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Planeamento anual – um confronto inicial com as nossas conceções

4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL

4.1. Conceção e planeamento do processo ensino-aprendizagem

4.1.1. Planeamento anual – um confronto inicial com as nossas conceções

Como refere Bento (1987, p. 16), “uma melhor qualidade do ensino pressupõe um nível mais elevado do seu planeamento e preparação”. Este ato de planear deve ser ponderado e ter em consideração os vários fatores que condicionam a prática pedagógica, nomeadamente o programa nacional de EF, o projeto educativo de escola, o PAA, a distribuição dos espaços (roulement) e os materiais disponíveis, bem como as características da própria turma.

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Segundo Bento (2003), o planeamento é um plano de perspetiva global, em que se procura situar e realizar o programa de ensino no espaço de aula, junto dos alunos e professor. Este processo constante consiste na seleção e ordenamento dos objetivos e dos conteúdos programáticos, tendo em atenção as condições locais e temporais.

Numa primeira fase do planeamento (anual), foi indispensável, compreender a adaptação realizada pelo grupo de EF da Escola ao programa nacional de EF, através do projeto educativo de escola. Pois, devemos entender que, “Os programas de EF surgem como um guia para a ação do professor, tendo sempre como principal objetivo o desenvolvimento completo do aluno. No entanto, deverá ser refletido e ajustado conforme as caraterísticas e realidade escolar, pois cada escola tem as suas particularidades e cada turma é única.” (Planeamento anual, p.4)

Relativamente ao número de modalidades a lecionar no 9º ano de escolaridade, ao analisar o projeto educativo de escola percebemos algumas diferenças, comparativamente a programa nacional de EF: “O explanado a nível nacional passa por lecionar duas matérias relativas aos jogos desportivos coletivos, mas a escola optou por quatro (voleibol, andebol, basquetebol e futebol); duas relativas à ginástica, mas foram lecionadas três (ginástica de aparelhos, acrobática e rítmica); mais oito de atletismo, embora apenas tenham sido lecionadas cinco (corrida de velocidade, de resistência, de barreiras, lançamento do peso e triplo salto) e, por último, mais duas optativas (eg. raquetes, dança ou patinagem, que não foram lecionadas.” (Planeamento anual, p.5)

Já o número de aulas dedicadas a cada modalidade, estava diretamente relacionado com o roulement4 da escola, visto que cada espaço contém características específicas que se adequam a cada modalidade (Planeamento anual, p.9).

“Seguindo esta lógica, no espaço da pista a modalidade que mais se adequa é o atletismo. Deste modo, tanto a corrida de velocidade, como o triplo salto, corrida de barreiras e lançamento do peso serão lecionados no referido

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espaço. Relativamente ao campo exterior, optei por aproveitar o espaço amplo com balizas e tabelas para lecionar as modalidades de andebol e basquetebol. O pavilhão coberto, que apenas contém as linhas do campo de voleibol e de badminton, é, na minha opinião, o local ideal para lecionar as matérias de voleibol e de ginástica. Por último, fazendo referência às instalações cedidas pelo Estádio do Bessa, decidi lecionar a modalidade de futebol e ginástica, quando me for atribuído o espaço exterior e interior, respetivamente.“ (Planeamento anual, p.9)

Outro aspeto que, na minha perspetiva, deve ser tido em conta, aquando da execução do planeamento anual, concretamente na distribuição do número de aulas pelas modalidades, é o facto de permitir aos alunos um contacto equilibrado frente as diferentes modalidades (coletivas e individuais), a fim de proporcionar tempo suficiente de prática para a aquisição dos conhecimentos (Planeamento anual, p.9 e 10).

“Neste sentido, considero que para uma aprendizagem equitativa e equilibrada entre as modalidades desportivas coletivas e as individuais, será necessário dedicar mais sessões às primeiras, visto que está implícita uma abordagem técnica a par da tática. Esta abordagem requer, na minha opinião, maior tempo de exercitação, pois o empenhamento motor efetivo é menor nas modalidades desportivas coletivas, comparativamente com as individuais. Assim sendo, condicionada pelo roulement, optei por planear 11 aulas para voleibol, 11 para andebol, 6 para basquetebol, 10 para futebol, 7 para a ginástica rítmica desportiva, 5 para acrobática, 7 para minitrampolim e 31 para as várias modalidades de atletismo. Neste último, objetiva-se a corrida de velocidade, resistência e melhoria das capacidades condicionais dos alunos (oferecendo bases de sustentação para o restante ano letivo), assim como 4 aulas para a corrida de barreiras, 6 para o tripo-salto e 4 ao lançamento do peso.” (Planeamento anual, p.9 e 10)

Importa referir que, no entanto, esta conceção nem sempre pode ser colocada em prática devido às indicações do projeto educativo de escola.

