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Planejamento Urbano no Contexto de São José dos Pinhais/PR

2.3 PLANEJAMENTO URBANO E LEGISLAÇÃO

2.3.3 Planejamento Urbano no Contexto de São José dos Pinhais/PR

Na cidade de São José dos Pinhais, até a década de 70 não se tem registros de ações ou estudos de planejamento. Somente no final dos anos setenta, quando o Município já apresentava uma taxa de urbanização de 80,42%, que a Administração Pública iniciou estudos, ainda de forma singela, na área do planejamento urbano objetivando que o crescimento tivesse uma forma de organização que conciliasse os interesses dos diferentes agentes sociais que atuavam na cidade, bem como impedisse a ocupação de áreas impróprias sob o ponto de vista ambiental ou urbanístico. Assim, a Lei Municipal 14/1979 instituiu o Zoneamento de Uso do Solo e definiu as diretrizes do sistema viário, baseado no Plano de Estruturação Urbana.

Em 1985, a Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais em consonância com as ações da COMEC elaboraram uma reavaliação do Plano de estruturação urbana municipal desenvolvido em 1981, pois não havia, até então, definição clara quanto ao destino das áreas já parceladas entre a BR-277 e o Rio Itaqui, bem como não contemplava os conflitos resultantes das atividades lindeiras ao aeroporto. Além desses fatores, a dinâmica urbana exigia uma revisão no plano aprovado anteriormente. Nesse contexto foi proposto o Plano de Reestruturação Urbana, que não chegou a ser regulamentado.

A partir da promulgação da Constituição Federal, em 1988, as políticas de desenvolvimento das cidades brasileiras passaram a incorporar novos instrumentos da reforma urbana, destacando-se a função social da cidade e da propriedade e o direito ao desenvolvimento sustentável. Essas premissas geraram novas demandas ao Poder Público cuja atuação no planejamento da cidade foi tornada mais transparente em seus objetivos e adaptada à realidade de cada espaço urbano e de seus moradores. Em 1990, foi concluído o primeiro ordenamento territorial em forma de Plano Diretor (Lei 57/1990). De caráter mais abrangente que os anteriores, esse plano considerou pela primeira vez o município como um todo, destacando a preocupação com a preservação do ambiente natural. Submetido a algumas modificações pontuais, esse plano permaneceu em vigor até o ano de 2004.

Na aprovação do Plano Diretor Municipal de 2004 foram regulamentadas também a Lei do Perímetro Urbano e a Lei de Uso e Ocupação do Solo Municipal (Lei 10/2004). Em 2005 foi realizada a primeira revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo que resultou na Lei 16/2005 vigente até a presente data. A Lei de Uso e Ocupação do Solo classifica a cidade em 36 zonas e setores distintas a saber: Zona Residencial 1, 2, 3 e 4; Zona Residencial Especial 1 e 2; Zona Central 1, 2 e 3; Zona Especial Estrutural; Zona Industrial e de Serviços; Zona Especial de Ocupação Restrita 1 e 2; Zona Especial de Serviços Intermodais; Zona Especial Institucional;

Zona Especial de Interesse Social; Setor Especial de Áreas Verdes; Zona Especial do Aeroporto; Unidade Territorial de Planejamento do Rio Itaqui; Área de Proteção Ambiental; Área Especial de Interesse Turístico; Distrito Industrial de São José dos Pinhais; Distrito do Campo Largo da Roseira; Sede Colônia Murici; Via Especial São José / Almirante Alexandrino – entre Avenida das Torres e Rua Alfredo Pinto); Via Especial Avenida Rui Barbosa – entre a Avenida das Torres e BR-277; Via Especial Tavares de Lyra – entre Avenida Rui Barbosa e Rua Waldomiro Valaski; Via Especial Marechal Hermes – entre a RFFSA e BR-277; Via Especial Av. das Torres – entre a Avenida das Américas e Rua Joinvile; Via Especial Arpo – entre a BR-376 e o Contorno; Via Especial Joinvile – entre a Rua Tenente Djalma Dutra e a BR-376;

Via Especial Pedro Gapski Filho; Via Especial Cláudia Soares; Via Especial Alfredo Pinto; e Via Especial Primo Simione/Alberto Bichebiche (Figura 4).

A lei expressa por meio da espacialização em mapa os limites das zonas, geralmente em função de barreiras físicas (rios, vias públicas). A Lei também define os usos adequados, permissíveis e proibidos em cada uma das zonas, assim como os parâmetros urbanísticos: dimensão mínima da testada e área mínima do lote;

taxa de ocupação; coeficiente de aproveitamento; altura máxima em pavimentos;

taxa mínima de permeabilidade; recuo mínimo; afastamento mínimo12.

