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CAPÍTULO III – Brasil no PISA (2003-2018): o que dizer da área de Matemática

3.2 O PISA enquanto avaliação educacional

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) desenvolve, desde a sua primeira edição no ano de 2000, uma avaliação educacional em grande escala por

intermédio do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, com a participação de países membros e países no quais são deliberados acordos de colaboração para essa aplicação. O PISA é uma avaliação de ampla dimensão amostral, empregado cerca de 25 estudantes de 15 anos de idade em cada escola participante, com foco na disposição desses estudantes na sua faixa etária nos seus respectivos anos.

A participação do Brasil se dá, na conjuntura de país convidado, permeando um campo de afluência, em um espaço que abrange diferentes séries, tendo a existência de uma centralização no 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, bem como no 1º e 2º anos do Ensino Médio.

O propósito que se pretende alcançar com o PISA é gerar resultados que viabilizem um debate em prol da situação da qualidade da educação empregada nos países envolvidos, de modo a contribuir para a implementação de políticas de mudanças na educação. Busca investigar também de que maneira os estabelecimentos de ensino de cada país envolvido têm capacitado os seus estudantes para desempenhar funções no seu exercício de cidadão na sociedade moderna.

Ao levar o debate a respeito da temática do PISA, Serrão (2013, p. 8) enfatiza que essa avaliação

[...] fornece, assim informação sobre o ensino e permite a comparação do desempenho de estudantes de um número alargado de países. O PISA é a maior avaliação em larga escala que avalia conhecimentos e competências dos estudantes e a sua preparação par a participação futura em sociedade, fornece informação internacionalmente comparável com o desempenho dos estudantes, analisa a relação entre o desempenho dos estudantes e fatores escolares e características dos estudantes, analisa as alterações no desempenho ao longo do tempo e ajuda a orientar a política educativa.

A avaliação produzida pelo PISA, como já mencionado anteriormente, é realizada a cada três anos e compreende as esferas do conhecimento: Leitura, Matemática e Ciências. A cada publicação do programa, é dado destaque a uma dessas áreas. Sua última edição, que aconteceu há pouco tempo, ocorreu no ano de 2015, na qual o realce para avaliação se reteve no campo das Ciências, os desfechos dessa avaliação foram publicados em dezembro do ano de 2016, no site do Ministério da Educação (MEC)8.

No PISA, além do tratamento a respeito do desenvolvimento das habilidades e

competências dos estudantes nos campos dos conhecimentos mencionados anteriormente, também é realizada a aplicação de um questionário contextual com os estudantes com a finalidade de obter informações as características que dizem respeito as suas práticas habituais de estudos, seus incentivos e interesses, além de interrogações a respeito da natureza sociodemográfica e cultural. Esses questionários contextuais são modelados por questionários gerais, guiados para o ambiente escolar e para os estudantes envolvidos.

Conforme afirma o Inep (BRASIL,2016, p.19), em sua realização no ano de 2015, a aplicação de diversos questionários foi ofertada, com o propósito de obter dados em relação à proximidade com as tecnologias da informação por parte dos estudantes, à ocupação profissional dos estudantes e questionário para os docentes. Tais questionários são disponibilizados aos estudantes, professores, gestores de escolas, pais e encarregados da educação9, são obrigatórios a todos os países envolvidos. O quadro a seguir retrata as edições no PISA em suas respectivas edições com foco em cada área do conhecimento.

Quadro 13 –Instrumentos avaliados no Brasil com ênfase para destaque em cada edição

PISA 2000 2003 2006 2009 2012 2015 2018

Test es

Leitura Leitura Leitura Leitura Leitura Leitura Leitura

Matemática Matemática Matemática Matemática Matemática Matemática Matemática Ciências Ciências Ciências Ciências Ciências Ciências Ciências

Resolução colaborativ a de problemas Resolução colaborativ a de problemas Letramento financeiro Letramento financeiro Ques tioná rios Estudante- Geral Estudante- Geral Estudante- Geral Estudante- Geral Estudante- Geral Estudante- Geral Estudante- Geral

Escola Escola Escola Escola Escola Escola Escola

Estudante- Familiarida de com tecnologia Estudante- Familiarida de com tecnologia Professor Fonte: OCDE (2018).

O principal mérito que merece destaque no PISA é fazer com que os resultados estejam à disposição, para livre acesso, em uma fonte pública de informações de alcance internacional,

9 Indivíduo que participa, guia e acompanha o cotidiano escolar do estudante, sendo responsável por ele e

com referências a respeito do desenvolvimento cognitivo dos estudantes, sujeitos a serem interpretados com fatores contextuais elaborados com apoio nos questionários respondidos pelas escolas, pelas famílias e pelos estudantes que participam da avaliação (ZUCULA; JUNIOR; STRIBEL, 2018, p. 210).

