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2. A GRUTA DO ESCOURAL

2.2. A arte rupestre da gruta do Escoural

2.2.2. Pinturas

Fig. 33 e 34 – Equídeo pintado a vermelho (Foto. e decalque de M. Varela Gomes) – Localiza-se na parte do lado direito da sala 1, perto da atual entrada. Representando um equídeo, com a cabeça e o corpo de perfil, bastante alterado pelas escorrências de água. Apresenta a curvatura da mandíbula acusada, as crinas verticais fazendo ângulo com a testa, e as pernas figuradas em forma de V. a linha cérvico-dorsal é ondulada e a linha ventral convexa. Em redor existem potos e traços a negro e vermelho, bem como uma possível cabeça de quadrupede, de cor negra, também muito apagada. Atribui-se ao Solutrense Antigo.

Fig. 35 – Equídeo pintado a negro (fotografia de Manuel Ribeiro)

- Localiza-se na parede do lado direito do topo sul da sala 1, a cerca de 1,50 m do solo.

Pintura de cor negra e gravura filiforme, muito alterada devido à deposição de calcite.

Representação de metade inferior de quadrupede, possivelmente um equídeo, de perfil, voltado para o lado direito. Mostra a linha ventral convexa e os membros em forma de V nas proximidades existem ainda, restos de pintura da mesma cor e algumas incisões filiformes, contemporâneas ou ulteriores. Integra-se no Solutrense Antigo.

Fig. 36 – Painel com conjunto de pinturas (fotografia de Manuel Ribeiro)

- Localizam-se ao fundo da sala 1, na zona em que o teto é mais baixo e oblíquo, pinturas de cor negra e vermelha. Grande painel, contendo três conjuntos de pinturas.

Na parte superior, do lado esquerdo, encontra-se representada uma cabeça de equídeo, de perfile voltada para a esquerda. À direita desta figura, reconhece-se o perfil de quadrupede, provavelmente um bovídeo, voltado também para o lado esquerdo.

Mostra ventre bem saliente, e os membros em forma de V. a cabeça desapareceu devido às escorrências de água. Na parte inferior do painel, observa-se o segundo conjunto de figuras, interpretadas inicialmente como representações hibridas, meia humana meia animal. No entanto, pode corresponder à justaposição de três animais, duas cabeças de equídeo de perfil, encontrando-se a primeira na parte superior, voltada para a direita, e a segunda, na parte inferior, voltada para baixo, junto ao corpo de um provável quadrupede. As pinturas foram intercetadas por veios de calcite, aos quais se encontram associados diversos traços e pontos pintados de cor negra e vermelha.

Integram-se cronologicamente no Solutrense Antigo.

Fig. 37 – Conjunto de animais (fotografia com infravermelhos de M. Varela Gomes) - À entrada da galeria 1, na parede do lado direito, junto a um espesso cordão estalactítico. Figurações de cor negra e traços de cor vermelha. No sector inferior direito do painel, observa-se a cabeça e o arranque do auroque, figurado de perfile voltado para o lado direito. Apresenta o olho circular, a curva mandibular acusada e a extremidade do focinho descaída. Sobre a testa reconhece-se a armação.

À esquerda desta figura, sobrepondo-a parcialmente, representou-se a metade traseira do equídeo, figurado de perfil e voltado para o lado esquerdo. Mostra a perna em forma de V e cauda longa. Na parte superior do painel, deteta-se a parte dianteira de um terceiro quadrupede, possivelmente um caprino, pintado de perfil e voltado para o lado esquerdo. Apesar desta figura se encontrar muito deteriorada pela calcite, ainda é possível distinguir o arranque da cabeça, parte da armação e das linhas cérvico-dorsal e do peito. Reconhecem-se ainda, outros traços de cor vermelha e numerosas gravuras filiformes. Atribuído ao Solutrense Antigo.

Fig.38 e 39 – Cabeça de cavalo (fotografia e decalque de M. Varela Gomes) - Localiza-se na parede do lado esquerdo de divertículo situado ao fundo da galeria 1, próximo do chão. Pintura de cor negra, muito alterada devido à deposição de calcite.

Cabeça de equídeo representada de perfil e voltada para o lado direito. Apresenta a curva mandibular muito acusada e a extremidade do focinho ligeiramente pendente. As crinas figuradas numa sucessão de pequenos traços verticais, fazem ângulo agudo com a testa. A linha que delimita a parte superior do pescoço parece aproveitar uma fissura da parede. Sobre esta pintura e em seu redor, observam-se diversos traços incisos, filiformes, de época ulterior. Atribuído ao Solutrense Antigo.

Fig. 40 - Quadrúpedes (fotografia de M. Varela Gomes)

- Localizam-se em dois pequenos nichos situados no lado direito da galeria 2, à sua entrada, e perto do solo. As pinturas de cor negras, mas já bastante apagadas, de duas figuras de quadrúpedes, possivelmente caprinos, representados de perfil e voltados para o lado direito. As cabeças apresentam silhuetas sub-rectangulares e os pescoços são largos.

Sobrepõem-se a estas figuras alguns traços incisos, que são provavelmente anteriores. Em nicho situado a cota inferior observa-se a representação de cabeça de bovídeo, de perfil e voltada para o lado direito, com a armação ligeiramente perspetivada. A extremidade do focinho é ligeiramente descaída e a curva da mandibula acusada, conforme é próprio das imagens animalistas mais recuadas. Possivelmente pertence ao Solutrense Antigo.

Fig. 41 – Signos geométricos (Fotografia de Manuel Ribeiro)

- Enquadram-se num pequeno nicho da sala1, entre as galerias 1 e 2, a cerca de 1,10 m do solo atual. Trata-se de um conjunto de seis traços pintados de cor vermelha.

Encontram-se três traços paralelos dispostos na vertical (bastonetes?), e à esquerda destes três traços convergentes num ponto (signo vulvar?). Reconhecem-se em redor, pequenos pontos pintados nas cores negra e vermelha, assim como incisões filiformes.

Atribuído ao Solutrense Antigo.

Fig. 42 e 43 – Signos geométricos (fotografias de Manuel Ribeiro)

- Localizam-se no teto, à entrada do pequeno divertículo situado no lado direito e ao fundo da galeria 1, a cerca de 2 m do solo atual. São duas manchas de contorno subcircular, pintadas de cor vermelha. Trata-se de signos muito frequentes nos contextos da arte rupestre paleolítica, onde surgem pintados de cor vermelha ou negra, ou mesmo gravados. Encontram-se em todo o Paleolítico Superior, apesar de serem mais frequentes no Solutrense Antigo.

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