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2 O ARTISTA E O ATELIER COLETIVO

3.1 Pinturas

“Embora pintura seja ‘cosa mentale’, o cérebro está muito misturado com

as tripas, as pernas, os sentidos, o coração. Eu mordo cada canto do quadro

sem me importar com o resto [...]” José Cláudio

3.1.1 Moça no Atelier

1952. Óleo sobre Eucatex, 52 x 45 cm. Assinada e datada embaixo à esquerda:

“José Cláudio 52”, Recife. Acervo próprio. Fig. n.1.

A obra Moça no Atelier foi definida por José Cláudio, como a primeira obra de pintura realizada no período do Atelier Coletivo. A composição apresenta, no primeiro plano, uma figura feminina com um vestido branco sentada numa cadeira. Pela posição do seu corpo, parece estar posando para o artista. A perspectiva da composição faz com que nosso olhar se volte para o segundo plano, que traz parte de um cavalete num tom mais ‘esfumaçado’, e logo em seguida leva nosso olhar para a ‘moça’. Embora estejam definidos os componentes distribuidos na tela, eles parecem estar ‘soltos’ no espaço, envolvidos por uma mancha em tons de verde.

Em seus estudos, José Cláudio apresenta assimilações de diversos artistas e tendências. Esse trabalho traz relações com a obra de Vicente do Rego Monteiro, pela densidade e volume dos objetos definidos nos espaços, como se quisesse se desprender dos planos. Podemos também fazer referência ao artista francês Fernand Léger pela sua característica voltada para as tensões da paisagem industrial e da sociedade moderna. As cores, azul, verde e amarelo, identificadas, serviram para enfatizar formas e volumes.

Bibliografia:

ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTES VISUAIS. disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/.../index.cfm?...obras...>

José Cláudio da Silva, Memória do Atelier Coletivo. Recife 1952-1987. Recife: Artespaço: 1982.

3.1.2 Duas Camponesas de Azul

1953. Óleo sobre Tela, 1 m x 60 cm. Assinada e datada embaixo à direita:

“José Cláudio 53”, Recife. Acervo próprio. Fig. n.2.

A obra Duas Camponesas de Azul se encontra como a segunda produção em ordem cronológica. José Cláudio afirma que esse trabalho foi produzido antes de sua ida para a Bahia. Embora mais desgastada pela ação do tempo, percebe-se que, nesse trabalho, o artista apresenta uma maior demonstração de intimidade técnica que na obra anterior, decorrente dos seus exercícios. Segundo ele:

“[...] uma tela era utilizada várias vezes, uma pintura por cima de outra [...]”.

Isso se devia à carência de materiais no atelier. Essa composição apresenta, como o próprio título diz, duas figuras femininas em primeiro plano, que parecem idênticas, localizadas no centro da tela, chamando a nossa atenção para os vestidos de cor azul, para o volume de seus corpos e o movimento que elas ensaiam fazer. Ao redor, cores ora mais fortes, ora mais esfumaçadas compõem o segundo plano. Nesse trabalho, podemos fazer uma relação com a proposta cubista que ele teria tido por meio de Cândido Portinari, no que diz respeito, por exemplo, a técnica.

Bibliografia:

José Cláudio da Silva, Memória do Atelier Coletivo. Recife 1952-1987. Recife: Artespaço: 1982.

3.1.3 Amassando Barro

1953. Óleo sobre Tela, 79,1 x 60,3 cm. Assinada e datada embaixo à esquerda:

“José Cláudio da Silva 53”, Recife. Acervo próprio. Fig. n.3.

A obra Amassando Barro, conhecida também por Oleira, é outro exemplo desse período. Essa obra também foi produzida antes da ida do artista à Bahia. Podemos observar que aqui a figura humana se encontra no centro da tela, sempre em primeiro plano, levando o nosso olhar a captar o movimento proposto pela atividade do operário. Os braços e os pés são enfatizados.

Esse trabalho apresenta uma pigmentação de tons mais diluídos entre si, embora em determinadas partes as cores sejam mais puras. Os contornos são mais definidos e valorizam a volumetria do corpo e do espaço. Há uma apropriação do cubismo, também presente em Vicente de Rego Monteiro e em Cândido Portinari. A temática apresentada também faz relação com as obras de Cândido Portinari.

