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4 POLÍTICA LOCAL E PLANEJAMENTO EM PACATUBA – CE

4.3 Planejamento urbano

Em Pacatuba, a primeira experiência municipal no âmbito do planejamento territorial se deu em 2001, quando foi elaborado o Plano Diretor de Pacatuba – CE, através do Programa de Desenvolvimento Urbano e Gerenciamento de Recursos Hídricos (PROURB) financiado com recurso do Banco Mundial (BM).

Da mesma forma que o atual Plano Diretor Participativo, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano proposto pelo Governo do Estado também aporta em Pacatuba sem contar, por parte da administração local com uma compreensão sobre o que se tratava, e muito menos sobre os benefícios que poderia trazer para gestão municipal.

Assim, pode-se afirmar que a elaboração do Plano Diretor não foi fruto nem de uma pressão da sociedade civil organizada, nem da vontade política do governo municipal. Ele representou uma proposta de um governo estadual que buscou implementar políticas públicas que incentivassem o empoderamento das comunidades locais frente aos chefes do poder municipal. Essa política de incentivar a participação no âmbito local visava também, a construção de uma hegemonia política favorável ao grupo tassista em nível estadual (MESQUITA, 2007, p.66).

O processo de elaboração do PDDU de Pacatuba estava centrado em um conjunto de agentes que, em parceria, conduziram a elaboração do Plano: a Prefeitura Municipal, por intermédio do Prefeito, Secretários Municipais e técnicos da secretaria de infra-estrutura do município, em particular os técnicos designados para o trabalho, como arquiteto, engenheiro civil e assistente social; técnicos do consórcio de consultores; e técnicos da SDLR, responsáveis pelo acompanhamento dos trabalhos.

Participaram, também, representantes do Poder Legislativo Municipal e de órgãos do Poder Executivo estadual com atuação mais relevante no município. O Plano contou, ainda, com a participação de representantes de conselhos municipais, associações comunitárias urbanas e rurais e sindicatos de trabalhadores e de empresários.

Para a elaboração do Plano Estratégico de Pacatuba, foram realizadas oficinas, técnicas de mobilização e de capacitação. De acordo com o documento do Plano Estratégico, parte integrante do plano Diretor, as oficinas eram conceituadas como

60 [...] atividades que se caracterizam pela utilização de técnicas de dinâmica de grupo e de visualização. As primeiras permitem que, simultaneamente, sejam trabalhados conteúdos e melhoradas as relações interpessoais no grupo, evitando-se, assim, uma ênfase excessiva nos aspectos intelectuais das atividades de planejamento e gestão. Afinal, o êxito destas depende não só do preparo técnico, como de qualidades pessoais, que se traduzam em capacidade de contribuir para o trabalho coletivo. Quanto à utilização de técnicas de visualização (cartões coloridos, painéis e outras), considera-se que a comunicação se torna melhor quando as informações audíveis são complementadas por informações visuais. A visualização aumenta as chances de que sejam considerados pontos de vista e opiniões que, de outra maneira, poderiam ser facilmente negligenciados (PDDU, 2001, p.12).

As oficinas eram realizadas com a participação de técnicos municipais de secretarias afins ao assunto em discussão e, principalmente, ligadas à força política municipal. Essa questão foi bastante intensa tendo em vista que as oficinas participativas ocorreram no período eleitoral de 2000. Neste período, o município de Pacatuba passa por uma disputa intensa das forças políticas municipais. Soma-se a esse fato outras fragilidades quanto à efetividade do processo participativo:

a) falta de capacitação dos agentes técnicos e agentes comunitários a fim de garantir uma atuação mais crítica quanto aos assuntos tratados nas oficinas participativas;

b) ausência de uma sociedade civil organizada, propositiva e atuante no município capaz de problematizar assuntos, politizando o debate sobre os problemas da cidade;

c) oficinas foram realizadas somente na sede municipal;

d) falta de publicidade sobre o PDDU que apesar de ser realizado de forma participativa foi pouco divulgado tanto para a população quanto para os técnicos municipais que não estavam diretamente envolvidos.

Apesar das fragilidades apontadas, o PDDU foi uma das poucas experiências no município capazes de propiciar uma ação conjunta entre instâncias do governo e sociedade local.

O PDDU enquanto instrumento de gestão não foi capaz, porém, de conter o avanço desordenado da cidade, nem de impedir o crescimento de partes da cidade não contidas no Plano. Na verdade, a cidade cresce e se desenvolve independente do PDDU, sem uma atuação efetiva da administração pública; o problema continua sendo que independente de planos, a população carente continua a morar em locais sem infra-estrutura urbana e com risco ambiental.

Outra constatação foi que a existência de um documento de planejamento urbano não foi suficiente para tornar a atuação do governo municipal mais racionalizada e técnica. Os improvisos, as trocas de favores subsistem, independentes de Plano.

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Desde a sua aprovação, o Plano Diretor de Pacatuba foi pouco discutido e minimamente implementado. De acordo com a opinião dos técnicos que participaram da sua elaboração, houve falta de interesse da Administração Municipal em destinar recursos para garantir a execução do Plano. Na verdade, nos diálogos realizados com a equipe, percebi mesmo uma falta de conhecimento sobre o que é o PDDU.

“No papel cabe tudo, mas a prática é outra” – esta afirmação, feita por um técnico municipal, mostra a distância entre o mundo planejado e organizado constante no PDDU, e o que se verifica no cotidiano do município.

“A ilusão do Plano diretor” presente nos discursos dos consultores contratados e dos técnicos do PROURB, quase nada conseguiu produzir em termos de resultados concretos para a população municipal. De acordo com Villaça (2005), o poder atribuído aos Planos Diretores não tem nenhuma ressonância prática, sendo quase inexistente a experiência concreta de sua implementação. Assim, sem ainda conhecer o seu PDDU, o município de Pacatuba iniciou seu processo de revisão do Plano, atendendo à exigência legal de adequá-lo ao que estava contido no Estatuto da Cidade, lei nº 10.257.

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