5. Mudança para Sénior
5.1. As diferentes experiências em lecionar dois níveis de ensino (5º e 12º
5.1.1. Turma Residente
5.1.1.1. Planeamento do Processo de Ensino Aprendizagem
Primeiramente, após a recolha de dados acerca das modalidades desportivas que preferiam que fossem abordadas, decidi distribuí-las pelo Planeamento Anual nos dois semestres, tendo em conta a distribuição de espaços, o número de aulas correspondentes a cada uma delas e as modalidades que poderiam ser lecionadas no Pavilhão Gimnodesportivo e no Espaço Exterior. Ou seja, de modo atribuir, de igual forma, as modalidades durante o ano letivo, tem de se ter em atenção as diversas condicionantes presentes na Educação Física. Desta forma, com uma certa flexibilidade curricular, ou seja, após ter em conta as aprendizagens essenciais do 12º ano e a preferência dos alunos, decidi lecionar, no primeiro semestre, as modalidades de Voleibol, Futebol, Orientação e Atletismo (Corrida de Velocidade e Resistência Aeróbia). Feita a escolha, o próximo passo seria distribuí-las pelo Planeamento Anual, sendo que Voleibol só poderia ser lecionado no Pavilhão Gimnodesportivo, Futebol poderia ser em ambos os espaços e Orientação e Atletismo, somente no Espaço Exterior, isto também pensado já com a divisão dos espaços com a outra turma a lecionar as aulas.
Assim, no primeiro semestre as aulas constituíram-se da seguinte forma: Voleibol – 14 aulas; Atletismo – 8 aulas; Futebol – 6 aulas; Orientação – 5 aulas. A ênfase colocada na modalidade de Voleibol deveu-se à continuidade de lecionar Futebol no segundo semestre e pelo pouco número de aulas focadas em Orientação, pois o PC aconselhou-nos a tal, pois é uma modalidade que não necessitava de muitas aulas para serem consolidados todos os seus conteúdos.
Deste modo, após esta conclusão, seguiu-se a construção da Unidade Didática (UD) de cada modalidade, sabendo que esta poderia sofrer alterações a qualquer momento devido, principalmente, a alterações de aulas por motivos climatéricos. O planeamento da UD constituiu-se como um suporte no decorrer do processo de ensino aprendizagem, facilitando o trabalho do professor no planeamento da aula e nos conteúdos abordar, pois tal como salienta Pais (2013), as UD’s devem esclarecer as aprendizagens a cumprir, estando adequadas ao contexto da turma.
O desafio interessante no primeiro semestre seria o facto de lecionar Orientação, pois não tinha bases nenhumas relativas a esta modalidade e os
31
alunos, em todo o seu percurso escolar, também nunca tinham experienciado.
Nesta perspetiva, o PC ajudou nesta faceta ao fornecer documentos com a informação relevante acerca dos conteúdos de Orientação. Deste modo, a primeira aula consistiu na explicação da modalidade, onde é que se podia realizar, como é que se liam os códigos QR e instalar a respetiva aplicação, qual o significado dos mapas e das cores no mesmo. Com uma explicação breve e sucinta ainda deu tempo para os alunos realizarem os mapas com uma dificuldade fácil, de modo a experimentarem este contexto. Numa fase inicial, houve a necessidade de entregar os mapas com menor dificuldade para os familiarizar com a modalidade e não desmotivarem para as restantes aulas. No desenrolar da UD, a complexidade viria a aumentar e os alunos tornaram-se eficazes na leitura dos mapas, sendo que não foram necessárias muitas aulas para isso suceder.
Tendo em conta que os alunos nunca tinham tido Orientação durante o percurso escolar, surpreendeu-me bastante a facilidade com que realizavam os mapas. Para além disso, seis alunos da turma pretenderam participar na Prova de Orientação, provando o gosto que adquiriram pela modalidade nas aulas, satisfazendo o professor por esta participação.
