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1 APROPRIAÇÕES DO MÉTODO INTUITIVO EM PESQUISAS PRODUZIDAS NO

4.2 Pestalozzi segundo entendimentos apresentados nos periódicos

4.2.6 Pestalozzi nas Revistas do Rio de Janeiro

Passa-se agora a discutir as revistas que abordam e Pestalozzi e que foram publicadas no Estado do Rio de Janeiro. Nesse Estado identificou-se três exemplares de três periódicos: Revista Pedagógica, A Escola e A Educação.

Na Revista Pedagógica, no Tomo V de 1893, que contém os números 25, 26 e 27144, em um artigo que discorre sobre a utilidade social do trabalho manual o autor destacou que “Pestalozzi em Stans e em Berthoud, dava as lições de pé e de pé conservava os alumnos. Só em Yverdon e já na decadencia do instituto deixava-os assentar-se” (SHIMITT145, 1893, p. 84).

142 De acordo com as informações contidas na segunda página da revista, Esther Pereira ocupava a terceira cadeira

para o sexo feminino das escolas públicas do distrito da capital, localizada na Rua Visconde de Guarapuava.

143 Não foram identificadas informações sobre César Matinez, autor do artigo. 144 Esses três números estão presentes em um mesmo exemplar da revista. 145 Não foram encontradas informações sobre o autor E. Shimitt.

Pestalozzi nas revistas publicadas no Rio de Janeiro, também apareceu como uma autoridade utilizada para justificar uma crítica tecida ao sistema escolar de seu tempo, em uma conferência146 escrita em espanhol e publicada na revista A Educação nº. 5 de 1922 e dada pelo professor chileno Guilherme Martinez147 na Escola Euzébio de Queiroz, aos professores do ensino primário do Estado. Nela, o professor declarou que a

[...] escola tem sido sempre criticada pelos educadores mais eminentes. Fazem mais de cem anos que Pestalozzi fazia a escola de seu tempo esta acusação, que bem pode fazer-se ainda a nossa: “O presente mais horrível que a educação tem feito a geração atual tem sido o proporcionar-lhe conhecimentos se criar-lhe habilidades”. Para ter um ponto de partida, a fim de trazer à luz os defeitos dos sistemas atuais da educação vamos examinar levemente nossa escola tradicional148 (MARTINEZ, 1922, p. 459, tradução minha).

Desse modo, pode-se afirmar que a crítica de Pestalozzi a escola de sua época ao lado daquela contemporânea a presenciada pelo autor, constituiu-se como um convite aos professores para que refletissem acerca dos problemas enfrentados pela escola daquele tempo. Nessa proposta, Pestalozzi foi apresentado como alguém que dada a sua importância, reforçaria os argumentos apresentados pelo autor.

No Estado do Rio de Janeiro, constata-se a presença de um outro artigo com alusões a Pestalozzi. Tal artigo encontra-se no número 47 da revista A Escola e foi publicado em 1927 com o título: A proposito do Centenario da morte de Henrique Pestalozzi.

Nele, verifica-se que Pestalozzi foi apontado como uma grande personalidade da humanidade, pois a

[...] historia dos grandes vultos da humanidade póde influir sobre a conducta dos moços, pois é uma especie de estimulo ou incentivo á vontade, o exemplo da actividade bem empregada dos que nos precederam na jornada da vida. Escola de firmeza e de perseverança a narração dos episodios da existencia de Pestalozzi, nos impele á paciencia e á coragem, alentando-os o animo com a esperança: – eis por que nos estabelecimentos de ensino normal, onde se preparam professores, futuros educadores do povo, o nome do grande heróe da cruzada do bem, pioneiro da escola popular, deve ser constantemente cultuado; eis por que, não podendo directamente falar ás minhas discípulas da Escola Normal do Districto Federal e da de Nictheroy, dada a época de férias em que ocorre e se celebra o centenario do grande Mestre zuriquense, eu lhes dedico e endereço este meu trabalhinho, contando que despertará elle nos

146 A conferência teve por título Los métodos activos como base de la escuela nueva e foi realizada no III Congresso

Americano da criança em 5 de Outubro de 1922, no Rio de Janeiro.

147 Pelo que consta na revista ele foi um professor chileno delegado pelo governo de seu país para o 3º congresso

Americano da criança, no Rio de Janeiro, em 1922.

148 “[...] escuela ha sido siempre criticada por los educadores mas eminentes. Hace mas de cien años Pestalozzi

hacia a la escuela de su tempo esta acusación, que bien puede hacerse aun a la nuestra: “El presente mas horrible que la educación há hecho a la jeneración actual há sido el proporcionarle conocimientos sin crearle aptitudes”. Para tener um punto de partida a objeto de poner a la luz los defectos de los sistemas actuales de educación echemos a la lijera uma ojeada a nuestra escuela tradicional”.

espiritos juvenis de minhas futuras colegas [...] (CRUZ149, 1927, p. 301, grifo

da autora).

Tratado como pioneiro da escola popular, Pestalozzi foi apresentado por Cruz (1927) como um grande herói e inspirador daqueles que seriam futuros professores, e por isso, ela defendia que era um nome que merecia ser cultuado nas escolas normais. Ela ressaltou, ainda que

[...] em Yverdon, Pestalozzi é sempre o pregador da escola activa, daquella eu aproveita as energias individuaes dando ao educando a iniciativa necessaria a vida social e humana.

Para tão alevantado ideal conseguiu, o grande apostolo, prega não só com o exemplo mas tambem com as suas obras: “Leonardo e Gertrudes”, “Como Gertrudes educa os seus filhos”, “O Livro das Mães” e o “Canto do Cysne” ahi estão, ainda hoje, um seculo depois de sua morte, attestando a verdade do que digo (CRUZ, 1927, p. 302).

Defensor dos princípios da escola ativa, segundo a autora, Pestalozzi além de propagar esses princípios por meio do exemplo, também o fazia em seus escritos150.

Diante do exposto, constata-se que a partir dos artigos apresentados, que no Rio Janeiro assim como em outros Estados anteriormente abordados Pestalozzi apareceu associado a escola ativa, nesse caso em específico, como um dos propagadores dos princípios desse ensino.