CAPÍTULO 3 – PLANEJAMENTO DOS RECURSOS DA MANUFATURA (MRPII)
3.2. O sistema MRPII
3.2.4. Planejamento de curtíssimo prazo no MRP (SFC)
SFC SFC Compras Compras posição de estoques plano detalhado de materiais e capacidade programa de fornecedores programa detalhado de produção Fábrica Fornecedores fronteira com o mercado fornecedor fronteira com o chão de fábrica
Figura 3.7 – Planejamento de curtíssimo prazo.
Os sistemas de controle de chão de fábrica ou sistemas de execução da manufatura (MES) são sistemas de informação residentes no chão de fábrica e voltados para a tarefa de integrar o nível de planejamento com o nível de controle. O planejamento é normalmente implementado por meio de um programa de MRP, que se encarrega de aspectos ligados ao processamento de pedidos, contas a pagar, compras de materiais, controle de estoques, planejamento de materiais e elaboração de planos de produção (MESA International 1995).
A Figura 3.7 apresenta o módulo SFC e o dicionário APICS o define como:
“Um sistema que usa dados vindos do chão de fábrica para manter e comunicar o status das ordens de manufatura e dos centros de trabalho. O controle de chão de fábrica pode usar o controle das ordens ou o controle do fluxo de materiais para monitorar o movimento dos materiais dentro da fábrica. As maiores subfunções do controle de chão de fábrica são:
a) Atribuir prioridade a cada ordem de produção.
b) Manter as informações de quantidades de trabalhos em processo. c) Fornecer as informações sobre o status das ordens de produção
para o escritório.
d) Fornecer os dados atuais de saída para as finalidades do controle de capacidade.
o inventário de trabalhos em processo.
f) Fornecer a medida de eficiência, utilização, e produtividade da força de trabalho e das máquinas.
“As maiores subfunções do controle de fluxo são baseadas primeiramente nas taxas de produção e no ritmo de alimentação do trabalho em processo para encontrar as taxas de fabricação, então monitorar e controlar a produção”.
Os sistemas de Controle da Manufatura representam produtos e serviços dedicados a controlar as operações de chão de fábrica, de modo a integrá-las a todas as outras operações de manufatura existentes (ROLT 1995).
A Figura 3.8 representa a integração entre o planejamento da produção e o controle da manufatura e o tráfego de informações entre os dois.
Figura 3.8 – Integração entre o planejamento da produção e o controle da manufatura
Fonte: Adaptado de MESA International, 1995
Segundo HAKANSON (1994), a tecnologia dos sistemas de controle de chão de fábrica desenvolve-se em resposta às necessidades dos clientes. O produto resultante é agora referido como um MES/SFC integrador. Ele possui ferramentas como gerenciamento de recursos,
distribuição de produtos, controle estatístico de qualidade, gerenciamento das informações de laboratório, gerenciamento do processo, coleta de dados, gerenciamento da documentação de fábrica e otimização do processo. Pela união destes elementos do processo de manufatura, a tecnologia MES fornece uma visão total do produto e tudo que o afeta até sua chegada ao cliente.
Quando as ordens de produção planejadas são realizadas no chão de fábrica, o primeiro objetivo é entregar o produto na hora exata, na exata quantidade e com as especificações de qualidade planejadas, mas alguns eventos inesperados (quebra de máquina por exemplo) podem causar atrasos. Agir sobre os problemas, mudar a programação, tentando sempre cumprir o planejamento é tarefa do controle de chão de fábrica, departamento que gerencia as operações produtivas propriamente ditas.
Para garantir que o planejamento da produção seja cumprido, a MESA Iternational (1995) enumerou um conjunto de funções que devem ser cumpridas pelos sistemas de controle de chão de fábrica ou sistemas de execução da manufatura:
• Gerenciamento dos Recursos de Produção: compreende o cadastramento e gestão de todos os recursos produtivos da empresa, tais como máquinas, equipamentos, ferramentas, pessoal, matérias primas etc.;
• Alocação dos Recursos (Scheduling): é a função responsável por alocar recursos da melhor maneira possível para atender a um determinado plano de produção. Com isto, os planos elaborados pelo MRP são transformados em programas detalhados de produção que levam em conta recursos produtivos existentes, sua disponibilidade, sua real capacidade produtiva, tempos e custos de produção, e uma série de outros fatores, geralmente desconsiderados no planejamento;
• Gerenciamento da Manutenção: permite aos setores responsáveis pela manutenção dos equipamentos uma melhor integração com os setores produtivos, facilitando a programação das paradas para manutenção preventiva ou preditiva, além de agilizar o atendimento nos casos de manutenção corretiva;
• Controle de Qualidade: num mercado cada dia mais exigente em termos de qualidade, onde o atendimento a normas como ISO 9000 já é considerado um requisito mínimo e obrigatório, sistemas informatizados de controle de qualidade integrados às demais funções do MES;
• Gerenciamento de Informações de Laboratório: dados obtidos a partir de análises de laboratório são fundamentais para assegurar a qualidade dos produtos, e devem ser integrados ao restante do sistema;
fundamental para que a empresa possa identificar problemas, buscar melhorias e testá- las de forma consistente;
• Coleta de Dados: registro de dados coletados automaticamente durante o processo produtivo é importante não só para assegurar a rastreabilidade de produtos e matérias primas, mas também para permitir a análise detalhada dos processos, visando sua constante melhoria;
• Gerenciamento de Documentação: na medida em que os sistemas de produção das empresas tornam-se mais flexíveis e os processos produtivos mais complexos, o volume de informações necessárias para que o operário efetue corretamente a operação tende a crescer. Da mesma forma, normas de qualidade exigem que o processo produtivo seja acompanhado e documentado. Sistemas eletrônicos de documentação são uma forma segura e econômica de resolver ambos os problemas simultaneamente;
• Otimização de Processos: esta categoria de função engloba uma série de métodos para otimizar os processos, indo desde o controle preditivo com base em modelos matemáticos até sistemas especialistas para orientar na operação de processos complexos.