Em Futebol, no primeiro semestre, foram atribuídas um escasso número de aulas, pois decidi lecionar esta modalidade durante o ano letivo completo. Após a realização das Avaliações Diagnósticas (AD) a todas as modalidades, a na de Futebol que se denotou uma maior discrepância de nível motor entre os alunos, ou seja, existiam nitidamente dois grupos nos parâmetros das habilidades motoras, um no nível elementar e avançado e o outro no introdutório. Deste modo, com o decorrer das aulas optei, nas situações de aprendizagens, por utilizar a estratégia de separar os alunos por níveis para não se sentirem inferiorizados por quem era mais dotado tecnicamente, pois numa fase inicial decidi colocar grupos heterogéneos em cada exercício, porém não foi adquirido qualquer sucesso, tanto por parte da aula, em que os objetivos (geral e específico) estabelecidos não eram atingidos, bem como não aparentava existir evolução pelos alunos.
Nesta modalidade em específico, foi onde insisti com maior foco no grupo menos hábil, pois como foi referido, era onde se presenciava uma maior
32
diferença a nível motor entre os alunos. Neste sentido, sendo que esse grupo requeria uma maior atenção devido às suas limitações, durante praticamente todas as aulas da UD a intervenção e a transmissão de feedback’s eram direcionadas para esse grupo em específico. Contudo, a minha presença e intervenção eram também constantes no outro grupo, pois apesar de apresentarem já um nível elevado, existia sempre a possibilidade de adquirirem novas aprendizagens e competências.
No Voleibol, a primeira aula tornou-se primordial, pois através da AD, realizada em situação de jogo, pôde-se observar diferente níveis de habilidades entre os alunos. Ou seja, nas aulas seguintes tornou-se fundamental separar os alunos por grupos de 1x1, 2x2 e 3x3. Mediante esta observação, cheguei logo à conclusão que os alunos enquadravam-se entre a 1ª etapa de aprendizagem (jogo estático) e a 2ª etapa de aprendizagem (jogo anárquico), pois as habilidades motoras (técnicas e táticas) eram um pouco limitadas.
Era sabido que, com o decorrer das aulas, as situações de aprendizagens, especificamente a situação de jogo, iriam sofrer algumas alterações, ou seja, adaptações dos exercícios às dificuldades apresentadas pelos alunos. Neste sentido, as modificações de jogo por representação ou exagero tem esse papel preponderante para o desenvolvimento do jogo dos alunos. Assim, nesta modalidade, adotei uma abordagem mais centrada no aluno, sendo suportado pelo Modelo de Abordagem Progressiva ao Jogo (MAPJ) (Mesquita et al., 2015).
No que diz respeito às sub-modalidades do Atletismo, optei, primeiramente, por lecionar Velocidade e Resistência Aeróbia, sendo o foco mais específico na segunda devido ao imenso tempo que os alunos estiveram confinados em casa, sem realizarem, pouca ou nenhuma, atividade física. Deste modo, o objetivo aqui seria aumentar a capacidade aeróbia dos alunos com recurso a diferentes distâncias, ou seja, começar com distâncias curtas e aumentá-las com o passar do tempo. Neste caso, o que considerei que iria resultar eficazmente, seria construir exercícios que seriam necessárias equipas, porque correr, sozinho e sem um objetivo, durante alguns minutos torna-se desmotivante e desgastante, tanto fisicamente como psicologicamente. Assim, ao criar as equipas estaria a utilizar um recurso que aumentaria a probabilidade
33
de sucesso e de atingir os objetivos estipulados, pois como ninguém queria perder ou ser o último, eles estariam a motivarem-se uns aos outros para serem os vencedores.
Ao recorrer a este método, considero que os alunos, no final, atingiriam os objetivos estabelecidos, apesar de que, numa primeira fase, era complicado motivá-los para essa prática, pois provinham de dois anos em contexto pandémico, sendo que não tiveram a oportunidade de dar continuidade à prática de atividade física.
No que concerne ao segundo semestre, a preocupação, tal como se sucedeu no início do ano letivo, estava dirigida no seu planeamento. Ou seja, tal como estava estipulado desde o início, o Futebol e o Atletismo iriam continuar a serem lecionados a par com o Basquetebol e o Badminton, sendo que teriam de ser atribuídas, cuidadosamente, devido à ocupação de espaços. Desta forma, decidi lecionar, juntamente, o Futebol e o Atletismo no espaço exterior e o Basquetebol e o Badminton no Pavilhão Gimnodesportivo. O Basquetebol poderia ser lecionado no espaço exterior, contudo, após algumas semanas deixou de ser possível devido à impossibilidade de utilizar as tabelas, sendo essa mensagem proveniente da direção da escola.