A legislação urbanística que trata da matéria em São José dos Pinhais adotou usos e parâmetros urbanísticos comuns à maioria das legislações das cidades do Brasil. Há que se questionar se esses valores realmente satisfazem as questões de conforto e salubridade, sobretudo se forem consideradas as especificidades de cada região do Brasil, ou até mesmo das cidades. Nenhum estudo relacionando o clima local na cidade foi elaborado para subsidiar as decisões de planejamento ou especificamente os parâmetros de ocupação urbanos. Somem-se a isso as pressões relacionadas ao interesSomem-se econômico, em geral do mercado imobiliário, que anseia sempre por maiores potenciais construtivos sem considerar as perdas ambientais.

A Lei em vigor hoje no Município de São José dos Pinhais é respeitada (ainda que não na sua totalidade), cabendo aos técnicos a sua revisão permanente, principalmente considerando o dinamismo que a cidade apresenta em termos de acréscimo populacional e incremento econômico.

Em 2004 foi criado um órgão municipal responsável pelo planejamento da cidade chamado de Instituto de Desenvolvimento Urbano (IDU), vinculado à Prefeitura Municipal, que tinha como principal desafio planejar o Município de São

12 Como citado anteriormente, a taxa de ocupação representa a relação entre a projeção da edificação e a área do terreno. O coeficiente de aproveitamento é a relação entre a área total construída e a área do terreno. A taxa de permeabilidade mínima é calculada pela relação entre a área permeável (gramas, pedriscos) e a área do terreno. O recuo mínimo representa a distância entre a fachada da edificação e a testada do lote e o afastamento lateral é a distância mínima entre o limite extremo da projeção da edificação e as divisas do lote, não considerando os beirais.

José dos Pinhais para acompanhar seu crescimento. Esse Instituto funcionou até o ano de 2008 quando por questões políticas foi fechado, retornando as atividades de planejamento à Prefeitura Municipal. Desde então pouco se avançou no campo do planejamento urbano municipal, principalmente considerando que no Plano Diretor foram previstos instrumentos jurídicos a serem normatizados após a aprovação do PD, o que não ocorreu. Soma-se a isso, as ações de planejamento propriamente ditas que devem considerar o processo contínuo, independentemente de interferências políticas.

Desta forma, nos últimos anos pouco se avançou em termos de planejamento em São José dos Pinhais, que cresce em ritmo acelerado e aponta problemas de difícil solução, situação que tende a tornar-se mais contundente nos próximos anos. Um exemplo é o sistema viário da cidade que possui vários pontos críticos, causando numerosos prejuízos econômicos e de tempo aos usuários, além de trajetos desnecessários. Outro aspecto são as áreas com restrições de ocupação definidas por lei, dentre elas Área de Preservação Permanente (APP), Área de Proteção Ambiental (APA), Unidade Territorial de Planejamento (UTP), que não são vistoriadas pela Administração Pública, sendo conivente com as ocupações irregulares. Ou ainda o precário e não integrado transporte coletivo que necessita de novos estudos, novas linhas e adequações para atender a demanda. Com esses três exemplos, que constituem o tripé do planejamento (uso do solo, sistema viário e transporte coletivo) confirma-se a necessidade e a urgência na busca de soluções amparadas no planejamento urbano, objetivando a qualidade de vida.

Especificamente quanto as leis que regulamentam a matéria do planejamento municipal, a Lei de Uso e Ocupação do Solo ou Lei de Zoneamento é a mais polêmica por estabelecer possibilidades (ou não) de usos dentro do espaço municipal, segregando-o. É responsável também por quantificar esse “uso” por meio de parâmetros de ocupação. Essas definições interferem diretamente nas questões econômicas que revertem em aceleração ou retardo no desenvolvimento de um determinado território.

Isso significa dizer que a proposição da lei desta natureza pode favorecer o desenvolvimento de uma cidade atraindo novos empreendimentos e conseqüentemente o aumento da economia local, como também pode estagná-la. É notório que para embasar as definições da lei de zoneamento ou uso e ocupação do solo, deve-se preliminarmente conhecer a realidade da cidade, valendo-se para isso de estudos que identifiquem as potencialidades, deficiências e condicionantes locais em todos os aspectos, sejam eles, espaciais, ambientais, sociais e institucionais.

Cabe a cada município, através do plano diretor e de sua legislação urbanística municipal, instituir instrumentos e padrões urbanísticos e ambientais, associados a um sistema eficaz de gestão e fiscalização do solo urbano, voltados a combater a implantação de loteamentos urbanos que aumentam a degradação ambiental e reduzam a qualidade de vida nas cidades, bem como promover uma reforma urbana que torne efetivo o direito à cidade, reduzindo a desigualdade e a exclusão social.

O planejamento da cidade, dentre outros fatores, deve considerar o clima urbano, devido a sua interferência direta na vida do citadino e conseqüentemente na sua qualidade de vida. Nesse sentido, com o objetivo de construir um pensamento lógico referente a esta tese e possibilitar ao leitor o entendimento do raciocínio do autor, o próximo capítulo trata do clima urbano, suas particularidades e sua relação com o adensamento populacional. Traz estudos que associam clima urbano com planejamento, outros que utilizaram imagens de satélite, análise do uso do solo, além de outras técnicas nos estudos de casos.