• Nenhum resultado encontrado

4. ENQUADRAMENTO OPERACIONAL

4.1 Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem

4.1.2 Planeamento do Processo de Ensino-aprendizagem

4.1.2.1. Planeamento Anual

No início dos anos letivos, os professores questionam-se sobre quais os conteúdos a ensinar aos seus alunos, definindo prioridades e classificando-os por ordem de importância. Arends (2008) considera que a elaboração do plano anual é de extrema importância, pois para incluir os tópicos desejados é exigido ao professor que se questione sobre o que é realmente importante ensinar, que tome decisões acerca das prioridades e que tenha atenção às horas de ensino. De acordo com Bento (2003), “as características, as leis, princípios e a essência do ensino não admitem a ideia de planear isoladamente as ações pedagógicas, de aula para aula, de partir e fragmentar processos de formação (…) no ensino trata-se de traçar e realizar um plano global, integral e realista da intervenção educativa para um período lato de tempo”. O mesmo autor defende que “...os detalhes e demais medidas didático-metodológicas são reservados para os planos das unidades temáticas ou didáticas e para o projeto de cada aula, porém, numa sequência lógica que aqui tem o seu início”. Na terceira reunião do núcleo de estágio, eu e os meus colegas de estágio, dedicamo-nos, juntamente com a professora cooperante, a analisar o calendário letivo 2016/2017. Esta análise teve como principal propósito contar o número total de aulas que iriamos lecionar em cada um dos períodos, de modo a saber qual a distribuição da carga horária pelas diferentes modalidades, modalidades essas que ainda eram uma incógnita, uma vez que os alunos ainda iriam ter a sua quota-parte de decisão. Quota-parte esta pois o contexto,

ou seja, o roulement de instalações e o material disponível teria de ser, também, contabilizado.

Na reunião do grupo disciplinar de Educação Física, no dia 9 de Setembro, foi-nos fornecido o roulement, criado pelo professor responsável pelas instalações de EF. Após a visualização do roulement, algumas peças deste puzzle começaram a fazer sentido. No primeiro período, na sexta-feira, o roulement continha o 11ºD na sala de expressões, logo ginástica ou dança seriam as duas possíveis modalidades. Caso os alunos escolhessem o atletismo em detrimento da ginástica, dança seria obrigatoriamente a modalidade lecionada no primeiro período às sextas-feiras. No segundo período, na sexta-feira, o roulement situava o 11ºD na piscina, pelo que seria lecionada a modalidade de natação no segundo período. Por outro lado, percebi que este planeamento não seria nada fácil de construir, uma vez que teria de ter em conta os espaços, as suas rotações e as condições meteorológicas, pois o roulement colocou-me no E4 (campo sintético no exterior da escola, ao ar livre) todas as quartas-feiras durante o segundo período. Restava esperar pela primeira aula do 11ºD para que toda esta questão ficasse resolvida.

Como já estava planeado, na primeira aula deste ano letivo, dia 14 de Setembro, foi entregue a cada aluno um papel em que tinham de escolher: 2 jogos desportivos coletivos, ginástica ou atletismo e 1 modalidade alternativa, pois dança era obrigatório e natação seria lecionada devido ao roulement de espaços. Imediatamente a seguir ao final da aula, contabilizei os votos. Os 2 jogos desportivos coletivos escolhidos foram basquetebol e futebol; a ginástica foi selecionada em vez do atletismo; o badminton foi a modalidade coletiva alternativa eleita. Após esta decisão, tudo ficou simplificado. Primeiro período, tinha disponível 1/3 do pavilhão e a sala de expressões (como já em cima referido). Como cada terço do pavilhão possui 2 tabelas de Basquetebol e respetivas linha de jogo, escolhi lecionar Basquetebol no primeiro período. A sala de expressões seria utilizada para lecionar ginástica. Segundo período, natação e futebol, pois tinha o campo sintético exterior disponível no roulement. Terceiro período, dança e badminton, devido a possuir 1/3 do pavilhão disponível tanto na quarta como na sexta-feira. A escola tem disponível uma

38

aparelhagem portátil e, por outro lado, cada terço do pavilhão possui objetos para a colocação da rede de badminton, pelo que a lecionação das duas modalidades seria, assim, possível em qualquer parte do pavilhão.

Sendo assim, após verificação de feriados, visitas de estudo e atividades do grupo de Educação Física, o primeiro período foi constituído, para além da bateria de testes Fitnessgram e de algumas avaliações diagnósticas, por 10 aulas de basquetebol e 11 aulas de Ginástica. O segundo período foi contemplado com 11 aulas de natação e 12 aulas de futebol e o do terceiro período fizeram parte 7 aulas de dança e 6 de badminton. Cada aula tem a duração de 90 minutos.

Apesar de me sentir bastante à vontade com a modalidade de badminton, gostava de lecionar outro tipo de modalidade alternativa. Nas escolas que frequentei enquanto aluno, nos diversos anos, a modalidade alternativa mais escolhida era o badminton, salvo uma exceção em que tive a oportunidade de exercitar o tag rugby. Os próprios professores tentam manter-se à margem da sua zona de desconforto, pelo que, na maioria das escolas, o badminton é sempre a primeira opção. A Educação Física está aberta à constante inovação e cabe-nos a nós professores estimular essa abertura a novas modalidades e metodologias, de modo a que o currículo não se torne repetitivo ao longo dos anos. Seria uma grande aventura para mim, por exemplo, lecionar jogos populares ou mesmo orientação. São modalidades que não domino, tanto pela falta de vivências como pela falta de conhecimentos. Teria que me dedicar e percorrer a literatura disponível para ser capaz de transmitir aos alunos todos os conteúdos referentes a estas matérias. Defendo que o “saber” não ocupa espaço e quanto mais soubermos, mais possibilidades temos de alcançar vitórias no nosso quotidiano.