A pesquisa documental “caracteriza-se pela busca de informações em documentos que
não receberam nenhum tratamento científico, como relatórios, reportagens de jornais, revistas,
cartas, filmes, gravações, fotografias, entre outras matérias de divulgação.” (OLIVEIRA
(2007) APUD SÁ SILVA, 2009).
Segundo Godoy (1995), o estudo de materiais de diversas categorias, que ainda não
receberam um exame minucioso, ou que podem ser reexaminados, buscando-se novas
interpretações, constitui o que estamos denominando pesquisa documental.
A pesquisa documental assemelha se com a pesquisa bibliográfica. O elemento
diferenciador está na natureza das fontes: a pesquisa bibliográfica remete para as
contribuições de diferentes autores sobre o tema, atentando para as fontes secundárias,
enquanto a pesquisa documental recorre a materiais que ainda não receberam tratamento
analítico, ou seja, as fontes primárias. Essa é a principal diferença entre a pesquisa
documental e pesquisa bibliográfica. (OLIVEIRA, 2007: 70 APUD SÁ SILVA, 2009).
Como em qualquer outra tipologia, existem vantagens e desvantagens em sua escolha.
Como vantagens tem-se a possibilidade do estudo do objeto, mesmo este estando distante e a
possibilidade de estudar tendências ao longo do tempo. estuda. As desvantagens são que
alguns documentos não são produzidos para serem analisados; outros acabam por distorcer a
realidade, como em certas fotografias, e alguns documentos podem não ser amostras que
representem o fenômeno que se estuda (GODOY, 1995).
A pesquisa documental é utilizada como ferramenta que pode ser aplicada em diversos
estudos de diferentes áreas (SÁ SILVA, 2009). Sobre a temática de cimenteiras, a pesquisa
documental também se torna importante na análise de laudos técnicos e outros documentos
com dados primários. Geralmente os trabalhos não só utilizam a pesquisa documental, mas
também outras ferramentas para complementar o estudo como a pesquisa bibliográfica.
O trabalho de Sevá e Santi (2003) utilizou cadastros e séries estatísticas de transporte e
de licenças ambientais para o uso de resíduos para o co-processamento em fábricas de
cimento em Belo Horizonte. Com a análise destes dados, eles puderam concluir que a
administração pública desconsidera, no processo de licenciamento, o princípio da precaução e
os critérios de segurança química.
Em outro estudo, Lima et al. (2007) teve como documento - base informações
presentes no demonstrativo de custos ambientais da Votorantim Cimentos – Unidade de
Sobral. Com a análise desta informação e de outras que foram obtidas com diferentes
ferramentas, percebeu se que a empresa contribui com a preservação ambiental através de
investimentos em novas tecnologias, em treinamento de pessoal e em novos equipamentos
que eliminarão os resíduos existentes em seu próprio processo produtivo.
O estudo de Correa (2014) fez um histórico dos conflitos ambientais entre a fábrica de
cimento em Barroso, Minas Gerais e os moradores, poder público através do levantamento de
informações de jornais, de inquéritos civis, relatórios. Foi percebido que a cidade de Barroso
sempre foi dependente social e economicamente da cimenteira, porém a atividade da
cimenteira gera um grande conflito por conta de questões ambientais.
Meireles (2016) realizou um estudo que teve como documento base o inquérito civil
de uma cimenteira. Através deste documento, foi feita uma metodologia para análise do
documento, além de um histórico pautado na poluição do ar.
No desenvolvimento de uma pesquisa documental é importante frisar três aspectos: a
escolha dos documentos, o acesso a eles e a sua análise. A escolha dos documentos não é
aleatória, mas se dá em função de critérios ou hipóteses (GODOY,1995).
Uma das metodologias mais utilizada para análise de documentos em pesquisa
documental é a análise de conteúdo (OLIVEIRA et al., 2018). Flick (2009) frisa que a análise
de conteúdo “é um dos procedimentos clássicos para analisar o material textual, não
importando qual a origem desse material”. Bardin (1977) define a análise de conteúdo como
“um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos
sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. Chizzotti (2006) afirma
que, “o objetivo da análise de conteúdo é compreender criticamente o sentido das
comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas”.
A análise de conteúdo pela metodologia de Laurence Bardin que é análise qualitativa
de dados, prevê três fases de elaboração: (a) pré-análise, (b) exploração do material e (c)
tratamento dos resultados e interpretações (Figura 5).
Fonte: Adaptado de Bardin (1977).
A pré-análise se caracteriza como a fase em que são organizados os materiais a serem
analisados. A organização é feita por meio de quatro etapas:
(a) leitura, sendo este um primeiro contato com os documentos da coleta de dados;
(b) escolha dos documentos, que seria a separação do que será analisado;
(c) formulação das hipóteses e dos objetivos;
(d) referenciação dos índices e elaboração de indicadores (BARDIN, 1977).
A exploração do material constitui a segunda fase. Esta fase consiste na investigação
do material, onde são criadas as definições das categorias, que também são chamados de
sistemas de codificação. Nesta fase é feito um detalhamento analítico, a qual diz respeito ao
corpus (qualquer material textual coletado) sob a um estudo minucioso, orientado pelas
hipóteses e referenciais teóricos. Dessa forma, a codificação, a classificação e a categorização
são básicas nesta fase (BARDIN, 1977).
A terceira fase versa sobre o tratamento dos resultados, inferência e interpretação.
Nesta etapa ocorre a condensação e o destaque de informações para análise, resultando em
interpretações (BARDIN, 1977).
A codificação “corresponde a uma transformação – efetuada segundo regras precisas –
dos dados brutos do texto, transformação esta que, por recorte, agregação e enumeração,
permite atingir uma representação do conteúdo, ou da sua expressão” (BARDIN, 1977).
Depois da codificação, a categorização pode ser realizada, a qual consiste na: classificação de
elementos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o
gênero, com os critérios previamente definidos. As categorias reúnem um grupo de elementos
sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes
elementos (BARDIN, 1977).
A análise de conteúdo para o estudo dos documentos dentro de um inquérito civil é de
grande relevância, pois, em geral, estes processos podem ter muito conteúdo que ao ser
detalhado de acordo com as principais características deste inquérito, facilita o acesso e a
análise destas informações contidas nestes processos.
Outra técnica conhecida de análise de conteúdo são os ciclos de codificação proposto
por Saldaña (2013, apud VOSGERAU et al., 2016). De forma sucinta, este propõe dois ciclos
de codificação, com 31 possibilidades diferenciadas de elaboração de códigos. Antecedendo o
processo de ciclos, existe uma fase de pré-codificação onde é realizada uma leitura flutuante
dos documentos. A partir desta etapa, pode se inferir o tipo de pesquisa feita (cunho
etnográfico, estudo de caso, fenomenológico ou outro) e escolher um método ou uma
combinação de métodos dentre as combinações do primeiro ciclo. Entre os ciclos de
codificação, busca- se compreender os códigos resultantes dos ciclos, e realizar a análise das
mensagens encontradas. A realização do segundo ciclo de codificações fica a critério do
pesquisador realizado, dependendo da solução da questão proposta pelo pesquisador. A
metodologia de Bardin se ajustou aos dados do presente estudo, por conta de seus processos
de pré-análise e de codificação, que possibilitaram dar a consistência aos dados.
No documento
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(páginas 35-39)