Tabela 5 - Docentes participantes da pesquisa: perfil das professoras conclusão Orientadora
Educacional
48 Ensino Médio na Modalidade Normal;
Licenciatura em Pedagogia;
Especialização na área da educação;
Cursando Pós-graduação stricto sensu.
22 anos 10 anos
Fonte: Questionário individual com as professoras via Google forms.
Como se percebe, a maioria das professoras participantes, apresentam uma trajetória profissional já consolidada, com idades entre 53 a 26 anos, sendo efetivas e concursadas na rede pública municipal pesquisada.
Evidenciamos que, os critérios para escolha dessas educadoras selecionadas, foram por trabalharem com os Anos Iniciais do ensino fundamental, já que a pesquisa visou a formação continuada com essas profissionais e por considerar o seu conhecimento sobre os processos de formação continuada no município ao qual a sua escola está vinculada, trazendo para o estudo suas reflexões e sugestões acerca dessas ações formativas. Sendo importante ressaltar, que o critério de exclusão dos/as outros/as professores/as na pesquisa, foi por serem professores/as de área que trabalham apenas com os Anos Finais do ensino fundamental. Nesse aspecto, destacamos também que a equipe diretiva entrou como participante da pesquisa, por ser responsável pelo processo de articulação dos acontecimentos no ambiente escolar e o processo de construção de práticas pedagógicas que propiciam não somente o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, como o desenvolvimento profissional de seus professores.
Pedagógicas na prática docente e as Cartas Pedagógicas (Anexos A ao L), produzidas pelas participantes do estudo durante os encontros de formação.
De acordo com Thiollent (2011, p. 28), “Podemos optar por instrumentos de pesquisa não aceito pela maioria dos pesquisadores de rígida formação à moda antiga, sem por isso abandonar a preocupação científica.”, com base nas palavras do autor, percebe-se que as Cartas Pedagógicas, possuem validade diante a comunidade acadêmica, já que esta traz um rigor científico em sua escrita. Outro aspecto a ser salientado e relembrado, é que as Cartas Pedagógicas não se resumem apenas como um instrumento de coleta de dados, mas também, um instrumento produtor de aprendizagens em todo o processo de pesquisa e formação.
Sendo assim, o intuito foi promover uma formação com aprendizagem coletiva e participativa, empregando o Diálogos Formativos e as Cartas Pedagógicas, para que as participantes respondessem indiretamente às questões de estudo aqui levantadas. Além disso, foi possível construir com as docentes o exercício de autorreflexão e auto(trans)formação, através da práxis pedagógica, pensando de que forma elas poderiam utilizar Cartas Pedagógicas em suas práticas cotidianas em sala de aula como instrumento de ensino, registrando em forma de narrativas o seu processo de construção do conhecimento, e humanização nas relações decorrentes dos processos de ensino e de aprendizagem. Conforme destacam Paulo; Dickmann (2020):
As Cartas Pedagógicas revelam um pensamento dialógico que compreende a educação como processo de humanização dos seres humanos. Para tanto, a educação é teórica e prática, ocupando-se em resolver problemas da vida concreta dos oprimidos. Nesse viés, é importante uma metodologia coerente com a Educação Popular Libertadora. (PAULO; DICKMANN, 2020, p. 24).
Nessa concepção dialógica, as professoras compreenderam o ato pedagógico como um processo no qual a pesquisa é o caminho que possibilita a escuta de sua prática, em um movimento de ação-reflexão-ação.
3.4.1 Contatos iniciais: movimentos que antecederam a pesquisa
Ainda na etapa de elaboração do projeto de pesquisa, no segundo semestre de 2021, aconteceu um contato preliminar com uma escola da rede municipal em que foi apresentada a proposta do trabalho através de uma conversa informal e uma
Carta Convite, em que a escola aceitou participar e firmou seu compromisso mediante assinatura do TCLE. No entanto, ao ser procurada novamente para realização do estudo, no primeiro semestre de 2022, a escola voltou atrás e retirou-se da pesquisa, pois retirou-segundo a direção, não teria como promover espaços para esse tipo de formação, assim como não conseguiria liberar os professores para esses momentos de aprendizagens pelo tempo de duração das atividades, visto que as formações continuadas acabavam vindo prontas diretamente da secretaria da educação e oferecidas em outros espaços.
Nesse contexto, foi necessário pensar alternativas para que a pesquisa em meio a esses impasses de fato acontecesse, foi assim que surgiu então, a proposta do curso de extensão utilizando o planejamento já preparado para a formação na escola, adaptando quando necessário.
3.4.2 Mobilização para a pesquisa
O primeiro momento da pesquisa aconteceu em abril, no qual houve uma chamada aberta para oferta do curso de extensão "Cartas Pedagógicas na prática docente”, destinado a professoras de Anos Iniciais da rede pública municipal de ensino, sendo compartilhado via redes sociais um card com informações junto a um formulário de inscrição, conforme figura abaixo:
Figura 8 - Card para chamada do curso de extensão
Fonte: Autora (2022)
Infelizmente, a adesão do curso foi baixa pelas professoras alvo, tendo a maior parte das inscrições no formulário de professores/as de área. Desta forma, foi necessário fazer um movimento para a captação de docentes pessoalmente nas escolas.
Percorremos cinco escolas municipais, em uma delas a Orientadora, que é aluna do Curso de Mestrado Acadêmico e colega da pesquisadora, nos recebeu com carinho, alegria, e uma certa curiosidade acerca da proposta de formação com Cartas Freireanas, viabilizando um espaço para que o curso de extensão acontecesse na escola com seu corpo docente.
No entanto, nas outras escolas visitadas encontramos semelhanças nas falas de algumas educadoras, revelando a desmotivação por parte delas em realizar o curso oferecido: “Não tenho interesse em participar de formações aos sábados pela manhã”, “Não tenho disposição ou não gosto de formação que envolvam leitura e escrita” ou ainda “Formação para quê? Falta pouco para me aposentar”, entre outras frases duras de serem ouvidas das colegas de profissão, porém essa falta de interesse pelo “ser mais”, se mostrou como um dado relevante da pesquisa e fez parte da discussão dos resultados a partir do seguinte questionamento: Como pode um/a professor/a, não gostar e não querer ler, escrever e aprender em um curso de formação continuada?
Posteriormente, as inscrições foram reabertas, mas ainda assim, sem mais inscritos.
Nos meses de maio e junho, ocorreram quatro encontros semanais (aos sábados) presencialmente, desta etapa participaram as três docentes (Professora A, Professora B e Professora C) de Anos Iniciais da rede pública municipal de ensino, que fizeram sua inscrição previamente na fase anterior, sendo excluídos os demais inscritos, por não serem o público selecionado para pesquisa. Importante salientar que as formações tiveram além dos encontros presenciais, momentos adicionais assíncronos à formação, com o compartilhamento de materiais para leitura e reflexão via e-mails.
Na semana do último encontro do curso de extensão na universidade, deu-se início ao curso de formação na E.M.E.F. João Thiago do Patrocínio, que ocorreu durante todo o mês de junho, nesta outra etapa participaram: a equipe diretiva (Diretora, Vice-diretora e orientadora), as três professoras de anos iniciais (Professora 1, Professora 2 e Professora 3) e a Professora AEE, dos quatro encontros semanais (quarta-feira) realizados presencialmente, no mesmo formato que o curso proporcionado na universidade, adequando os debates conforme necessidade dos assuntos de interesse levantados, pela pesquisadora e pelas participantes.
3.5 O processo e o desenvolvimento da pesquisa-ação como prática de