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3. Realização da Prática Profissional

3.1. Planeamento e Conceção do Ensino

3.1.2. Planeamento

A planificação do ensino é algo que se encontra sempre presente no dia-a- dia do professor e tem como função programar e delimitar todos os passos do processo de ensino-aprendizagem.

“ (…) o planeamento significa uma reflexão pormenorizada acerca da direção e do controlo do processo de ensino numa determinada disciplina,

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sendo pois evidente a relação estreita com a metodologia ou didática, especifica desta, bem como os respetivos programas” (Bento, 1987, p. 10).

Planificar é também um momento de reflexão acerca da teoria e prática de ensino, que contribuí para um aumento da competência didática-metodológica, gerando assim, maior segurança na ação do professor. Trata-se, assim, de pensar no ensino e na formação dos alunos “significa planear as componentes

do processo ensino e aprendizagem nos diferentes níveis da sua realização; significa apreender, o mais concretamente possível, as estruturas e linhas básicas e essenciais das tarefas e processos pedagógicos” (Bento, 2003, p.

15).

Todo o processo de planificar o ensino foi uma necessidade que surgiu, desde cedo, frente aos objetivos que eu pretendia alcançar. Esta é uma tarefa que nem sempre é fácil para os professores, porquanto exige um constante ajuste do Programa de EF à realidade da escola e aos alunos, bem como muita ponderação no momento de decidir.

Planificar é uma tarefa intrínseca às funções do professor e, por isso, é fundamental que este agente possua uma boa capacidade de análise do contexto, das caraterísticas dos alunos e das matérias a ensinar, bem como uma boa capacidade de organização e de seleção dessas matérias. Deste modo, é fundamental que o professor possua conhecimento sobre a escola, o aluno, o professor, o ensino, o papel do professor, a educação e outros temas que dizem respeito à profissão docente e à atuação do professor (Marcon, 2013).

No processo de planeamento do ensino, é fundamental delimitar os pontos essenciais e a concentração em aspetos que podem ser condicionantes, pois estes são requisitos indispensáveis em todos os níveis de planeamento (Bento, 1987).

Para Bento (1987), existe um ciclo contínuo de planificação (Figura 1), que a passo e passo, enriquece a experiência do professor, conferindo a graduação

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ajustada à dialética, sempre em transformação e evolução, do concreto nos seus trabalhos de planificação, realização e análise do ensino.

Figura 1 - Ciclo de planificação (Bento, 1987)

A preparação do ensino, de forma progressiva, aponta para a necessidade de diferentes momentos e níveis de planeamento: o planeamento anual, o planeamento das diferentes unidades temáticas (UTs) e o plano de aula (Bento, 1987). Estes três níveis de planeamento não são pensados e preparados de forma isolada, pelo contrário inter-relacionam-se com a finalidade de aumentar a qualidade da conceção e promover uma melhoria na realização do ensino.

O primeiro momento, na qual existiu necessidade de pensar foi na elaboração do plano anual. Este nível de planeamento reflete uma planificação a longo prazo, com o objetivo de preparar todas as modalidades e respetivos conteúdos, possíveis de serem lecionados ao longo do ano letivo.

Este processo foi elaborado em conjunto com os meus colegas de estágio, com as orientações do Programa Nacional de EF e com o apoio do PC, tendo em conta o material e os espaços desportivos disponíveis no roulement (documento criado pelo grupo de EF, onde está patente a distribuição dos espaços disponíveis e a respetiva rotação pelos professores de EF).

Preparação de aulas Realização de aulas Análise e Avaliação Plano Plano anual

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Atendendo às vivências anteriores da turma nas aulas de EF (transmitidas pelo PC), nesta fase foi necessário decidir as modalidades que seriam ensinadas, ao longo do ano letivo. Para o efeito, centramo-nos em modalidades que raramente eram lecionadas na escola, nomeadamente o Andebol, o Badminton, o Atletismo, a Orientação e a Natação. Estas modalidades foram distribuídas pelos períodos, criando uma alternância entre duas modalidades, de aula para aula. No meu ponto de vista, este aspeto organizativo teve eficácia ao nível do ensino, pois o facto de haver maior variedade nas aulas, devido às diferenças das modalidades, os alunos mantinham-se sempre motivados para a prática.

