fortemente para a manutenção do emprego, no sentido de permitir reduções do número de horas de trabalho em épocas recessivas. Diante desse contexto, percebe-se que a flexibilização na forma de redução de jornada é utilizada como uma alternativa transitória, para adequação da organização, quando surge a necessidade de ajuste de alguns fatores. Quando se fala em redução, ela não é adotada em um contexto de flexibilização, como ocorreu na UnB. Ademais, essas experiências são muito raras na esfera pública, talvez em função da rigidez das leis que regulam esse setor da economia. Normalmente, as experiências relatadas em termos de flexibilização, bem como de redução de jornada ocorrem no âmbito da iniciativa privada.