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Piraju (SP): compreendendo uma pequena cidade

No documento PR Thiago Henrique Valerio Pereira (páginas 53-59)

3. PIRAJU: CONSTITUIÇÃO E PERMANÊNCIA DOS PERÍODOS DO CAFÉ

3.1 Piraju (SP): compreendendo uma pequena cidade

Para compreender a realidade urbana de Piraju (SP), buscamos analisar “as cidades paulistas”, ou seja, suas redes e as realidades no estado de São Paulo. O Estado apresenta fatos distintos um dos outros no que diz respeito à formação de suas cidades. Segundo o censo do IBGE (2010), por exemplo, o município de Borá apresentava uma população de 805 habitantes, a menor cidade brasileira, contudo, em contrapartida, no mesmo Estado o município de São Paulo, tinha uma população de 10.659.386 milhões de habitantes. São realidades distintas, entretanto, os dois municípios fazem parte da mesma rede urbana, São Paulo em nível de metrópole e Borá como uma pequena cidade interiorana.

O mapa 1, apresenta as variáveis populacionais nos municípios20 paulistas, de municípios com apenas 805 habitantes e até os com 10.659.386 milhões de habitantes, essa disparidade é perceptível por meio dos dados populacionais censitários realizado pelo IBGE no ano de 2010.

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Aqui em termos não distinguimos esse número populacional entre população rural e urbana, utilizamos parâmetros como o IBGE registra os números totais. Portanto, preferimos utilizar o termo município para comentar essa disparidade.

Nos municípios próximos a capital São Paulo (círculo vermelho), pode-se observar uma maior concentração populacional, são cidades dormitórios, cidades industriais e muita das mutações ocorrentes nestes municípios são reflexos do desenvolvimento econômico da cidade de São Paulo.

Outras áreas com cidades médias (círculo verde) são próximas ao município de Campinas (SP), e para o lado da região já com a divisa com o estado do Rio de Janeiro (Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista), foram onde originalmente se instalaram produção cafeeira no estado de São Paulo, nas regiões do vale do Paraíba e posteriormente nas áreas da estrada de ferro da Mogiana/Paulista que ligava a cidade de Campinas a capital paulista.

Podemos observar outros municípios de porte médio (círculo amarelo) no interior ao lado oeste do Estado, estes terão uma interface regional, entre eles diversos pequenos municípios com populações até 50 mil habitantes. Deste modo, a população paulista vai se concentrar na capital e nas áreas próximas.

Contudo, os pequenos municípios, não se tratando apenas do território urbano, terão atividades e singularidades diversas dos grandes centros, entretanto, os seus papéis e significados na rede urbana paulista são de grande importância. No nosso caso vamos especificar os processos que ocorreram e consolidaram a pequena cidade de Piraju (SP).

O município de Piraju está localizado na região de governo de Avaré no Estado de São Paulo, a oeste da capital paulista, mapa 2. Sua emancipação política21 ocorreu no dia 25 de abril de 1880 com o nome de São Sebastião do Tijuco Preto, até então freguesia pertencente ao município de São João Batista do Rio Verde, hoje Itaporanga. O nome atual do município foi dado na data do dia 6 de junho 1891, pelo decreto – lei estadual n. 200 com o nome de Piraju22. Ele está localizado às margens da Rodovia Raposo Tavares23 (SP 270) e fica a 90 km da Rodovia Presidente Castelo Branco24 (SP 280), que liga o interior a capital do Estado. Distância de 330 km da cidade de São Paulo e segundo o último censo possui uma população de 28.475 mil habitantes, sendo cerca de 87% residentes urbanos.

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Elevado à categoria de vila com a denominação de São Sebastião do Tijuco Preto, por Lei Provincial nº 111, de 25 de abril de 1880, desmembrado de Botucatu. Constituído do Distrito Sede. Sua instalação verificou-se no dia 10 de janeiro de 1881. (IBGE - Cidades)

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Derivada de Pira-yu “peixe amarelo” no tupi-guarani.