Após a definição das modalidades a ensinar, de modo a haver uma perspetiva bem clara daquilo que os alunos devem aprender e dominar/conhecer no final do ano letivo, surgiu a necessidade de pensar nos objetivos e nos métodos de ensino mais adequados às características da turma. Como refere Bento (1987, p. 57), “ a elaboração do plano anual não

deve transparecer apenas a preocupação formal de precisar, tanto quanto possível, o quadro de objetivos, é também necessário, simultaneamente, esboçar noções acerca da via ou método geral da sua realização, noções sobre a organização correspondente do ensino, quanto à diferenciação de metas ou níveis de desenvolvimento (por exemplo, fomento de talentos, apoio ao alunos “atrasados”) e, consequentemente acerca de linhas didático- metodológicas fundamentais.”

Na elaboração do planeamento anual, procurei criar um plano o mais exequível possível, mas ao mesmo tempo rigoroso, para que permitisse o foco no essencial e atende-se ao contexto real da escola.

Os restantes detalhes do planeamento e as respetivas medidas didático- metodológicas forão deixadas para os próximos níveis de planeamento, criando assim, uma sequência lógica no processo de preparação do ensino. Pois, atendendo que o plano anual incluí diferentes modalidades, surge a necessidade de planear individualmente cada uma destas modalidades, ou seja, de planear as UTs.

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Segundo Bento (1987, p. 65), as UTs “constituem unidades fundamentais e

integrais do processo pedagógico e apresentam aos professores e alunos, etapas claras e bem distintas de ensino e aprendizagem.”

Este nível de planeamento tem a intenção de organizar o processo de ensino e aprendizagem, definindo os conteúdos que serão lecionados em cada modalidade e os respetivos objetivos. Estes objetivos são alcançados, pelos alunos, de forma gradual, devendo, por isso, existir uma planificação coerente e progressiva de todo o processo de ensino-aprendizagem.

O professor é quem assume esta responsabilidade, partindo depois das UTs para o planeamento de cada aula. Importa referir ainda que, estas unidades não são estanques, ou seja, as UTs estão sujeitas, por vezes, a constantes reajustes, devido a vários fatores, designadamente o nível dos alunos, as condições atmosféricas, os recursos materiais e espaciais e a existência de exames intermédios ou outras atividades que ocupam a hora das aulas de EF. Estes constrangimentos foram surgindo ao longo do ano de EP, havendo a necessidade de adaptar/reajustar as UTs, conforme as diferentes situações.

As UTs constituíram a fase de planeamento que mais trabalho e tempo exigiram de mim, mas todo este trabalho e dedicação resultaram num documento objetivo, claro e de fácil acesso, que me guiou e auxiliou em todo o processo de ensino-aprendizagem, tornando também o planeamento das aulas mais fácil. Como refere Bento (1987, p. 65)., “é na unidade temática que reside

precisamente o cerne do trabalho criativo do professor. Em torno da unidade temática decorre a maior parte da atividade de planeamento e de docência do professor”

Ao longo do estágio, planeei periodicamente as UTs, recorrendo ao Modelo da Estrutura do Conhecimento (MEC), proposto por Vickers (1990). O MEC é a apresentação dos conteúdos de uma forma estruturada, tornando-se num guião que irá ter influencia contante no processo de ensino.

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Vickers (1990), propôs a divisão do MEC em 8 módulos. Numa primeira fase, os módulos 1,2 e 3 em que é analisada a modalidade, o envolvimento e as caraterísticas da turma; nos módulos 4, 5, 6 e 7 o professor deverá ser capaz de adotar as melhores estratégias e tomar decisões em relação à extensão e sequência da matéria, aos objetivos, à avaliação e às progressões de ensino. Numa última fase, o modulo 8, o professor está pronto a aplicar todo o seu planeamento.