Bibliografia:

Aracy Amaral. Arte para quê? A preocupação social na arte brasileira, 1930-1970. 3ª Ed. – São Paulo: Studio Nobel, 2003.

ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTES VISUAIS. disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/.../index.cfm?...obras...>

José Cláudio da Silva, Memória do Atelier Coletivo. Recife 1952-1987. Recife: Artespaço: 1982.

3.1.4 Burro

1953. Óleo sobre Tela, 79,1 x 60,3 cm. Assinada e datada embaixo à direita:

“José Cláudio, Ipojuca 54”, Recife. Doado (irmã, Maria Lucia). Fig. n.4.

A quarta obra traz um burro – asno ou burro, também chamado jegue, jerico, como ponto central do quadro. Animal da família dos equinos, característico da região e muito utilizado pelo homem da zona rural nas suas atividades diárias. Podemos observar que o burro é representado na tela com a parte traseira voltada para o observador e sua cabeça levemente virada para o lado, como que se sentisse observado. A definição do corpo parece apresentar proporções coerentes com a realidade. Não vemos as patas dianteiras, no entanto, no contexto percebemos a ideia de um movimento sutil, como se estivesse cavalgando lentamente.

Entre as cores aplicadas, surgem manchas e tons de um marrom terroso. O amarelo, o vermelho e o verde aparecem diluindo-se nessas manchas, proporcionando uma leve movimentação. Aliadas à escolha das cores, as pinceladas apresentam uma gestualidade expressiva que nos faz retomar as obras dos artistas mexicanos Rivera, e Siqueiros.

Bibliografia:

José Cláudio da Silva, Memória do Atelier Coletivo. Recife 1952-1987. Recife: Artespaço: 1982.

3.1.5 Crime

1954. Óleo sobre Tela. Trabalho não assinado

Localização não identificada. Fig. n.5.

Segundo José Cláudio, essa obra foi escolhida para o 13º Salão de Pintura do Museu do Estado, em 1954, e foi premiada. No entanto, ele não se recorda mais de sua localização. Acreditamos que se perdeu com a cheia do Rio Capibaribe, no Recife, em 1975, que atingiu boa parte da cidade, invadiu residências, órgãos públicos e diversos outros estabelecimentos e destruiu inúmeros documentos e patrimônios.

Essa imagem, não muito boa, foi encontrada na Página da Arte, espaço midiático dirigido pela jornalista Ladjane Bandeira. Foi a única visualização que tivemos da obra.

Bibliografia:

Catálogo do Salão de Pintura. Museu do Estado de Pernambuco – MEPE, acervo. Pasta: José Cláudio.

Ladjane Bandeira, Página da Arte, 13º Salão de Pintura e Escultura do Estado. Recife, 1954.

3.1.6 Juvenal e o Dragão

1955. Óleo sobre Tela, 93 x 71 cm. Assinada e datada embaixo à esquerda: “Juvenal e o Dragão, José Cláudio, Bahia, jan. 55”.

Localização: Coleção Mirabeau Sampaio. Fig. n.6.

Essa obra foi doada a Maria Sampaio, filha de Mirabeau Sampaio e, segundo José Cláudio, deve estar com o irmão de Maria, Artur.

Obra com uma forte expressão e equilíbrio bem resolvidos entre as figuras representadas. Apesar do tamanho, o dragão, que está mais ao centro, divide a sua atenção com o homem que o esfaqueia pelo pescoço e um cachorro que o ataca. Todos parecem compor o primeiro plano do quadro. No segundo plano, uma paisagem que faz lembrar terra de barro com uma perspectiva meio fragmentada. Cores fortes e mais definidas, inspiradas, possivelmente, nas obras dos artistas mexicanos, fortalecem a intenção do tema como elemento visual predominante.

A imagem narra uma história entre um homem, que se chama Juvenal, e um dragão. Imagens bem fantasiosas realizadas com verossimilhança. Contar histórias também se tornou recurso estilístico naquele momento, focando a temática para uma compreensão maior por parte do povo. Uma educação pela arte.

Bibliografia:

José Cláudio da Silva, Memória do Atelier Coletivo. Recife 1952-1987. Recife: Artespaço: 1982.

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