PLANTAS na maioria trepadeiras, epifíticas, algumas vezes terrícolas ou rupícolas, raras vezes arborescentes com tronco robusto e elongado. FOLHAS com pecíolo vaginado, lâmina foliar elíptica até lanceolada, oblanceolada, ovada ou cordada, inteira ou pinatifida, em geral coriácea. ESPATA membranácea até coriácea, persistente na frutificação, com tubo basal e lâmina apical. ESPÁDICE séssil ou curtamente estipitada, parte apical estaminada, parte basal pistilada. FLORES unissexuais, aclamídeas; estames 2-6; ovário 2-multilocular; óvulos geralmente em 2 fileiras em cada lóculo; estilete tão largo quanto o ovário, pouco conspícuo ou ausente. SEMENTES 1 até muitas em cada fruto.
Chave para as espécies de Philodendron
1. Lâmina foliar pinatífida...P. bipinnatifidum 1’. Lâmina foliar sagitada ou inteira ...2 2. Lâmina foliar inteira... P. sonderianum 2’. Lâmina foliar sagitada ...3 3. Catáfilos apicais e face abaxial das folhas róseo-avermelhados. ... ...P. erubescens 3’. Catáfilos apicais e face abaxial das folhas verde-claros...P. imbe
Philodendron bipinnatifidum Schott ex Endl.
= Philodendron selloum K.Koch
PLANTA arborescente, terrícola, rupícola ou epífita. FOLHAS com pecíolo 40-90 cm compr., muito atenuado para o ápice; LÂMINA subcoriácea, cordado-sagitada, 50-120 cm compr., pinatífida, lobos posteriores de ambos os lados 3-4 laciniados, lacínios oblongos, lobos anteriores de lacínios linear- oblongos com margens providas de lobos dentiformes. PEDÚNCULO 6-10 cm compr. ESPATA grossa, tubo verde, 12-16 cm compr., lâmina de face adaxial verde, face abaxial branca, ovada. ESPÁDICE com parte pistilada palidamente brúnea, 7-8 cm compr., concrescida pelo dorso em sua maior parte com a espata, parte estaminada brúnea, 10-14 cm compr. PISTILO subprismático, 6-8-locular, 6-14 óvulos bisseriados por lóculo.
Fenologia: não encontrada em flor ou fruto dentro da reserva. Distribuição geográfica: desde RJ, MG e MT até RS (REITZ 1957).
Observações: rara dentro da reserva, tendo sido observados apenas dois indivíduos sobre uma mesma árvore e mais um na parte alta da reserva, próximo à borda. Apresenta-se como hemiepífita primária não estrangulante, de hábito quase arborescente, germinando sobre o forófito (galhos grossos, com pequena inclinação, ou forquilhas). Lança raízes aéreas ou que acompanham o tronco do forófito, alongando-se até estabelecerem contato com o solo (Figura 5E). Ocorre também nos arredores da reserva, principalmente nos jardins do Instituto de Biociências, como hemiepífita primária, espontaneamente, sempre muito jovem, como planta terrestre, cultivada, ou como hemiepífita secundária, quando uma planta terrestre encontra uma árvore que lhe serve como suporte.
Philodendron erubescens K.Koch & Augustin
PLANTA escandente. CAULE avermelhado. CATÁFILOS linear-lanceolados, 7-10 cm compr., róseo- avermelhados. FOLHAS com pecíolo 15,0-25,0 cm. compr.; LÂMINA membranácea, aurículo-sagitada, até 30,0 cm. compr., ápice acuminado, base com lobos arredondados, face abaxial róseo-avermelhada. PEDÚNCULO 6-7 cm compr. ESPATA exteriormente atropurpúrea, internamente carmim, com tubo 7-8 cm compr., lâmina brevemente ovada, 7 cm compr. ESPÁDICE com estípite 3 mm compr.; parte pistilada cilíndrica, 5 cm compr., parte estaminada 10 cm compr. PISTILO obovóide.
Fenologia: não encontrada em estado fértil durante este trabalho. Distribuição geográfica: Colômbia (ENGLER & KRAUSE 1913).
Observações: pouco comum dentro da reserva, ocorre em sua parte alta, próxima à margem do riacho. Trata-se de hemiepífita secundária, germinando no solo e crescendo de forma reptante até encontrar o tronco de alguma árvore, por onde vai, então, subindo (Figura 5A). O caule posterior vai apodrecendo, e a planta acaba perdendo
contato com o solo (Figura 5B). Pode ser considerada planta invasora na reserva, uma vez que a espécie não é nativa do Brasil. É, porém, utilizada como ornamental, e pode ter sido levada para dentro da mata através de sementes trazidas por pássaros, ou então diretamente introduzida pelo homem.
ROSSI (1994) citou esta espécie como o Philodendron mais comum na reserva, o que
provavelmente se deve a uma confusão com P. imbe, muito abundante no local.
Philodendron imbe Schott
PLANTA escandente. CAULE verde, muitas vezes ferrugíneo-purpúreo. CATÁFILOS linear-lanceolados, 7-15 cm compr., verdes-claros. FOLHAS com pecíolo 25-35 cm compr.; LÂMINA pergamínea, oblongo- sagitada ou, quando jovem, ovado-sagitada, 20-40 cm compr., lobos posteriores 6-12 cm compr., lobo anterior com ápice terminado em cúspide, ca. triplo do compr. dos posteriores, face abaxial verde-clara. PEDÚNCULO ca. 4 cm compr. ESPATA com tubo 3,5-5 cm compr., exteriormente verde, internamente vermelho, lâmina largamente ovada, 6-10 cm compr., em ambas as faces pálido-amarelada. ESPÁDICE com estípite 5-6 mm compr.; parte pistilada cilíndrica, concrescida à espata na base, 2-5 cm compr., parte estaminada oblongo-obtusa, 6-10 cm compr. PISTILO ovóide-oblongo.
Fenologia: Coletado com infrutescência em agosto. Distribuição geográfica: PE a RS (REITZ 1957).
Observações: bastante comum dentro da reserva, principalmente próxima às margens do riacho. Comporta-se como hemiepífita secundária. Às vezes, já em condição epifítica, a planta lança raízes aéreas que acabam chegando até o solo, refazendo a conexão. Não é encontrada nos arredores da reserva.
Philodendron sonderianum Schott ex Endl.
PLANTA escandente. CAULE 3-6 mm diâm. CATÁFILOS ausentes. FOLHAS com pecíolo do mesmo compr. que a lâmina, ou mais curto, até 18 cm compr., bainha até 15 mm larg., avançando além da inserção do pecíolo; LÂMINA subcoriácea, inteira, oblonga, 12-25 cm compr., aguda no ápice, na base abruptamente estreitada. PEDÚNCULO até ca. 2 cm compr. ESPATA ovalada, ca. 7,5 cm compr., branca, tubo ovóide quase do mesmo tamanho da lâmina, cuspidado-acuminada. ESPÁDICE amarela, curtamente estipitada, cilíndrica, fina, 6,5 cm compr., a parte pistilada mais curta que a parte estaminada. PISTILO oblongo-ovóide.
Fenologia: Não observada em flor ou fruto dentro da reserva. Distribuição geográfica: SC (REITZ 1957), SP.
Observações: apresenta a mesma forma de crescimento que Philodendron imbe, mas usualmente não lança raízes aéreas. Parece, também, haver uma maior tendência a manter a conexão com o solo, através do caule antigo. Comum próximo às margens do riacho. Não ocorre fora da reserva.