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Planícies e tabuleiros costeiros semiáridos

Marco Túlio Mendonça Diniz Antônia Vilaneide Lopes Costa de Oliveira

COMPARTIMENTAÇÃO DA PAISAGEM DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

4. REGIÕES NATURAIS DO RIO GRANDE DO NORTE

4.2. Planícies e tabuleiros costeiros semiáridos

A região natural das Planícies e Tabuleiros costeiros (Figura 11) abarca todo o litoral setentrional do estado do Rio Grande do Norte e as planícies dos principais rios do semiárido potiguar, ocupando uma área de aproximadamente 4.808,02 km2.

De modo geral, essa região apresenta paisagens típicas do litoral do Nordeste, ao mesmo tempo, apresenta singularidades no RN, onde a vegetação de Caatinga se faz presente a alguns metros do oceano, na qual as praias são pouco alteradas se comparado ao litoral leste, apresentando extensas áreas de zona de estirâncio, seguida de pós-praia onde o sertão parece se encontrar com mar, formando paisagens exclusivas deste estado.

Nesse litoral, o clima semiárido com altas temperaturas, que levam a altas taxas de evaporação, associadas à baixa pluviosidade, forma o cenário natural perfeito para produção salineira. Assim, o litoral setentrional do RN concentra as maiores produções de sal marinho do Brasil, principalmente no município de Macau, onde os principais indicadores, tais como, fatores climáticos e, principalmente, a forma côncava da linha de costa, apontam para um maior potencial para a produção de sal marinho da região (DINIZ; VASCONCELOS, 2016). Municípios como Grossos e Areia Branca também se destacam com essa atividade.

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Ademais, outras características naturais, tais como, maiores taxas de salinidade, maior confinamento de águas salgadas, menor declividade, maior impermeabilidade dos solos e ventos constantes (DINIZ; VASCONCELOS, 2017), são importantes para explicar o potencial salineiro nessa região. Por essas características, a região do litoral setentrional do Rio Grande do Norte também é conhecida como região da Costa Branca.

Essas áreas onde se concentram as melhores condições naturais para produção de sal no Rio Grande do Norte foram chamadas por Ab’Saber (1977) de Salões. O autor às descreve como “áreas de várzeas salinas, onde os teores relativamente altos de sais impediram completamente a penetração das caatingas e dos carnaubaís-galerias, favorecendo apenas a instalação de vegetação rasteira halófila” (AB’SABER, 1977, p. 07), ou seja, adaptada a ambientes salinos. São conhecidas também como áreas de apicuns ou planícies hipersalinas, adjacentes ao manguezal que só ocorre bem próximos aos cursos d’água estuarina.

Além do sal, outras atividades se destacam na economia dessa região e têm fortes ligações com as condições naturais do ambiente, como exemplo a carcinicultura. Municípios como Macau, Pendências, Carnaubais e Alto do Rodrigues são referências nessa atividade, todos eles inseridos na área de influência do Rio Piranhas-Açu, seja no baixo curso ou na extensa planície flúvio-marinha do delta do Piranhas-Açu.

Igualmente relevante, as atividades relacionadas à fruticultura irrigada também se destacam. Essa atividade acontece nas planícies e tabuleiros próximos aos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu, nos trechos perenizados ou barrados pelas barragens de Santa Cruz e Armando Ribeiro Gonçalves. A fruticultura nessas áreas é altamente tecnificada e se desenvolve em solos do tipo Neossolo Flúvico, originalmente vegetado por mata ciliar, principalmente a Carnaúba (Copernicia prunifera), ainda encontrada nas planícies semiáridas do Rio Grande do Norte.

Outra atividade econômica dessa região natural é a petrolífera. As rochas sedimentares da Bacia Potiguar abrangem a quase totalidade da Região natural das planícies e tabuleiros costeiros semiáridos, com exceção das planícies fluviais dos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu, que estão, em parte, em base cristalina recoberta por depósitos aluvionares formados pela deposição de sedimentos dos próprios rios.

A Bacia Potiguar abrange o litoral setentrional do Rio Grande do Norte e parte do litoral do estado do Ceará. A referida bacia está entre as maiores produtoras de petróleo onshore (em terra) do Brasil. No Rio Grande do Norte destacam- se o campo de Guamaré, Serraria (em Macau), entre outros. Os reservatórios ocorrem nas Formações Pendência, Alagamar, Açu, Jandaíra, Barreiras e depósitos fluviais recentes.

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Figura 11: Abrangência das Planícies e tabuleiros costeiros semiáridos no Rio Grande do Norte

Fonte: Autores, 2019.

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Por fim, a atividade turística também se destaca na região, embora a importância econômica das outras atividades citadas seja maior.

Na Região natural das planícies e tabuleiros costeiros semiáridos é possível perceber que as atividades econômicas relevantes para região, estão fortemente relacionadas com seus aspectos físicos-naturais. Em síntese, são terrenos sedimentares, de clima semiárido com muita diversidade no seu interior.

Nas desembocaduras dos rios, formam-se as áreas estuarinas, locais de grande biodiversidade, onde o encontro da água doce com água salgada propícia a formação de manguezais que apresentam variações nas espécies de mangue. Nas margens dos rios está presente a mata ciliar e nas planícies hipersalinas e áreas de dunas das planícies costeiras encontram-se vegetações herbáceas, rasteiras.

Quanto as áreas para conservação nessa região, destaca-se a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão (RDS), localizada na praia de Diogo Lopes, entre os Municípios de Macau e Guamaré. Além dessa, outra área de proteção de grande relevância é a Área de Proteção Ambiental das Dunas do Rosado, um lugar de paisagens singulares, composta por extensos campos de dunas de coloração avermelhada ou rosada, localizada entre os municípios de Porto do Mangue e Areia Branca. Essa coloração se dá pela mistura dos sedimentos advindos das falésias com as areias esbranquiçadas das dunas da região.