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3. Projeto do empreendimento

3.3. Planejamento de prazo

A quantidade de conceitos para definir o termo planejamento, na literatura, é tão extensa quanto o número de autores que o definem (Bernardes, 1996) .MENDES JR (1999) adota a definição que planejamento é considerado o processo de tomada de decisão resultando num conjunto de ações necessárias para transformar o estágio inicial de um empreendimento em um desejado estágio final.

Essas ações fixam padrões de desempenho contra o qual o progresso do empreendimento é mensurado e analisado no controle durante a fase de construção.

Entretanto, este conceito não se refere ao controle como parte do processo de planejamento (Bernardes, 2001). Outra definição similar é que planejamento pode ser definido como o conjunto de atividades estruturadas e medidas destinadas a resultar num produto especificado para um determinado cliente ou mercado, sendo este, o processo de tomada de decisão realizado para antecipar uma desejada ação futura, utilizando para isso meios eficazes para concretizá-lo (BERNARDES, 1996).

Laufer e Tucker (1987) apontam como objetivos do planejamento da produção, as seguintes atividades:

1. Assistir o gerente na direção da empresa;

2. Coordenar as várias entidades envolvidas na construção do empreendimento;

3. Possibilitar o controle da construção;

4. Possibilitar a comparação de alternativas, facilitando, assim a tomada de decisão.

O planejamento e controle da produção podem ser representados por meio de duas dimensões básicas: a horizontal e a vertical. A primeira se refere às etapas pelas quais o processo de planejamento e controle é realizado. A segunda define

Figura 1 - Ciclo de Planejamento (Laufer, et al., 1987)

Na Figura 1 verifica-se a existência de dois ciclos: um intermitente e o outro contínuo. A primeira e última etapas têm um caráter intermitente e ocorrem em períodos específicos na empresa construtora. Antes do início da construção, no término da mesma ou em alguma etapa importante durante a realização do empreendimento. Já as outras etapas formam um ciclo contínuo, no qual é realizado durante toda a execução do empreendimento e inclui a coleta de informações, a preparação de planos e a difusão da informação (Villas-Bôas, 2004).

Na etapa de preparação do processo de planejamento, são tomadas decisões relativas ao planejamento que será efetuado: seu horizonte, nível de detalhamento, freqüência de replanejamento e grau de controle a ser efetuado. O horizonte de planejamento é definido como o intervalo de tempo compreendido entre a geração dos planos e a realização da ação inerente às metas fixadas naquele plano (Zen, 2006).

Na segunda etapa são coletadas, processadas e avaliadas as diversas fontes de dados, com o objetivo de fornecer subsídios à tomada de decisão.

Geralmente, estas informações incluem contratos, plantas, especificações técnicas, condições do canteiro, tecnologias construtivas, disponibilidade de recursos internos e externos, produtividade da mão-de-obra e dos equipamentos, além de metas

tomada de decisão a partir da avaliação das informações coletadas na fase anterior (Laufer, et al., 1987). Geralmente, são utilizadas técnicas de planejamento e programação de recursos, baseadas no Método do Caminho Crítico (COM), devido ao grande número de programas computacionais disponíveis no mercado para o seu processamento (Mendes Jr, 1999). Outra técnica que também é utilizada nesta etapa é a Linha de Balanceamento. Ela procura explicitar os ritmos de produção e os fluxos de trabalho, conferindo, assim, maior visibilidade ao processo produtivo (Villas-Bôas, 2004).

A última fase corresponde à avaliação de todo o processo de planejamento, que serve de base para o desenvolvimento deste processo nos próximos empreendimentos. A utilização de indicadores globais, como, a relação entre os custos orçados e os custos reais, acompanhados através de relatórios de controle operacionais, pode ajudar na análise dessa fase (Zen, 2006).

A dimensão vertical está relacionada com a idéia de hierarquia na elaboração e execução dos planos (Villas-Bôas, 2004) demonstrada na figura 2. O gerenciamento é normalmente desenvolvido por diversas pessoas, cada uma com um distinto nível de especificidade na abordagem do problema. Os diferentes níveis de gerenciamento para quais planos são elaborados definem a dimensão vertical do processo de planejamento (Formoso, 1991).

