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5. Resultados e Discussão

5.4. Planeamento de atividades e Gestão da produtividade

Na elaboração do plano anual de atividades, foi feita uma calendarização de todas as atividades realizadas na vinha da Quinta do Murças, e uma avaliação dos índices de produtividade que contribuem para uma melhor rentabilização e gestão dos recursos. Este trabalho de planeamento e gestão da produtividade, vai permitir iniciar estratégias que a médio-curto prazo possam melhorar a produtividade.

De seguida, é apresentada uma calendarização (Tabela 5) de todas as atividades realizadas nas vinhas da Quinta dos Murças. Nesta calendarização definida pela Quinta dos Murças, está representado a azul escuro os meses em que essas atividades são efetivamente realizadas e, a azul mais claro o período pelo qual se deve continuar a fazer o controlo dessas atividades.

Tabela 5 - Calendarização das atividades a realizar na vinha

Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out

Mulching Escarificação Sementeira Contagem de falhas Análise de Terra Cortar bravos Poda Lenha poda Triturar Vides Postes | Aramação Despedrega Retrancha Adubação Escava Colocar Difusores Colocação de tutores Empa 1/Atar 1 Empa 2/Atar 2 Empa 3/Atar 3 Poda em verde 1 Poda em verde 2 Controlo de infestantes (Roçadora)

Capinar Corte Sementeira Manutenção (Rega VN) 1º Tratamento Fitossanitário 2º Tratamento Fitossanitário 3º Tratamento Fitossanitário 4º Tratamento Fitossanitário 5º Tratamento Fitossanitário Limpar taludes Análises Foliares Vindima

Calendarização de atividades realizadas na vinha Meses do ano Atividades realizadas

Durante o ciclo vegetativo da videira, entre os diversos trabalhos realizados na vinha, na sua maioria trabalhos manuais como a poda, a poda em verde, a empa/atar, entre outras, assumem uma grande importância no equilíbrio e longevidade das videiras assim como no processo de maturação das uvas. Além disso, os tratamentos fitossanitários preventivos claramente assumem uma grande importância no combate contra doenças e pragas. Como podemos verificar neste ano vitícola (2017/2018), a Quinta dos Murças efetuou cinco tratamentos fitossanitários. Todos estes tratamentos devem-se ao facto de ter sido um ano atípico, no sentido em que ocorreram muitos dias de calor seguidos de dias de chuva, criando condições favoráveis para aparecimento de míldio e oídio, assim como para o desenvolvimento de infestantes.

Para além, da elaboração de uma calendarização das atividades realizadas na vinha, também foi feito uma análise dos tempos gastos em cada atividade, para o ano 2016/2017 e 2017/2018, de forma a definir um padrão (índices de produtividade). Estes índices de produtividade dizem respeito às horas/ha necessárias para realizar uma determinada atividade num determinado talhão. Desta forma, verificou-se que o tempo gasto em cada atividade vai depender da inclinação do terreno, do índice de pedrogosidade, do vigor da planta, entre outros fatores, o que vai, posteriormente, permitir definir um padrão para cada atividade. O planeamento de atividades agrícolas, vai permitir o cumprimento do timing das operações no momento adequado, e assim, possibilitar um melhor controlo sobre a cultura da vinha, das pragas, doenças e infestantes.

Da análise do ano vitícola 2016/2017, conclui-se que foram necessárias menos horas/ha para realizar as atividades nas vinhas velhas (total de 334 horas/ha) (Figura 28) do que nas vinhas novas (total de 423 horas/ha) (Figura 29), o que se pode dever ao facto de nas vinhas novas serem realizadas mais atividades, como o mulching, escarificação, sementeira, contagem de falhas, corte sementeira, retrancha, manutenção (Rega VN), capinar e limpar taludes, que não são desenvolvidas nas vinhas velhas. Estes resutlados também indicam que em atividades como a despedrega, poda em verde, escava e adubação, foram significativamente necessárias mais horas/ha nas vinhas novas do que nas vinhas velhas. No caso da despedrega, esta diferença deve- se ao facto de nas vinhas velhas existir muita pedra logo fazer uma despedrega acaba por se tornar inviável. Na poda em verde, esta discrepância deve-se às videiras serem mais vigorosas nas vinhas novas do que nas vinhas velhas. Relativamente à adubação, esta não foi realizada nas vinhas velhas assim como a escava. Contudo, no caso da vindima foram necessárias mais horas para as vinhas velhas do que para as vinhas novas, devido à inclinação do terreno que torna a vindima mais árdua. Além disso,

conclui-se que as operações como a poda e a vindima, são as que demoram mais tempo tanto nas vinhas novas como nas vinhas velhas.

Figura 28– Representação das horas/ha necessárias para realizar cada atividade nas vinhas velhas no ano vitícola de 2016/2017

Figura 29 – Representação das horas/ha necessárias para realizar cada atividade nas vinhas novas no ano vitícola de 2016/2017

Comparando o ano vitícola 2017/2018, verifica-se, também, que foram necessárias menos horas/ha para a realização de todas as atividades nas vinhas velhas (total de 398 horas/ha) (Figura 30) do que nas velhas novas (total de 523 horas/ha) (Figura 31), exatamente pelas mesmas razões já acima mencionadas para o ano 2016/2017. Como já referido anteriormente, a despedrega e a escava torna-se inviável nas vinhas velhas, e as videiras tem mais vigor nas vinhas novas daí as diferenças no tempo dispensado para a poda em verde. Por outro lado, atividades como os

tratamentos fitossanitários e a vindima, apesar de pouco significativas as diferenças, necessitaram de mais horas/ha nas vinhas velhas, uma vez que se trata de vinhas ao alto, no geral não mecanizadas e com pulverização que deve ser feita manualmente, o que dificulta o trabalho demorando mais tempo.

