4.2 As dimensões da sustentabilidade na visão dos gestores
4.2.1 Pilar econômico
Para explicitar os resultados que os gestores identificaram, considera-se essencial ampliar o debate acerca da compreensão do significado de cada pilar, o qual foi realizado por meio dos conceitos dos termos. Desse entendimento, parte-se para a descrição e para a análise dos resultados expressos nas entrevistas dos gestores.
De acordo com Capra (1993, p.182), “economia é definida como a disciplina que se ocupa da produção, da distribuição e do consumo de riquezas, tenta determinar o que é valioso em um dado momento, estudando os valores relativos de trocas de bens e serviços”.
Para Sachs (2007, p. 298), estão incluídos no pilar econômico o “desenvolvimento econômico intersetorial equilibrado; a segurança alimentar; a capacidade de modernização contínua do aparato produtivo; o grau razoável de autonomia na pesquisa científica e tecnológica; inserção soberana na economia mundial”. Segundo o autor, a “sustentabilidade econômica deve ser viabilizada mediante alocação e gerenciamento mais eficientes dos recursos e de um fluxo constante dos investimentos públicos e privados” (2007, p. 181).
De acordo com Fonseca (2006, p. 5), o desenvolvimento econômico decorre do acúmulo de “meios de produção”, e os diversos fatores que corroboram para essa acumulação são:
infraestrutura de saneamento, comunicações, transportes, energia; fábricas, equipamentos e estruturas de produção agropecuária; escolas, bibliotecas e hospitais; conhecimento técnico e científico aplicado à produção; mão-de-obra com formação e treinamento adequados; empresas competitivas e mentalidade empresarial nos negócios; administração pública eficiente e voltada para o bem-estar da população; e relações sociais marcadas por harmonia e justiça.
Meneghetti (2004), ao definir economia, resgata seu sentido etimológico, a saber, oikos = ambiente, nomos = lei, regra; então “Economia significa a regra de máxima eficiência de um contexto” (2004, p.167). Isso significa que o conceito de economia não está limitado exclusivamente ao valor financeiro, mas, sim, a um princípio que ordena de forma eficiente o ambiente. Nesse sentido, relaciona-se a qualquer aspecto da relação entre indivíduo e sociedade. O autor continua afirmando que é “o quântico no interior de um sistema, tende a não ser exaurido, mas a renovar-se para eficiência e função. Por isso, posto este princípio, é necessário investimento imediatamente próximo à identificação utilitarística em progress” (2004, p. 167).
Dessas três elucidações conceituais e complementares, pode-se perceber que, no pilar econômico, os gestores apontam que um fator chave da sustentabilidade econômica é o reinvestimento no local: “investe o que tem” (entrevistado A1); “tudo o que se ganha, reinveste imediatamente” (entrevistado A2); “tudo o que se produz permanece no local” (entrevistado A2); “reinveste todo o excedente (lucro) gerado em suas atividades,este é o modo para seu crescimento/desenvolvimento” (entrevistado E1). Apesar de parecer lógico, nem sempre o reinvestimento é praticado. Para Meneghetti (2004), o reinvestimento está implícito na dinâmica econômica, “Econômico (...) não significa apenas que não pode permanecer em uma forma estática, mas também que deve ser imediatamente reinvestido em atualização de novidade de ser (MENEGHETTI, 2004, p. 167).
Fator relevante é que todos os entrevistados apontam que a sustentabilidade econômica do local também está relacionada ao incentivo de instalação de novas empresas no distrito. Na fala dos pesquisados, destacam-se as afirmações do entrevistado E4 “a construção de novas empresas no local deu espaço de trabalho a tantos moradores da região, o que possibilita produzir e movimentar economia”. O entrevistado EC3 acrescenta “a geração de renda desenvolve a região, pois incrementa o comércio local”.
Portanto, pode-se perceber que a iniciativa privada, através de seus investimentos e da conseqüente oferta de emprego, gera não apenas a sustentabilidade econômica local, mas também da região circunstante.
o desenvolvimento econômico consiste, fundamentalmente, em um processo de enriquecimento dos países e dos seus habitantes, ou seja, em uma acumulação de recursos econômicos, sejam eles ativos individuais ou e infraestrutura social, e também em um crescimento da população nacional e das remunerações obtidas pelos que participam da atividade econômica (FONSECA, 2006, p. 4).
O incentivo à abertura de novas empresas faz com que o local se autofinancie e crie uma independência econômica e política dos meios públicos. O entrevistado A1 observa que “Todas as iniciativas ou projetos são desenvolvidos e construídos com recursos privados, sem buscar financiamentos ou recursos públicos. Essas iniciativas visam ao crescimento econômico prioritariamente local, regional e estadual, através da valorização de mão de obra, serviços e matéria prima”. Observou-se, pelas declarações dos gestores, que tais empresas possuem posicionamento de crescimento autônomo sem os incentivos que são praticados, muitas vezes, pelo poder público, para a atração de novas empresas.
Pode-se inferir que a concepção das organizações remetem a sistemas abertos, por estarem em constante relação de interação com o meio em que se inserem. Assim, percebem que o crescimento do distrito pesquisado está relacionado diretamente ao crescimento econômico local, e vice-versa. Esse fator foi indicado, por alguns entrevistados, como “benéfico para todas as comunidades vizinhas” (entrevistado E2), “benefício socioeconômico para a região em que se insere” (entrevistado EC3) e “Desenvolvimento do nível de serviços das empresas e pessoas da região” (entrevistado EM2). O desenvolvimento da economia circunstante ao Distrito Recanto Maestro também foi verificado na contribuição de impostos ao município, conforme afirmaram os entrevistados E3, E5 e EC3.
A compreensão do pilar econômico, por parte dos gestores deste lugar, inclui os novos serviços oferecidos, exemplificados pela criação da primeira Faculdade da região, lavanderia, entre outros. “Conforme o Recanto Maestro se desenvolve, novas necessidades vão surgindo, de maneira mais acentuada, devido ao aumento da população permanente e também de pessoas que freqüentam o local. Isso oportuniza às pessoas que moram ali abrir novos negócios para atender à demanda, mas que, ao final, será benéfico para todas as comunidades vizinhas”, afirma o entrevistado E2.
Os entrevistados E3, EC3 e EM3 constatam ainda a formação das pessoas como princípio de incremento econômico. Pode-se perceber esse fator na citação de EM3: “gestão mais eficiente das pessoas, aliando qualificação de capacidade técnica e dotes naturais que geram satisfação nas pessoas e resultados superiores na realização dos bens e dos serviços aqui desenvolvidos”. A visão dos gestores denota que o próprio ser humano é o principal recurso econômico da organização.
O resultado econômico é entendido como um valor existencial, citado pelo entrevistado EM2: “seus impactos e resultados perpassarão por gerações, o que nos dá a possibilidade de deixar uma marca de valor na nossa existência. Existem muitos locais com premissas semelhantes, mas que perdem significativamente nessa questão. Queremos pertencer a alguma coisa maior que nós mesmos e que, ao mesmo tempo, também somos nós”. Muitos empresários, após alcançarem um determinado grau econômico, desejam investir em algo que tenha um valor para a evolução do ser humano e, no Recanto Maestro, esse valor é encontrado. A economia é um instrumento para promover o humanismo.