3. METODOLOGIA
3.2 PESQUISA QUALITATIVA E PESQUISA QUANTITATIVA
3.2.1 Pesquisa qualitativa
Com a pesquisa qualitativa, fundamentada e comprovada a sua necessidade a partir da etnografia de campo – viajando em distintas linhas de ônibus, perpassando o seu fluxo pelos mais diversos horários e conhecendo a dinâmica durante os sete dias da semana –, observou-se a necessidade de entrevistar personalidades da área de transporte, procurando ser o mais diversificado possível, e conseguir traduzir muito do que estava ali presente.
Para tanto, foram entrevistadas 6 personalidades selecionadas. Nesse caso, “o termo seleção é empregado explicitamente em vez de ‘amostragem’. […] Na pesquisa qualitativa, a seleção dos entrevistados não pode seguir os procedimentos da pesquisa quantitativa por uma série de razões”.176 E os mesmos autores assim seguem o seu pensamento com a seguinte justificativa: “A finalidade real da pesquisa qualitativa não é contar opiniões ou pessoas, mas ao contrário, explorar o espectro de opiniões, as diferentes representações sobre o assunto em questão”177. E os autores
175 DYCKMAN, 1972, op. cit., p. 148.
176 BAUER, M. W.; GASTEL, G. (ed.). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. p. 67.
177 BAUER; GASTEL, 2002, op. cit., p. 68.
assim concluem:
Em síntese, o objetivo da pesquisa qualitativa é apresentar uma amostra do espectro dos pontos de vista. Diferentemente da amostra do levantamento, onde a amostra probabilística pode ser aplicada na maioria dos casos, não existe um método para selecionar os entrevistados das investigações qualitativas. Aqui, devido ao fato de o número de entrevistados ser necessariamente pequeno, o pesquisados deve usar sua imaginação social científica para montar a seleção dos respondentes.178
Diante do exposto e embasado nessa perspectiva apresentada, a seleção dos entrevistados e a imaginação social científica se sustentaram a partir do embasamento teórico e do amadurecimento do trabalho etnográfico de campo. Sendo assim, segue uma breve apresentação do perfil de cada respondente que atuou, salientando o seu direito de anonimato assegurado, o que implica trabalhar com cada entrevistado utilizando apenas denominações, tais como: Arthur, Lucas, Maria, Pedro, Matheus e Davi (nomes fictícios).
34 anos de idade. Educador Físico de formação acadêmica, com especializações em Gestão de Trânsito, Direito de Trânsito e Mobilidade Urbana; Servidor Público Municipal atuando como Agente de Fiscalização de Trânsito, em funções, tanto estratégicas quanto operacionais; Consultor e Analista de Trânsito e Transporte em diferentes municípios do território nacional; ministra distintos cursos de formação na área de trânsito; Observador certificado: Membro do Observatório Nacional de Segurança Viária (Arthur).
53 anos de idade. Geógrafo de formação acadêmica, com especializações em Análise do Espaço Urbano, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e Gestão Pública; Servidor Público Municipal com atuações diretas em funções diante do espaço urbano:
atualmente atua como técnico da Coordenação de Transporte Público;
mobilizador social na elaboração do Plano Diretor Urbano; membro de diversos conselhos municipais: Habitação, Pessoas com Deficiência, Desenvolvimento Urbano, Saúde, Igualdade Racial e da Cidade;
professor da rede estadual de ensino; e Conselheiro Estadual do Concidades – BA (Lucas).
50 anos de idade. Pedagoga de formação acadêmica, com especializações em Segurança do Trabalho, Docência e Pesquisa para o Ensino Superior, e Gestão, Educação e Segurança no Trânsito;
Servidor Público Municipal atuando como Agente de Fiscalização de Trânsito há 19 anos, tendo, com principal atribuição, Educação e Fiscalização de Trânsito; instrutor de auto escola, onde ministra aulas de Trânsito, tanto teóricas quanto práticas; em distintas instituições,
178 BAUER; GASTEL, 2002, op. cit., p. 70.
tanto públicas quanto privadas, assim como como ensino básico, ensino profissionalizante e ensino superior, ministra cursos:
Segurança do Trabalho e Pedagogia (Maria).
40 anos de idade. Administrador de formação acadêmica, com especialização em Mobilidade Urbana e Trânsito; Servidor Público Municipal atuando em funções administrativas relacionadas à problemática da mobilidade urbana e trânsito, na cidade de Vitória da Conquista, há 13 anos (Pedro).
42 anos de idade. Geógrafo de formação acadêmica, com especialização em Geoprocessamento e Análise do Espaço. Servidor Público Estadual atuando na Segurança Pública. Experiência em atuação direta nos temas: Mapeamento e Gerenciamento de Áreas de Risco, Gestão Regional e Local, Capacitação em CAD-SIG/GIS, Mapeamento e Monitoração de Riscos, e Ensino de Geografia (Matheus).
30 anos de idade. Ensino Médio completo; Motorista de Transporte Coletivo Urbano há seis anos, com atuações em distintas linhas de tráfego, bem como já perpassou por diferentes escalas de dias e horários (Davi).
Apresentados os entrevistados e suas respectivas habilidades no cenário da mobilidade urbana, é chegado o momento de apresentar o roteiro que foi utilizado com cada um e que serviu de base de sustentação na elaboração de suas respectivas respostas:
Propósito: Impacto das benfeitorias diante do Usuário
1. Como direito social e serviço essencial, o transporte coletivo urbano precisou continuar operando. Mas, de maneira geral, como era o serviço de transporte coletivo oferecido antes da pandemia?
2. O uso de inovações tecnológicas passou de tendência a recurso necessário para a segurança sanitária no Transporte Público durante a pandemia. Quais modernizações foram imprescindíveis para o setor?
Usuários: novas benfeitorias implantadas
3. Quais foram os impactos, para o usuário do transporte coletivo, do uso das novas tecnologias?
4. A tecnologia implementada tem o alcance de atender questões sociais perante os usuários do transporte coletivo?
5. Quais foram os efeitos coletivos práticos da tecnologia?
6. As benfeitoras se tornaram exigências dos usuários de ônibus?
Usuário (Sujeito): ele continua usando o Transporte Público
7. O transporte público coletivo pode ser visto como um elemento que aproxima ou afasta as pessoas?
8. Qual é a consciência que o usuário tem enquanto um usuário de ônibus?
Urbanização
9. Deve-se valorizar a importância da mobilidade e o planejamento urbano no sistema viário do futuro e conscientizar para o uso de transporte coletivo, apontando as melhores formas de adaptar os meios já existentes. O Transporte público pode ser visto como um elemento de organização da cidade?
10. Como você analisa a Mobilidade Urbana enquanto garantia da cidadania?
Pós-Pandemia
11. A integração do transporte coletivo com os meios ativos, bem como a regulamentação de outros meios de transporte, dentre outras, poderão ser algumas das medidas a serem executadas. Em linhas gerais, como imaginar o transporte público coletivo após a pandemia?
As respostas serão trazidas nos dois próximos capítulos deste trabalho e vêm como um conteúdo resultante de uma pesquisa de cunho etnográfico. Todas foram devidamente gravadas mediante apresentação e assinatura de um Termo de Consentimento, assim como a sua transcrição se fez na íntegra. Porém, só serão trazidos ao corpo deste texto as respostas que forem cabíveis, elucidativas, com a preocupação de que não haja a elaboração de um material redundante nem demasiado extenso.