Figura 30- Representação das horas/ha necessárias para realizar cada atividade nas vinhas velhas no ano vitícola de 2017/2018

Figura 31 - Representação das horas/ha necessárias para realizar cada atividade nas vinhas novas no ano vitícola de 2017/2018

Depois de todo este trabalho desenvolvido, se aliarmos a calendarização aos índices de produtividade obtidos, é possivel determinar o número de pessoas necessárias por mês para realizarmos as atividades previstas na calendarização. Tendo em conta, que cada atividade demorava no mínimo um mês a ser realizada, através do número de horas/ha para realizar cada atividade, foi possível obter o número de pessoas necessárias para

concluir as atividades atempadamente. Na tabela 6 os números inseridos no blocos azuis correspondem ao número de pessoas necessárias para realizar a atividade num mês. Pela análise verifica-se que no mês de Novembro foram necessárias cinco pessoas para realizar todas as atividades previstas para aquele mês. Por outro lado, o mês de Maio foi o mês em que foram necessárias mais pessoas (24 pessoas), para realizar todas as atividades. Já no mês de Agosto e Outubro temos indicação de que não foram necessárias pessoas, devido ao facto de não terem sido realizadas quaisquer atividades inerentes à vinha nesses meses, no entanto, foram realizadas outras atividades relativas à adega e ao enoturismo que não constam nos cálculos.

Com este planeamento, é possível prever o número de pessoas necessárias para realizar cada atividade num mês, o que vai permitir uma melhor gestão do pessoal. Desta forma, já é possível saber o número de pessoas que é necessário contratar em determinado mês para realizar as atividades. A Quinta dos Murças, tem uma média de cinco pessoas permanentes para efetuar as atividades, pelo que apenas no mês de Novembro, Agosto e Outubro é que não necessita de contratar pessoal externo. Assim, o próximo objetivo da quinta será ter o dobro dos funcionários permanentes, de forma a reduzir os custos de contratação. Com esta ferramenta, que se vai tornando cada vez mais robusta, ano após ano, também é possível determinar se o ano vitícola foi mais ou menos produtivo. E uma menor produtividade, pode dever-se a vários fatores como: as condições climáticas, equipa menos eficiente, condições do solo, entre outras.

Tabela 6 – Planeamento anual da atividades realizadas na vinha, com indicação do número de pessoas necessárias para efetuar os trabalhos agrícolas

Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out

Mulching 1 1 Escarificação 1 1 Sementeira 1 1 Contagem de falhas 1 1 Análise de Terra 1 1 Cortar bravos 2 2 4 Poda 10 10 20 Lenha poda 5 5 10 Triturar Vides 2 2 4 Postes | Aramação 2 2 4 Despedrega 3 3 Retrancha 2 2 Adubação 2 2 Escava 2 2 2 2 2 2 12 Colocar Difusores 2 2 Colocação de tutores 1 1 Empa 1/Atar 1 3 3 3 9 Empa 2/Atar 2 2 2 2 6 Empa 3/Atar 3 2 2 2 6 Poda em verde 1 2 2 4 Poda em verde 2 2 2

Controlo de infestantes (Roçadora) 3 3 3 3 3 15

Capinar 1 1 1 1 4 Corte Sementeira 1 1 Manutenção (Rega VN) 1 1 2 1º Tratamento Fitossanitário 3 3 2º Tratamento Fitossanitário 2 2 2 2 8 3º Tratamento Fitossanitário 2 2 2 2 8 4º Tratamento Fitossanitário 2 2 2 6 5º Tratamento Fitossanitário 1 1 1 3 Limpar taludes 1 1 1 3 Análises Foliares 2 2 Vindima 18 18

Nº total pessoas necessárias/mês 5 10 20 21 15 23 24 20 13 0 18 0 Calendarização de atividades realizadas na vinha

Por fim, fazendo uma comparação entre os dois anos vitícolas, verifica-se que entre as vinhas velhas e vinhas novas, foi necessário um maior número de horas/ha para o controlo de infestantes com roçadora, no ano de 2017/2018 do que no ano 2016/2017, isto porque o ano de 2016/2017 foi mais seco, e este ano criaram-se condições climáticas mais propícias ao crescimento de infestantes.

Em suma, o planeamento de atividades e a gestão da produtividade são ferramentas essenciais numa empresa, pois permite um melhor controlo sobre a cultura da vinha e de infestantes e, ter um tempo de resposta mais rápido face à monitorização e combate de doenças e pragas, que são condições necessárias para quem segue um Modo de Produção Biológico. Além disso, um planeamento anual atempado vai possibilitar medir o desempenho e corrigir falhas, proporcionar uma melhor dinâmica e comunicação entre todos os funcionários envolventes nas atividades da vinha e, dado o mercado do vinho ser sazonal, no sentido em que determinada altura, como na vindima, é necessário uma contratação temporária de pessoal externo, facilita a gestão da mão-de-obra. Tudo isto consolidado vai permitir uma melhor rentabilização e acima de tudo permitir minimizar custos.

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