Segundo a dimensão vertical, o planejamento se divide em três níveis gerenciais: estratégico (longo prazo); tático (médio prazo); e operacional e controle (curto prazo) (Laufer, et al., 1987). Devido à incerteza presente no processo construtivo, é importante que os planos sejam preparados em cada nível com um grau de detalhe apropriado (Formoso, 1991).

No nível estratégico são definidos o escopo e as metas do empreendimento a serem alcançadas em determinado intervalo de tempo. No nível tático enumeram-se os recursos e suas limitações para que essas metas enumeram-sejam alcançadas, incluindo-se a organização destes recursos e estruturação do trabalho. Finalmente o nível

operacional refere-se à seleção dos cursos de ações através das quais as metas são alcançadas. O planejamento operacional está relacionado com as decisões a serem tomadas a curto prazo referentes as operações de produção da empresa (Zen, 2006).

O plano de longo prazo, também conhecido como plano mestre, é realizado no início da fase de construção do empreendimento e se dá identificando os objetivos principais do empreendimento através do estabelecimento de metas gerais. Ele deve ser executado com baixo grau de detalhes devido à incerteza existente no ambiente produtivo. O planejamento de longo prazo fornece um padrão de comparação para o monitoramento do desempenho do empreendimento, além da orientação dos demais níveis de planejamento, que por sua vez retroalimentarão igualando-o com sua capacidade produtiva. Decompor as atividades de longo prazo em pacotes de trabalho e operações e detalhar os métodos de execução do trabalho a fim de manter pacotes de trabalhos prontos para o curto prazo (Biotto, 2012).

Também chamado de commitment planning, o planejamento de curto prazo é realizado fracionando as atividades programadas no médio prazo em pacotes menores e se inicia listando as atividades com recursos disponíveis para sua execução. Os pacotes de trabalho semanal são chamados de tarefas e devem conter definições de ação (natureza da tarefa executada), elemento (componente físico da ação) e local (onde a tarefa será realizada (Biotto, 2012).

Figura 2 - Hierarquização do processo do controle de planejamento (Biotto 2012)

Villas-Bôas (2004), apresenta o funcionamento do planejamento de uma obra. Embora este seja um estudo de caso de uma empresa e empreendimento específico, retrata bem a realidade brasileira atual, tendo apenas algumas especificidades em relação ao método de planejamento adotado.

Inicialmente quando é entregue a proposta de preços já existe um cronograma de longo prazo, traçado com o engenheiro da obra e o diretor da empresa. Assinado o contrato, é realizada uma reunião na central da empresa para definir como a obra será executada, com quantas frentes de serviço e qual número de funcionários iniciais.

O cronograma de médio prazo é então traçado pelo engenheiro da obra, a partir do cronograma de longo prazo. Depois de realizado o plano de médio prazo, o engenheiro de obra se reúne com os empreiteiros contratados para determinar as metas para um mês de trabalho. Estes, ao serem contratados, já sabem quanto deve ser cumprido de serviços por mês e ficam conhecendo o método de planejamento adotado pela empresa. O médio prazo é realizado para um período de 4 semanas e só é revisto após 3 semanas. Inicialmente a empresa tentou ir reprogramando o médio prazo à medida que passava uma semana de curto prazo, mas achou que estava dando muito trabalho e não estava sendo aproveitado.

Reuniões semanais são realizadas para montagem do cronograma de curto prazo. O engenheiro leva pronto um planejamento com suas idéias para a próxima semana, que ele retira do médio prazo. E durante a reunião conversa com o mestre-de-obras e empreiteiros para saber qual a possibilidade de se cumprir este cronograma. Nesta mesma reunião ajustes são feitos, caso seja necessário.

Durante a semana, o engenheiro da obra vai verificando quais serviços estão sendo realizados e quais não irão cumprir o planejamento da semana em questão. Durante a reunião semanal ele faz o relacionamento das tarefas não cumpridas e o motivo pelos quais isto aconteceu.

Nas tarefas programadas não são anotados o número de funcionários necessários para realização do serviço. Os próprios empreiteiros se responsabilizam em colocar um número suficiente de funcionários para o cumprimento do planejado, assim como é o empreiteiro que faz a divulgação entre os funcionários de quais serviços deverão ser realizados na próxima semana. Mas o mestre-de-obras verifica a freqüência dos funcionários e anota em quais serviços os mesmos estão trabalhando.

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