O objetivo neste segundo semestre, passava pela continuidade da evolução no Futebol, por parte dos alunos mais frágeis a nível motor. E, assim sucedeu, pois foi notória a progressão de todos os alunos, sem exceção, em termos técnicos e táticos, recorrendo, quase sempre, às mesmas situações de aprendizagens, mudando, apenas, os objetivos gerais e específicos direcionados para cada aula. No que diz respeito aos exercícios, dividia sempre a turma em dois grupos mediante o nível de habilidade dos alunos, sendo que para o grupo menos hábil eram privilegiadas formas de jogo reduzidas, maioritariamente em superioridade numérica. Por outro lado, para o outro grupo os exercícios incidiam no 5x5, colocando algumas variantes e restrições para diversificar e complexificar desempenhos. A abordagem e os métodos utilizados durante a lecionação desta modalidade favoreceram para que este desenvolvimento positivo acontecesse, pois foram inúmeras as aulas com uma intervenção constante, aplicando o método de questionamento, de modo a fazer vê-los no que é que erraram e no que poderiam corrigir para colmatar o erro.
34
Para além disso, de notar a dedicação, o empenho e a competitividade demonstrada em todas as aulas, pois se esses aspetos não estivessem presentes, não seria possível observar tal evolução.
No Basquetebol, a AD permitiu verificar o nível em que a turma se encontrava, sendo possível de observar dois grupos distintos. Desta forma, o planeamento da unidade didática e das respetivas aulas tiveram em conta essa diferenciação, adaptando os conteúdos ao nível de habilidade dos alunos. De acordo com a AD, os alunos enquadravam-se nas Formas Básicas de Jogo 1 e 2, pois eram relevantes as lacunas defensivas, a escassa movimentação para receber a bola e as tomadas de decisão lentas e ineficazes.
Em Atletismo, neste segundo semestre, foram lecionadas as restantes sub-modalidades, ou seja, Corrida com Barreiras, Partidas e Estafetas, Triplo Salto e Lançamento do Peso e do Dardo. As duas primeiras foram as que incidi com maior relevância, pois com a distribuição das aulas pelo semestre, só deu para essa possibilidade e também porque os recursos materiais do Triplo Salto não eram os mais indicados para uma melhor aprendizagem, uma vez que a caixa da areia encontrava-se interdita para saltos e, desta forma, tive de adaptar as aulas e focalizar mais nas primeiras fases do salto e na respetiva técnica. Nos Lançamentos (peso e dardo) sucedeu-se de forma idêntica ao ensinar de uma forma breve e concisa o lançamento completo, tentado passar por todas as suas fases, apenas para os alunos terem uma mínima noção e interiorizar estas minúsculas aprendizagens, para não saírem sem nenhumas bases técnicas. Mediante estas limitações, o objetivo central aqui passava por todos terem o máximo de oportunidades e de tempo para experienciar tais modalidades.
Aqui, a abordagem era mais centrada no aluno, devido ao teor técnico que estas modalidades transportam, ou seja, em todas as aulas, para simplificar as aprendizagens, eu escolhia um aluno que demonstrasse uma técnica diferenciada das restantes como um role model, de modo que os alunos tentassem replicar o que este realizava com sucesso.
Por fim, em Badminton, considero que, no geral, foi a modalidade onde os alunos apresentavam nível de habilidade semelhante, sendo possível
35
um aluno jogar contra outro qualquer e apresentar um jogo fluído e sem constantes interrupções devido à queda do volante.
O ensino do Badminton, baseou-se, fundamentalmente, no jogo, ou seja, apliquei a ideia de que é a partir do jogo e da sua compreensão tática que se desenvolvem as habilidades básicas, expondo sempre os alunos a situações-problema de modo a encontrar, deliberadamente, soluções para as mesmas.
Deste modo, ao longo das aulas, o tempo efetivo era praticamente incidido no jogo e, assim, com a observação e questionamento do professor, os alunos iam aprimorando os batimentos, de forma a responderem de maneira eficaz ao batimento do adversário, criando um jogo fluído e interessante.