Tendo como fundamento a estrutura como o PISA é delineado, conforme explanamos anteriormente, e a circunstância de contarmos com seis edições já ocorridas – O Brasil participou ativamente de todas as edições, sob a administração do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) –, abordaremos os remates das participações do Brasil nas edições de 2003, 2012 e 2015. A escolha por essas edições procedeu-se pela necessidade de discutir o desempenho dos estudantes brasileiros na área de Matemática, por compreender que nesse espaço temporal há a predominância de ricas informações para uma pesquisa aprofundada, de modo a investigar o desempenho intelectual dos estudantes brasileiros no letramento em Matemática.

Vale ressaltar que, embora na sua última edição em 2015 o foco tenha sido a área de Ciências, se verificou a existência de uma interpelação dos itens de Matemática, em que se observou a existência de questões de Matemática em situações de literacia financeira, em outras palavras, em situações que requeriam a utilização de competências e conhecimentos no âmbito da Matemática Financeira.

A temática a respeito do desempenho educacional de estudantes teve seu início com a divulgação do relatório de Coleman (COLEMAN et al., 1966, apud BROOKE; SOARES, 2008), que apontou em suas conclusões que as desigualdades inerentes à infraestrutura e utensílios entre os estabelecimentos de ensino, tal como a característica do seu corpo docente ou de seus currículos, o local onde está situado e até mesmo a estrutura socioeconômica dos espaços escolares não apresentavam razões para a ampla variação de desempenho dos estudantes de diferentes escolas, isto é, não tinha importância o ambiente em que esses alunos estudavam. De acordo com essa pesquisa, a causa fundamental motivadora para essa discrepância de desempenhos era a desigualdade socioeconômica individual enfrentada por cada estudante (BROOKE; SOARES, 2008).

Bonamino e Franco (1999, p. 108) afirmam que as agências multilaterais, tais como o Banco Mundial, e ambições com interesse empresarial estabeleceram espaços políticos de influência (contexto de influência de Ball) para a consolidação de políticas públicas educacionais que iniciou uma profunda transformação que “dá início a modificações intensas em variados campos, bem como as primazias educacionais, os modos de contribuição, o

currículo e a avaliação educacional”.

Nesse cenário, a avaliação da aprendizagem alcança objetivos nas políticas educacionais, e em algumas ocasiões, em países como Inglaterra e Brasil, o assunto engloba reflexões essenciais no que diz respeito ao desempenho e colaboração dos estabelecimentos de ensino, pois será mediante as decorrências dos desfechos nas avaliações escolares que o capital financeiro será estabelecido para cada estabelecimento de ensino.

Tendo de volta os argumentos trazidos por Ball em relação aos períodos de processo de políticas (BALL, 1994; MAINARDES; MARCONDES, 2009), em conformidade com o que foi exposto anteriormente, há uma quantidade imensa de fundamentos que, quando postos no exterior do que é admitido como “escolar” ou “educacional” de modo direto, apresentam o que Ball denomina de influências que se tornarão, de uma forma ou de outra, um vínculo aos métodos de elaboração de políticas educacionais, o que o autor dá o nome de contexto de influências.

Há ainda o cenário de produção de textos, em que as políticas educacionais, em qualquer dimensão, objetivam grande interesse e domínio por intermédio tanto quanto da elaboração de documentos oficiais, diretrizes e instruções diversas, quanto pelo debate em relação aos assuntos que determinada política resulta.

Outro componente integrante desse ciclo político é o contexto da prática, que abrange os surgimentos das políticas no cenário educacional, engloba aquilo que está fora do alcance ou que comprova o que tenta ser determinado em dois outros contextos. Em relação ao deslumbre de linearidade que possa ser ocasionado nas diligências de tornar fácil o entendimento sobre o ciclo de políticas.

Para a feitura deste capítulo, recorremos aos documentos nacionais a respeito da temática do PISA elaborados e divulgados pelo Inep e pesquisas acerca de políticas de avaliação educacional. A utilização de conhecimentos quantitativos delineou o entendimento ao desempenho cognitivo dos estudantes brasileiros e o nível de letramento de Matemática no PISA.

Na continuação, discorremos um breve debate em torno da temática dos elementos gerais das edições do PISA 2003, 2012 e 2015. Paralelamente, propõe-se uma argumentação consoante ao conceito de letramento matemático abordado no PISA, procurando dialogar com investigações que nortearam o presente estudo, analisando suas repercussões.