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2.3. TELHADO VERDE

2.3.1. Pesquisas acerca de edificações dotadas de telhado verde

Dubbeling e Massonneau (2014) comentam que a execução de telhados verdes, em grande escala, pode ajudar a reduzir o efeito de ilhas de calor urbano no centro da cidade por meio de absorção de calor pela massa térmica, reflexão solar e evapotranspiração. Os autores apresentam um estudo realizado em Durban, África do Sul, entre março e novembro de 2009, que mostrou que a temperatura do ar acima de um telhado pintado de branco é maior do que acima de um telhado verde, com temperatura do ar média acima do telhado verde e branco, eram 22° C e 41° C, respectivamente.

Dubbeling e Massonneau (2014) citam pesquisas canadenses com telhados verdes que confirmam a redução da demanda diária de energia para o resfriamento em 95% em comparação com um telhado convencional, reduzindo o consumo energético de 19,3 kWh/m² em um edifício, com telhado convencional para 0,9 kWh/m², para um edifício com telhado verde. Os autores, ainda citam que, o estudo canadense divulga que no inverno, também há redução do consumo de energia para aquecimento ao absorver radiação solar e diminuir a perda de calor através do telhado, proporcionando isolamento, chegando a uma redução de 26% de perda de calor.

Vacilikio e Fleishfreesser (2011) conduziram um estudo no qual compararam as temperaturas internas de duas envoltórias, sendo uma composta por telhado verde e a outra por telhado convencional de fibrocimento, tal como a que foi objeto deste trabalho. De acordo com os autores, os resultados dos experimentos demonstraram que há uma redução significativa na amplitude térmica quando o telhado verde é utilizado. A cobertura verde, não só reduziu as temperaturas máximas durante o dia, como manteve o ambiente interno aquecido durante a noite. Segundo os autores, apesar do telhado verde ser um método passivo de controle do conforto térmico do ambiente, este apresentou-se eficiente para amenizar as temperaturas internas medidas, em comparação com a cobertura convencional.

Tal comportamento também foi identificado no trabalho conduzido por Lima, Barroca e D´Oliveira (2009), os quais obtiveram uma redução na amplitude térmica na ordem de 5º C, comparando um módulo construído com telhado verde, com outro dotado de laje

impermeabilizada, na cidade de Maringá (PR). Segundo Rosseti et al. (2013), tal fato ocorre, uma vez que o telhado verde acrescenta camadas de isolamento que desaceleram o fluxo de calor através da cobertura. Com isso, menor energia térmica é transferida do exterior para o interior do edifício.

Cummings, Withers, Sonne, Parker e Vieira (2007) comentam uma pesquisa realizada pela Flórida Solar Energy Center, que avaliou a instalação de 1.000m² de telhados verdes. De acordo com os autores, a instalação proporcionou economia de energia utilizada para o resfriamento, chegando a uma redução de 45% do fluxo médio de calor dos telhados convencionais e economizando 489KWh /ano.

Carneiro et al. (2015) conduziram um experimento por um período de 70 dias, no município de Recife – PE, em que construíram modelos reduzidos na escala 1:10 nas dimensões horizontais e 1:2 nas dimensões verticais, dotados de quatro tipos de cobertura, sendo: telha de fibrocimento de 6 mm, telha reciclada de 6 mm, composta por 75% de polímeros e 25% de alumínio, telhado verde com grama, tipo Zoysia japonica e, telhado verde com grama amendoim, tipo Arachis repens, com quatro repetições cada um, totalizando 16 modelos.

Os autores observaram que as coberturas verdes reduziram as temperaturas superficiais medidas na face interna das coberturas, em 5,3° e 4,4°C. Os modelos reduzidos cobertos com telhado verde mostraram melhor desempenho térmico em relação às coberturas de fibrocimento e telha reciclada, confirmando que a vegetação promove redução da transmissão da irradiação solar para o interior do modelo.

Rosseti et al. (2013) comentam uma pesquisa realizada por Parizotto e Lamberts em 2011, os quais verificaram, para a cidade de Florianópolis (SC), que edifícios dotados de telhado verde proporcionaram uma redução no fluxo de calor entre 37% e 63%, em relação a telhados cerâmicos e metálicos respectivamente. No outono/inverno, a redução do ganho de calor proporcionada pelo telhado verde foi de 94% e 88%, em relação aos telhados cerâmicos e metálicos.

Os autores, também citam o trabalho conduzido por Rosseti (2009), realizado na cidade de Cuiabá (MT), de clima tipicamente tropical. Nesta pesquisa, foram comparadas as condições de temperatura de envoltórias executadas dotadas coberturas de fibrocimento e telhado verde. No protótipo em que foi implantado o telhado verde, foram encontradas

menores temperaturas internas do ar em qualquer horário do dia, comparando-se com o modelo dotado de cobertura de fibrocimento. No verão, os autores destacam que esta diferença chegou próximo dos 5º C.

Morais (2004) conduziu um experimento no Campus da Universidade Federal de São Carlos, em que utilizou uma edificação já existente, com dois ambientes separados por uma parede, sendo um com cobertura verde e outro com laje isolada com piso cerâmico, obtendo como resultado as amplitudes térmicas medias de 6,3° C e 1,8° C, das temperaturas superficiais internas da laje comum e da cobertura verde, respectivamente, evidenciando que a cobertura verde reduziu as flutuações térmicas diárias em cerca de 70% mais do que a laje comum.

Oliveira Neto (2014) destaca a importância de se incluir políticas ambientais, para que processos construtivos e legislativos trabalhem em prol da preservação dos recursos naturais e da eficiência energética, buscando novos modelos urbanos e habitacionais, para um processo de urbanização contínua; mas mudando as visões necessárias para devolver à sociedade e às cidades um ambiente saudável.

De acordo com Oliveira (2015), esta conscientização já vem acontecendo, levando a uma exigência crescente por alternativas tecnológicas; porém, na construção civil, a visão tradicional ainda é muito forte. Rama (2015) comenta que, para a indústria da construção civil, ainda há muitos desafios a serem superados, dentre os quais pode-se destacar a otimização do consumo de materiais e energia e a melhoria da qualidade do ambiente construído.

Na cidade de São Paulo (SP), os programas de Arborização Urbana administrados pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano - SMDU-PMSP (2011) oferecem relevantes benefícios, tais como: melhoria da qualidade de vida das comunidades, redução dos efeitos das ilhas de calor urbanas e, também redução dos gastos de energia com resfriamento de ambientes, entre outros benefícios.

Outro programa implementado na cidade de São Paulo (SP) é o Programa Quota Ambiental, que apresenta um conjunto de regras de ocupação, que fazem com que cada lote na cidade contribua com a melhoria da qualidade ambiental, passando a incidir a partir de uma construção nova ou reforma, adotando como parâmetros a drenagem, o microclima e a biodiversidade. (Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento – SMUL/PMSP, 2017).

Neste contexto, entrou em vigor na cidade de São Paulo, no dia 10 de março de 2015, o Decreto n° 55.994, que permite a conversão da compensação ambiental em obras e serviços na capital, por meio da instalação de jardins verticais e coberturas verdes. O Decreto introduz alterações no artigo 4º do Decreto nº 53.889, de 8 de maio de 2013, que regulamenta o Termo de Compromisso Ambiental – TCA. A partir desta regulamentação, várias intervenções já foram executadas, porém ainda há a necessidade de estudos para comprovar a sua eficácia.