Relativamente ao plano de aula, este resulta da reflexão de todo o trabalho preparado nos planeamentos anteriores. Contudo, este acrescenta um nível de especialização mais elevado e apresenta as atividades de uma forma muito concreta. Isto é, no plano de aula é apresentado o número de alunos, a duração da aula e de cada tarefa, o espaço utilizado, os objetivos da aula, os exercícios e as componentes criticas, que no meu caso, eram transformadas em palavras-chave.

Para Bento (1987), o plano de aula deve apresentar os objetivos e as vias da sua realização, determinar meios e operações metodológicas, que visam a estabilização, modificação ou reestruturação da aula, sendo, assim, sempre um instrumento de ação.

Este nível de planeamento destaca-se pela atenção especial que o professor deverá dar a outros fatores específicos, no momento da sua elaboração. Pois, importa considerar fatores como a segurança dos alunos, os níveis dos alunos e as limitações de espaço e materiais. Embora estes fatores já sejam tratados na UT, no plano de aula são mais aprofundados, tendo em conta as situações específicas que são criadas. Neste processo, é necessário ainda, ter o cuidado de preparar situações de aprendizagem que compreendam os conteúdos propostos e potencializem os objetivos definidos para os alunos, para que possa usufruir de um elevado tempo de empenhamento motor e, principalmente, de um elevado tempo potencial de aprendizagem. Além disso, importa atender à organização dos exercícios e à sua progressão pedagógica, bem como ao tempo de exercitação. Todos estes pontos constituíram uma preocupação diária dos meus planos, uma vez que eram fatores que podiam

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comprometer a aprendizagem, influenciando diretamente na motivação e disciplina dos alunos ao longo das aulas.

Na tentativa de evitar muitas paragens e, por conseguinte, evitar comportamentos desviantes, adotei a estratégia de antecipar os grupos de trabalho em casa. Deste modo, na aula tudo se tornava mais fácil e rápido, podendo assim, aproveitar o máximo de tempo para a prática.

De forma a sistematizar toda a informação de Bento (1987), é apresentado abaixo no Quadro 1, a estrutura as tarefas que devem ser desenvolvidas em cada nível de planeamento.

Quadro 1 - Níveis de planificação (J O Bento, 1987, p. 54)

Designação e conteúdo do plano Tarefas a desenvolver

Plano anual – Nível 1

 Plano para um ano letivo;

 Conteúdo do plano: - Objetivos do ano,

- Quadros sobre o volume de horas e sobre as matérias (definição da função e conteúdos dos diversos períodos ou ciclos, determinação acerca de matérias à escolha, etc.).

 Determinação de prazos e datas;

 (pontos altos, competições, controlos de rendimento).

 Trabalhos preparatórios para a planificação:

- Estudo do programa e de outros materiais didáticos e metodológicos,

- Análise dos resultados do ano anterior, - Reuniões com os colegas.

 Elaboração dos objetivos anuais;

 Balanço e distribuição de horas e de matérias;

 Trabalhos finais: - Conferir as indicações do plano, - Confirmar os objetivos.

Plano de período ou ciclo – Nível II

 Plano para um ciclo;

 Conteúdo do plano; - Objetivos do ciclo,

- Sistematização da matéria (lógica da disciplina e dos aspetos pedagógico-didáticos),

- Sequencia didático-metodológica das aulas (definição da função e conteúdo das diferentes aulas).

 Trabalhos preparatórios: - Estudo e análise.

 Configuração do objetivo do ciclo;

 Organização da matéria;

 Trabalhos finais: - Conferir as indicações do plano, - Garantir emprego de meios de ensino.

Projeto de aula – Nível III

 Plano para uma aula;

 Conteúdo do plano: - Objetivos da aula;

- Configuração da matéria, método, organização e das atividades do professor e dos alunos,

- Planificação do emprego de meios de ensino; - Estruturação temporal das indicações.

 Trabalhos preparatórios: - Reflexão e análise;

 Formulação do objetivo da aula;

 Organização da matéria e método na sequência: parte principal, introdução, final.

- Ordenamento da matéria; - Dosagem; - Métodos; - Formas de organização;  Trabalhos finais: - Comprovar o projeto

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