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Outra questão que condicionou a distribuição das modalidades pelo número de aulas foi a má interpretação do PEE. Isto é, ao analisar os documentos da escola, deduzimos que tínhamos que respeitar as modalidades a lecionar em cada período e só a meio do segundo período, percebemos que havia a possibilidade de não cumprir com aqueles registos.

Assim, a modalidade de corrida de velocidade teve grande foco no 1º período, com 14 aulas de 50 minutos. Esta experiência tornou-se bastante maçadora quer para mim, quer para os alunos, pois foi uma UD muito longa que, embora tivesse potenciado os níveis de desempenho dos alunos, exigiu um grande esforço e capacidade criativa da minha parte, por forma a criar situações de aprendizagem distintas e motivadoras. Esta foi desde logo uma grande dificuldade para mim, até porque o espaço da pista não proporciona condições ideais de trabalho:

“A aula de hoje ficou marcada pela demasiada agitação dos alunos, o que levou à falta de empenho, rigor e, em alguns casos, falta de respeito. Refletindo sobre o sucedido, tenho a perceção de que é muito difícil manter os alunos motivados e disciplinados durante 100’, no espaço de pista e direcionando o ensino apenas para a modalidade de atletismo.“ (Reflexão da aula nº 7 e 8, Semana 3)

De facto, o número de aulas dedicadas ao atletismo foi exagerado visto que os conteúdos exercitados se tornavam repetitivos para os alunos. Iniciei o meu ano de EP sempre no espaço da pista e senti uma diferença enorme com a alteração do espaço para o campo exterior. Aqui, era muito mais simples a supervisão de todos os alunos em simultâneo, permitindo um maior controlo e organização das aulas.

Concomitantemente, com a ponderação do número de aulas destinado a cada modalidade, importa também referir a importância da lecionação concentrada dos conteúdos de cada modalidade (distribuição das aulas):

“Optei por planear uma lecionação concentrada de cada modalidade, sempre que possível, considerando que esta permitirá aos alunos uma aquisição mais sólida dos conteúdos, na medida em que haverá uma prática

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regular de todos eles. Caso optasse por uma prática distanciada, acredito que fomentaria o esquecimento entre cada sessão, obrigando assim à repetição sistemática das matérias.” (Planeamento anual, p.10)

No entanto, esta decisão não se verificou na modalidade de basquetebol, na qual dispus de cinco aulas de 50 minutos e uma aula de 100 minutos, distribuídas pelos 2º e 3º períodos, durante seis semanas. Esta foi, sem dúvida, uma experiência diferente que veio confirmar a ideia que, inicialmente, defendia sobre o ensino distanciado. Nestas condições, penso que o processo de ensino-aprendizagem não se revela eficaz, pelo facto de que 50 minutos de aula numa semana não serem suficientes para a aquisição dos conteúdos. Na realidade, os alunos precisam de tempo de exercitação e de uma prática regular para que os conteúdos sejam interiorizados. Mais acrescento que, por não existir contacto frequente com a modalidade, este fator conduz ao esquecimento das componentes críticas importantes das habilidades motoras e muita falta de exercitação.

Neste contexto, torna-se imprescindível a constante revisão dos conteúdos de aula para aula, não existindo tempo para a evolução da matéria.

“Outro aspeto a realçar, foi a participação ativa e empenhada dos alunos dispensados. Neste sentido, conferi-lhes responsabilidade para a correção dos gestos técnicos solicitados aos colegas, baseando os seus feedbacks na minha instrução. Refletindo sobre esta estratégia, considero que é uma boa forma de integração de todos os alunos, tornando-se uma mais-valia para o processo ensino-aprendizagem e para o cumprimento das tarefas da aula, exigindo sempre o domínio da modalidade. Assim, ao terem a responsabilidade de corrigir, desenvolvem a capacidade de observar, refletir sobre o observado, pensar no movimento correto e transmitir a informação adequada à situação.” (Reflexão da aula nº 29 e 30, Semana 11)

Em suma, toda a diversidade e especificidade dos espaços, dos materiais e das modalidades requerem um conhecimento bastante aprofundado de cada matéria. Além disso, para lecionar determinada

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modalidade é crucial conhecer o nível da turma, como e quando devemos lecionar e avaliar os conteúdos, tendo em conta os espaços e materiais para a organização das aulas. É, neste sentido, que surge a necessidade de elaborar a UD de cada modalidade, como forma de estruturar e especificar melhor todo o processo de ensino da modalidade.

A UD permitiu a organização das aulas para cada modalidade lecionada, tendo sempre consciência das possíveis alterações, devido a retificações do roulement da escola, do PAA, de possíveis greves dos agentes da comunidade escolar, das respostas dos alunos e das condições climatéricas.