• Nenhum resultado encontrado

2.2 PLANEJAMENTO

2.2.2 Planejamento e Governança Pública

O planejamento de atividades configura-se por intermédio das seguintes caracterizações, representadas como: a identificação elucidativa sobre o que se quer proceder ou modificar; a concepção da conjuntura futura pretendida; e a estratégia sobre como se idealizar a operação, ação ou execução prática, implementando, monitorando e avaliando. Seriam estas então as atribuições do planejamento: diminuir a incerteza dos rumos da organização; racionalizar os recursos; auxiliar na tomada de decisões perante cenários diversos e minimizar os erros e imprevistos (STONER; FREEMAN 1999, p.137).

Em consequência, o "[...] planejamento é a função administrativa que determina antecipadamente quais são os objetivos que devem ser atingidos e como se deve fazer para alcançá-los" (CHIAVENATO, 2003, p. 19).

Pode-se conceber, portanto, o planejamento como ferramenta de execução das ações administrativas que objetiva diminuir os riscos e ajuste de base, porquanto “o planejamento é uma função organizacional contínua frente à um ambiente em mutação permanente, que possibilita conduzir os esforços para

objetivos preestabelecidos, por meio de uma estratégia adequada”. (KUNSCH, 2006, p.38).

O planejamento pode ser classificado em três níveis, o estratégico, o tático e o operacional, descritos no quadro 4:

Níveis Descrição Principais Características

Planejamento estratégico

Mais amplo e abrangente

- Projetado em longo prazo, efeitos e consequências estendido por vários anos futuros;

- abrange a totalidade de uma organização, compreendendo todos os recursos e áreas de atividade, se interessa em atingir os objetivos no nível organizacional;

- sua definição é realizada por intermédio da cúpula organizacional em nível institucional e corresponde ao plano ao plano maior, ao qual todos os demais se subordinam;

- compreende o processo de planejamento propriamente dito, compatibilizando as propostas apresentadas no plano de governo, através de demandas sociais, econômicas e de infraestrutura;

- em nível de governo: o Plano Plurianual marca a etapa de diagnóstico e pré-elaboração do orçamento público.

Planejamento tático

Realizado a nível departamental

- Projetado a médio prazo, seus efeitos e consequências são estendidos por vários anos;

- envolve cada departamento, abrangendo seus respectivos recursos, se interessa em atingir os objetivos departamentais;

- é definido a nível intermediário para cada departamento da organização;

- em nível de governo: prevê a elaboração e implementação das peças orçamentárias, desde a proposição, sanção e execução pelo Poder executivo à apreciação e aprovação pelo poder Legislativo. Planejamento operacional Determinado para cada tarefa ou atividade

- Projetado a curto prazo, para o imediato;

- envolve cada tarefa ou atividade isoladamente e se interessa com o alcance de metas específicas;

- é definido em nível operacional para cada tarefa ou atividade;

- em nível de governo: é a fase de execução e controle das peças orçamentárias, com destaque à Lei Orçamentária Anual (LOA), pois as ações programadas serão materializadas em equipamentos públicos e serviços à partir da execução orçamentária. A avaliação dos programas de governo e de suas ações orientará a elaboração de relatórios públicos para os órgãos de controle interno e externo e a reprogramação do planejamento governamental.

Quadro 4 - Níveis Distintos de Planejamento

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Chiavenato (2003).

Planejamento é o expediente que compreende a tomada de decisões e a avaliação continuada de cada resolução tomada, sendo que estas se inter- relacionam. Tais decisões necessitam serem tomadas antecipadamente através de uma conjuntura onde se crê que se tomando uma atitude apropriada, as possibilidades de resultados positivos aumentam.

(...) aumentam a flexibilidade e o dinamismo da organização, permite uma melhor utilização dos recursos, descentraliza as responsabilidades da gerência operacional, apoia o processo de aprendizado e facilita os processos de mudança organizacional (SANTOS; CARVALHO, 2004, p.19).

Em sua conjuntura, o planejamento relaciona-se ao vocábulo projeto, visto que a análise, elaboração e avaliação são partes integrantes da prática do planejamento, independendo de ser em organização pública ou privada.

Entende-se também que o planejamento é uma ferramenta de administração estatal com cunho democrático. Seu objetivo pode ser aquele que busca a regulação dos gastos públicos, sendo que este propósito é que permite ao planejamento efetivar sua principal função: a de garantir o bem estar da comunidade.

O planejamento no setor público vem amadurecendo através das experiências adquiridas nas das décadas passadas, objetivando a garantia no atendimento das necessidades sociais.

Concomitantemente, para a governança pública, a administração, o planejamento e o desenvolvimento são considerados ferramentas indissociáveis do próprio conceito de governabilidade. A essência desta discussão sobre o planejamento governamental está, de acordo com Santos; Carvalho (2004, p.308), "nas relações entre Estado, sociedade civil e esfera pública; no papel do Estado; nos dilemas entre política e análise de políticas; e nos assuntos que decorrem destas relações", o que remete ao entendimento de que,

A atividade de planejamento aparece, portanto, como tarefa essencial no processo do desenvolvimento econômico, cabendo ao Estado um papel decisivo no esforço de atração e estruturação das atividades industriais. A elaboração de estratégias e planos de desenvolvimento e o estabelecimento de políticas públicas dirigidas para a operacionalização das propostas apresentam-se como ações essenciais para orientar e conduzir movimentos de industrialização em espaços periféricos, consolidando o desenho institucional e a forma de funcionamento do Estado desenvolvimentista. (UDERMAN, 2008, p. 9).

O planejamento aqui se trata de um conjunto de atributos intrínsecos a uma governança pública que busque a justiça social através do desenvolvimento econômico e social, Considerando-se uma noção de desenvolvimento que sirva de contraposição à noção de progresso, visto que este assume apenas um sentido parcial e prático de “melhoramento”.

O conceito de desenvolvimento através do planejamento na governança pública, assim, remete a todas as transformações estruturais dos sistemas socioeconômicos em suas dimensões econômica, social, ambiental e cultural, aludindo às estruturas sociais e mentais, ou seja, onde a dimensão econômica interage de modo recíproco com os aspectos socioculturais.

O professor Matias-Pereira expõe uma importante reflexão a respeito, esclarecendo que:

(...) o papel do setor público é insubstituível no mundo contemporâneo. Por sua vez, a boa governança no setor público se apresenta como um fator decisivo para encorajar o uso eficiente, eficaz e efetivo das ações governamentais, e dessa forma contribuir para o bem comum da sociedade. (Matias-Pereira, 2010, p.37).

Chega-se assim ao entendimento de que a governança pública tem no planejamento a ferramenta utilizada pela administração pública com o objetivo de se executar as políticas estatais através das práticas de boa gestão, atendendo aos anseios da sociedade. Ocorre assim, a materialização do estado através de sua operacionalização, de Governo ou Estado, por si mesmo.