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2. REVISÃO DA LITERATURA

2.3 Planejamento Contábil e Tributário das MPEs

Nesta seção apresentar-se-á o levantamento teórico sobre a importância do Planejamento Contábil, incluindo-se a escrituração contábil como forma de registro das informações das mutações do patrimônio das organizações e o Planejamento Tributário, que quando corretamente elaborado poderá levar a organização à economia de tributos e consequente diminuição de sua carga tributária.

2.3.1 Planejamento e Escrituração Contábil das MPEs

Destaque-se a aprovação da ITG 1000 – Modelo Contábil para Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, pelo Conselho Federal de Contabilidade em 05 de dezembro de 2012, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2012, a qual determina como escriturar os livros contábeis obrigatórios para as MPE, além de como elaborar os BP, DRE e FC ao final de cada exercício contábil.

33 Tal situação faz com que as MPE apurem o Resultado do Exercício Contábil de suas empresas através das Normas Contábeis vigentes, base para a tributação pelo regime tributário do Lucro Real, não importando se a empresa é optante de outros regimes como o Simples Nacional ou o Lucro Presumido.

A responsabilidade pela escrituração contábil das pessoas jurídicas é de um profissional de contabilidade legalmente habilitado, registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC), nos termos da legislação.

Segundo Oliveira (2013, p.58),

A legislação do Imposto de Renda determina que a pessoa jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, devendo a escrituração abranger todas as operações realizadas pelo contribuinte, bem como todos os resultados obtidos em suas atividades.

Os principais livros contábeis obrigatórios, ainda conforme Oliveira et al (2013), são:

a) Diário; b) Razão;

c) Registro de inventário;

d) Livro de apuração do lucro real (Lalur): Esse livro que, antes da Lei nº 12.973/2014, somente era obrigatório para as empresas contribuintes pelo Lucro Real, passa agora a ser de suma importância para a apuração do lucro fiscal de qualquer tipo de empresa, apesar de não mais ser obrigatório;

e) Livro caixa e contas correntes; f) Registro de duplicatas;

g) Livro Para Registro de Compras;

h) Livros Obrigatórios Perante a Legislação do IPI; i) Livros Obrigatórios Perante a Legislação do ICMS.

Esses livros refletem todos os acontecimentos e atividades realizadas pela empresa, por isso devem ser mantidos em ordem, OLIVEIRA et al. (2013, p.71). Ainda segundo os mesmos autores, o regulamento do IR menciona que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, livros, documentos e os papéis relativos à sua atividade, ou que se

34 refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.

Observa-se, dessa forma que as informações e os controles contábeis têm um papel importante na administração das pequenas empresas, inclusive na gestão contábil e no planejamento tributário, o que pode gerar redução nos gastos tributários, otimizando os lucros em determinados períodos, como bem explicitaram Costa e Yoshitake (2004). Ademais, esses pesquisadores destacaram que esses fatos exigem que as pequenas empresas elaborem planejamento contábil e tributário baseado nos controles e nas informações contábeis, o que as levará a melhores resultados, pois essas ferramentas não estão apenas ao alcance das grandes empresas, mas, sim, de todas as pessoas que queiram, de uma forma lícita, diminuir seus gastos tributários e maximizar seus resultados.

No dizer de Marques (2009) é fundamental que as MPEs dominem o processo de planejamento e controle financeiro, no processo de gestão de suas atividades empresariais.

Ainda, segundo o autor a essência do planejamento e do controle aplicável às empresas em geral e às MPES, em particular, sustenta-se na premissa de que os gestores de uma empresa poderão planejar e controlar suas operações a curto e longo prazo, por meio de um processo contínuo de tomada de decisão que sejam convincentes.

2.3.2. Fundamentos de Planejamento Tributário

A finalidade de um planejamento tributário é a economia de impostos, sem infringir a legislação.

Oliveira et al. (2013, p.59) dizem que:

A legislação do Imposto de Renda determina que a pessoa jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, devendo a escrituração abranger todas as operações realizadas pelo contribuinte, bem como todos os resultados obtidos em suas atividades.

As receitas arrecadadas através dos tributos são a maior fonte de recursos para a operacionalização do Estado.

35 PÊGAS (2011, p.7) salienta que, “a receita proveniente da arrecadação de tributos representa a principal fonte de geração de recursos para o Estado”. Esses recursos são utilizados no custeio e na fomentação do próprio desenvolvimento do país em suas diversas áreas, educacionais, de segurança pública, regulatória, da saúde, previdência social, etc.

Segundo o mesmo autor, a opção pelo regime de tributação dos tributos federais destacadamente, deve ser feita de forma a respeitar a lei, o regulamento do IRPJ e que seja benéfico ao contribuinte.

Sabe-se que o planejamento tributário objetiva a redução nos pagamentos de tributos dentro da lei, através das lacunas existentes na legislação. Em consequência, possibilita às empresas obterem maior capitalização, redução dos preços de seus produtos e ainda propicia a geração de novos empregos quando os recursos economizados são utilizados na realização de novos investimentos no negócio.

É fato recorrente que em todo início de um novo ano, os profissionais responsáveis pelo planejamento tributário das empresas se deparem com a situação de definir, a opção mais vantajosa de tributação do IRPJ e consequentemente, CSLL, PIS e COFINS, entre o SIMPLES NACIONAL, Lucro Presumido e o Lucro Real. Este estudo sistematizado pretende contribuir para auxiliar os micros e empresários de pequeno porte, que possuam ou não esses profissionais, nesta tomada de decisão.

Veiga (2002) ressalta que são muitas as questões a serem avaliadas na comparação entre simples nacional, lucro presumido e lucro real. No simples nacional e no lucro presumido as despesas e custos não influenciam na tributação, pois a base de cálculo do IRPJ origina-se das receitas e não do resultado apurado. Já no lucro real as despesas e custos dedutíveis diminuem a base de cálculo do IRPJ, como por exemplo, as despesas de férias e décimo terceiro salário a pagar.

Ao fazer a opção de tributação, deve-se analisar a estimativa do valor devido em cada critério (simples nacional, lucro presumido e lucro real), considerando a soma dos valores referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.

Veiga (2002) complementa dizendo, que o profissional responsável pelo planejamento tributário nas empresas, deve sempre procurar opções legais disponíveis que sejam mais vantajosas para a organização, como por exemplo, a

36 opção entre simples nacional, lucro presumido e lucro real para fins de imposto de renda e de contribuição social, cuja soma das alíquotas representa 24% (15% de IRPJ e 9% da CSLL) mais o adicional de 10% de IRPJ sobre a base de cálculo excedente a R$20.000,00 (vinte mil reais), por mês demonstrando assim a relevância da análise desses tributos para as empresas.

Campos (2007, p.12) esclarece:

Planejamento Tributário Administrativo é o processo de implementação de Alternativas Licitas (Elisão Fiscal) para a Economia total ou parcial de tributos, sem a adoção de Processos Judiciais prévios, ou seja, mediante Consultas ao Fisco, opções de classificação contábil e aproveitamento das vantagens e benefícios da própria legislação fiscal nem sempre são usufruídos plenamente pelas Empresas.

Para essa implementação de alternativas citadas acima por Campos (2007), as empresas precisam de pessoas que dominem a legislação tributária, que possa prever os efeitos dos tributos sobre as operações da empresa, para assim, reduzir os impostos, sem implicar evasão fiscal, ou seja, desde que não haja o descumprimento das leis vigentes, evitando também a caracterização como um crime de sonegação fiscal contra a ordem tributária.