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Inicia-se no final da Rua Reação, no bairro do Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo e termina na divisa de estado com o Mato Grosso do Sul, no município de Presidente Epitácio. Inaugurado em 1937.

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Iniciando-se no acesso às vias marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, com término no entroncamento com a SP-225, em Santa Cruz do Rio Pardo. Inaugurado em 1968.

Ao pensar em pequena cidade e adotar esse critério para Piraju, demos ênfase à sua produção econômica que essencialmente é agrícola, quanto à relação rural-urbano, considerando as ruralidades expressadas no espaço urbano, como as demonstradas nas figuras 2 e 3, comuns na configuração de Piraju. Os espaços periurbanos são as áreas de transição rural-urbana correspondem em complexos laboratórios sociais resultantes dos processos urbanos cada vez mais intensos no período contemporâneo (NORONHA; HESPANHOL, 2008).

Figura 2 – Piraju: Área utilizada por pastagem no perímetro urbano. Fonte: Rita de Cássia Ferreira Silva, 2012.

Figura 3 - Piraju: cafeeiros no espaço urbano Fonte:Thiago Henrique Valério Pereira, 2012.

Nas figuras 2 e 3, visualizamos duas expressões do campo na cidade. Essas ruralidades são encontradas em diversos bairros da cidade, principalmente naqueles periféricos que fazem fronteira com o campo.

Na figura 2, podemos observar a área de pastagem utilizada próxima ao centro da cidade, essas áreas utilizadas para a pastagem de animais bovinos, equinos e caprinos, esses espaços são necessários para a criação desses animais na zona rural, pois boa parcela desses proprietários não tem áreas agrícolas e fazem uso desses animais para o sustento da alimentação (carne e derivados do leite), ou para transporte no caso dos equinos. Estes animais muitas vezes estão em áreas alugadas ou em terrenos abandonados que são apropriados para servir de pastagem. Já na figura 3 observamos pés de café na área central da cidade, um costume dos moradores em plantar, manejar, colher, secar, torrar e moer o seu próprio café, que é cultivado no quintal de suas casas. Essa prática está aliada principalmente a moradores que vieram da zona rural e que em algum momento de suas vidas já cultivaram café.

Em outras áreas também são encontradas ruralidades como: plantio de hortaliças, milho, mandioca e entre outras lavouras utilizadas para a alimentação. Outro fato que chama a atenção é deslocamento cotidiano de máquinas agrícolas, carroças e pessoas andando a cavalo, pela cidade. Deste modo, segundo Lefebvre (2008, p. 21) “o campo? Não é mais – não é nada mais – que a “circunvizinhança” da cidade, seu horizonte, seu limite”.

Essas expressões de ruralidades não podem ser compreendidas na mesma escala de análise como as que ocorrem nas cidades médias e grandes, nestes municípios a produção, por exemplo, de hortaliças, são próximas à área urbana ou muitas vezes são realizadas na própria cidade, pela necessidade de consumo imediato do produto (gênero perecível).

Uma cidade pequena com um comércio com procura local intensificada em alguns momentos, por demandas originadas de Tejupá, Timburi, Sarutaiá, Manduri, cidades ainda menores. As populações se deslocam atrás de serviços como o serviço bancário, médico e de ensino.

O tamanho populacional também justifica a nomenclatura de pequena cidade, pois a população não ultrapassa 30 mil habitantes. A relação da população urbana com o rural é muito próxima, pois todos os dias diversos ônibus saem da cidade em direção ao campo levando muitos trabalhadores que trabalham nas fazendas locais de café.

A seguir, analisaremos a relação próxima entre café e Piraju é o ponto no qual vamos nos debruçar para analisar a constituição e permanência como pequena cidade. Entendemos ser ainda a principal relação de Piraju, mesmo o café sendo exposto como uma atividade agrícola ultrapassada no município.

No documento PR Thiago Henrique Valerio Pereira (páginas 53-59)