4. Desenvolvimento e Resultados
4.1 Desenvolvimento
4.1.2 Planejamento dos processos da clínica médica
O hospital foco do estudo conta com uma estrutura de três andares, nos quais os acessos são feitos por rampas, não possuindo elevadores. Além disso, ele também tem escadas do primeiro para o segundo andar, contudo essas são fechadas com reconhecimento biométrico, tendo acesso apenas funcionários.
Em relação a sua hierarquia, como mostra a Figura 17, o hospital conta com uma comissão financeira, responsável pelos repasses monetários, uma mesa deliberadora, que trata das decisões estratégicas e um conselho fiscal. Os mesmos tem contato direto com o provedor, que tem a responsabilidade legal para com o hospital, além de ser encarregado de repassar todas as informações essenciais para o diretor geral. Ele, por sua vez, coordena e distribui as responsabilidades entre três diretores – técnico, clínico e administrativo – que auxiliam no gerenciamento dos procedimentos hospitalares e, por fim, seus funcionários, que atuam nos processos específicos designados.
Para aplicar o roteiro de entrevista proposto e estabelecer a percepção atual, era necessário determinar quais as pessoas estão inseridas nos processos da clínica médica, além de seus próprios funcionários. Assim, foi determinado que os três diretores fossem entrevistados, devido à proximidade dos mesmos com os funcionários do hospital. O diretor geral também foi levantado como uma possibilidade, contudo, na atual gestão, ele também exerce a função de diretor técnico, portanto já está englobado.
Figura 17 – Hierarquia do hospital
Fonte: Adaptado do hospital de estudo (2019).
Em relação aos próprios funcionários, foi necessário estabelecer o fluxo pelo qual os pacientes seguiam até serem, de fato, internados na ala da clínica médica do hospital. Dessa forma, o fluxo total dos processos da clínica médica foi considerado do momento que o paciente entra no hospital, até sua internação, fazendo com o que o fluxo englobe, além da própria ala, a recepção do hospital e a triagem dos pacientes, como mostra a Figura 18.
Figura 18 – Fluxo dos pacientes
A priori, a recepção, assim como o hospital de uma maneira geral, trabalha em turnos de 12 horas por 36 horas, ou seja, existe um total de quatro turnos diferentes, sendo que dois deles são vespertinos – de 7h às 19h – e os outros dois são noturnos – de 19h às 7h.
No turno vespertino, a Recepção conta com 4 funcionários, sendo que desses, dois ficam responsáveis por atender os pacientes de convênios e, os outros dois, pelos pacientes do SUS. Durante a noite, existem apenas 2 funcionários, contudo não há divisão de tarefas, dessa forma ambos funcionários atendem a chegada dos pacientes de maneira indiscriminada.
Em relação aos seus processos, durante o dia a Recepção recebe pacientes que vão fazer exames, buscar exames, tirar dúvidas, fazer fisioterapia, dentre outros, contudo o foco deste trabalho foi acompanhar o processo de encaminhamento para a Triagem, atendimento médico e possível internação na Clínica Médica, especificamente de pacientes advindos pelo SUS.
Vale ressaltar que, durante o turno noturno, não existem essas atividades paralelas, dessa forma a Recepção fica encarregada, apenas, de atender os pacientes que chegam com o intuito de buscar atendimento médico.
A Triagem, por sua vez, também trabalha em 4 turnos diferentes, nos quais possui 1 enfermeiro de plantão e 2 técnicos auxiliares, tanto no turno vespertino quanto no noturno. Os técnicos estão presentes para auxiliar em procedimentos mais simples e não relacionados à Clínica Médica, tais como aplicar injeções e auxiliar nas salas de observação.
O enfermeiro da Triagem é o responsável total por atender os pacientes que foram encaminhados da recepção para serem triados e utiliza do Protocolo de Manchester de 5 cores, no qual varia entre Azul, Verde, Amarelo, Laranja e Vermelho, onde os riscos de internação na Clínica Médica acontecem em pacientes classificados como Laranja ou Vermelho, que tem urgência e risco iminente de vida, respectivamente.
A Clínica Médica, por fim, conta com os mesmos turnos do hospital, sendo que durante o vespertino ela possui 4 enfermeiros de plantão e o noturno conta com 2. Localizada no terceiro andar do hospital, os leitos são distribuídos entre quartos de 2 e 3 leitos, totalizando 25 leitos com adição de 3 de emergência, dispostos em um quarto no segundo andar.
Essa medida de emergência se dá, pois, o hospital tem um convênio com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), disponibilizando, obrigatoriamente, 5 leitos para emergências desse Centro, assim, caso haja necessidade, os pacientes já internados são rearranjados para o segundo andar.
Os 28 leitos disponíveis para internação na Clínica Médica são separados em dois grupos iguais entre gênero, dessa forma 14 são masculinos e 14 são femininos, levando em conta o sexo biológico e não a identidade de gênero do paciente, só havendo um desbalanceamento caso seja necessário – em situações de emergência ou isolamento, por exemplo – e o quarto, como um todo, esteja vazio.
Ademais, a Clínica Médica conta com duas salas onde ficam os enfermeiros responsáveis pela ala, na qual uma delas é a sala burocrática, onde acontecem os registros dos pacientes, comunicação com os outros departamentos e controle de horários, enquanto a outra sala é a sala de suprimentos, na qual acontece setup de materiais, esterilização, dentre outras funções.
Além da própria entrada na Clínica Médica, internamente, a ala exerce diversos processos que abrangem diferentes ramificações em todo o hospital e, consequentemente, engloba diferentes pessoas, equipamentos, fluxos, dentre outros. Esses processos foram divididos em dois grupos que são (i) processos gerais e (ii) processos específicos.
Os processos gerais acontecem sob a responsabilidade exclusiva da Clínica Médica, sem precisar de auxílio de nenhum outro funcionário do hospital, apenas o aval do médico responsável e, além disso, é costumeiro que todos os pacientes internados passem pela maioria desses procedimentos, por isso são tratados de forma geral. Os processos englobados nesse grupo são os de Aplicação de Medicamentos, Aferir Pressão, Banho e Troca de Fralda.
Os processos ditos como específicos são, basicamente, os exames que a Clínica Médica fornece, que são o Raio-x, eletrocardiograma, endoscopia, coleta de sangue e ultrassom. Os mesmos são denominados específicos, pois não englobam obrigatoriamente todos os pacientes internados, e sim, aqueles que a enfermidade condiz com a necessidade do exame.
Agrupando os três diretores e os funcionários das três alas, têm-se um total de vinte e sete pessoas envolvidas nos processos que a clínica médica engloba, portanto o roteiro de entrevista foi aplicado a esses indivíduos, a priori, antes da aplicação das propostas neste trabalho. As respostas obtidas
pelos funcionários serão apresentadas na parte de discussão da dissertação, a fim de gerar um comparativo com a aplicação do roteiro após a coleta de resultados das propostas Lean.
As observações, por sua vez, foram feitas no período de junho a agosto de 2019. Tendo recolhido essas informações, foi possível desenvolver oito A3, que tratavam de desperdícios identificados ao longo dos processos internos e externos relacionados à Clínica Médica.
Os oito A3 propostos foram divididos em três fluxos distintos que a Clínica Médica engloba: (i) entrada na clínica médica, (ii) processo geral – aplicação de medicamento e (iii) processo específico – Raio-x. Assim, os casos tratados foram segmentados em cada subseção seguinte, para melhor compreensão da aplicação e dos resultados.