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PLANEJAMENTO EDUCACIONAL: ELEMENTOS INTRODUTÓRIOS

Figura 27 - Citação de Thomas Edison

Fonte: NTE/UFsm.

Sendo assim, o planejamento educacional busca propor objetivos de curto, médio ou longo prazo, tendo como base as políticas educacionais. O planejamento lança mão da sistematicidade e da objetividade para realizar um processo de análise e reflexão das variáveis que envolvem o sistema educacional como um todo, o sis- tema institucional ou até mesmo as ações do professor em sala de aula. Isso tudo visando a qualidade da aprendizagem dos estudantes.

Para Libâneo (1994, p. 221), o planejamento educacional “é um processo de ra- cionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social”.

Uma das grandes tarefas do planejamento é a delimitação de dificuldades e de erros ou possíveis falhas, a fim de resolvê-los ou então de prevê-los, bem como pro- por alternativas e soluções. O planejamento busca definir também as prioridades e os objetivos para que a educação possa ser melhorada e aperfeiçoada de acordo com as necessidades específicas de cada escola.

Entretanto, cabe lembrar que o planejamento educacional é diretamente in- fluenciado pelas políticas de educação adotadas, ou seja, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, entre outras normativas norteadoras dos processos de ensino no país. De acordo com Padilha (2003), pode-se dizer que são três os principais pressupostos do planejamento educacional:

1) Cientificidade na busca, análise e observação da realidade sócio econômica, cultural e educacional do país;

2) Organização e coordenação dos serviços de educação em consonância com os demais serviços no nível da administração pública como um todo;

3) Periodicidade na avaliação de metas, objetivos, planos e execuções, de forma a promover a adaptação e a reformulação frente a novas necessidades e novas exigências.

Vejamos a seguir o quadro-síntese que defi ne as características do planejamento educacional elaborado por Padilha (2003):

Tabela 15 - Características do planejamento educacional

Fonte: Adaptado de Padilha (2003, p. 57).

A partir deste quadro adaptado de Padilha (2003), é possível perceber que existem diferente níveis em que o planejamento pode atuar e envolver diferentes atores, de diferentes setores e níveis hierárquicos. São também cinco os tipos de processos que envolvem o planejamento educacional, que dependem diretamente dos pra- zos determinados e dos métodos a serem utilizados. Desta forma, o planejamento educacional envolve uma complexidade de fatores que é determinante para o resultado fi nal que é a formação dos alunos com qualidade.

Como vimos no quadro das características do planejamento educacional, temos basicamente quatro níveis. O nível que iremos trabalhar mais detalhadamente será o nível local, por entendermos que este nível é aquele que exige do professor uma participação mais direta do que nos níveis Globais e de Setores, apesar destes dois níveis anteriores exercerem impactos expressivos dentro das decisões e ações nos níveis seguintes.

Se faz necessário, hoje, que os professores tenham participação ativa na orga- nização dos processos que acontecem na escola, tanto no planejamento, quanto na execução e na avaliação. Para que o professor possa atuar de uma maneira mais qualificada, ele precisa ter o conhecimento tanto das políticas educacionais quanto sobre questões acerca da didática e do ensino, de maneira a manter-se atualizado e a buscar embasar sua prática em evidências científicas confiáveis. Para Libâneo et al. (1998):

Portanto, não convém às escolas ignorar o papel do Estado, das Secretarias de Educação e das normas do sistema nem simples- mente subjugar-se a suas determinações. Também é salutar precaver-se contra algumas atitudes demasiado sonhadoras de professores que acham possível uma autonomia total das escolas, como se elas pudessem prescindir inteiramente de instrumentos normativos e operativos de instâncias superiores (liBÂNEo, 1998, p. 299).

Desta forma, para que a escola possa executar um bom planejamento educacional, é necessário que se esteja sempre atento às normativas, bem como às tendências de planejamento que estão sendo implementadas, a fim de que a educação oferecida nas escolas possa sempre estar em consonância com a realidade vigente e com as necessidades da comunidade escolar.

De acordo com Piletti (1990), o planejamento curricular diz respeito ao planejamento das experiências que são vividas pelos alunos dentro da escola. O planejamento do currículo visa dar uma orientação para o trabalho do professor em sua prática pedagógica dentro da sala de aula.

É no currículo que se expressa o que a escola entende como conhecimento, as prioridades, quais os saberes que esta privilegia e que esta busca transmitir, assim como que tipo sujeito ela pretende formar. Nesse sentido, tudo o que acon- tece dentro da escola e da sala de aula pode ser definido como prática curricular, isto é, o desenvolvimento do currículo no processo de ensino e aprendizagem (SACRISTÁN, 2000).

A definição do currículo a ser utilizado pode ser uma das tarefas mais complexas da prática pacífica, pois, de acordo com Sacristán (2000), existe além da ordenação dos componentes a serem aprendidos pelos estudantes, a previsibilidade das con- dições do ensino dentro do contexto escolar ou fora deste, sendo o planejamento do ensino a função mais constante dos professores.

Mas onde os professores podem buscar uma referência sobre o que deve estar e o que não deve estar contemplado no currículo? É nos Parâmetros Curriculares Nacionais (os PCNs) de 1998, que os professores recebem algumas orientações nesse sentido, pois contêm algumas diretrizes elaboradas por técnicos do governo federal que preparam uma série de orientações e normativas do que é necessário ao aluno ter acesso em cada ano e em cada disciplina escolar, tanto na rede pública, quanto na rede privada de ensino.

Os PCNs não têm um caráter obrigatório, mas se configuram como um docu- mento norteador, não apenas para os diretores, mas também para os professores e demais membros da equipe pedagógica, bem como para o conhecimento da comunidade escolar sobre o que está previsto em termos de currículo.

O objetivo principal dos PCNs é garantir que os estudantes tenham acesso aos conhecimentos necessários para exercerem o seu direito à cidadania. Desta forma, é desejável que os PCNs sejam adaptados para as realidades locais e institucionais. Desta forma, os PCNs apresentam algumas possibilidades para sua utilização por parte dos professores e da equipe pedagógica de um modo geral. Tais possi- bilidades são:

• Possibilidade de revisão de objetivos, conteúdos, formas de encaminhamentos das atividades e das expectativas de aprendizagem, bem como reflexão e adaptação de novas maneiras de avaliar os alunos e também o currículo em si;

• Possibilidade de refletir sobre as práticas pedagógicas visando uma coerência com os conteúdos propostos pelo currículo;

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