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4. Prática: O encontro com a realidade

4.2. Corrida contra o tempo: Conceber, planear, realizar, avaliar e,

4.2.2. Planear: Refletir antes de agir

4.2.2.1. Plano anual: A contextualização do ensino

O planeamento é “o elo decisivo da ligação das exigências programáticas à situação concreta” (Bento, 2003, p. 58). Como primeiro nível de planeamento (macro) surge a realização do plano anual. O plano anual assume-se como uma

“big picture” da distribuição, por turma, dos conteúdos prioritários a abordar, do

tempo disponível para a sua lecionação, dos espaços e materiais a utilizar e dos objetivos gerais a alcançar (Metzler, 2000). Bento (2003) acrescenta que o plano anual apresenta-se como um plano sem pormenores da atuação do professor ao longo do ano, necessitando, porém, de uma preparação, análise e reflexão na sua elaboração e constante retificação. O plano anual é, também, entendido, como “um plano de perspetiva global que procura situar e concretizar o programa de ensino no local e nas pessoas envolvidas” (Bento, 2003, p. 59), sendo “o primeiro passo do planeamento e preparação do ensino” (Bento, 2003, p. 67). Desta forma, para ensinar é preciso planear. Para tal, é necessário conhecimento e estratégias na tentativa de definir uma linha orientadora para o professor, tendo sempre como foco os objetivos a alcançar (Siedentop, 1991). No início do ano foi-nos solicitado que elaborássemos o plano anual de cada uma das nossas turmas atribuídas pelo PC. Assim, com o auxílio da análise do programa de EF e dos documentos centrais e locais da EC, selecionei as

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modalidades e os conteúdos tendo em atenção o ano de escolaridade, o nível em que os alunos se encontravam e a carga horária previamente definida para cada turma. A seleção das modalidades a abordar teve determinados aspetos em consideração refletidos em reunião do grupo de EF: a inclusão da modalidade de andebol, como sendo das primeiras a ser abordadas para a captação de atletas para as equipas de desporto federado desta instituição; o desenvolvimento da modalidade de atletismo, nomeadamente, da corrida de resistência aeróbia com vista à preparação dos alunos para a participação no corta-mato escolar realizado no final do primeiro período; a preparação dos alunos do Curso de Animação e Gestão e Desportiva para a realização dos pré- requisitos, sendo que até à data da sua realização a ênfase dos conteúdos seria dada às modalidades de ginástica, atletismo e natação (modalidades que a maioria dos alunos apresenta maior dificuldade); e, também, a introdução de modalidades alternativas. Estas diretrizes procuraram assegurar aos alunos a oferta de um vasto leque de habilidades, desafios e novas experiências que os tornarão mais cultos desportivamente. Sempre com o intuito de os motivar para a prática desportiva regular. Como nos revela Rink (1993) o plano anual define as prioridades sobre o que é mais importante de ensinar, estabelecendo uma relação mútua com os seguintes níveis de planeamento: a UD e o plano de aula. Assim, e tendo em conta os aspetos acima referidos, no início do ano letivo, procedi à elaboração do plano anual referente a cada uma das “minhas” turmas. Na escolha das modalidades a abordar uma determinada liberdade orientada pelo PC foi atribuída, a mim e aos meus colegas de NE, a fim de optarmos pelas matérias que preferíssemos, sempre com o cuidado de seguir os aspetos referidos no parágrafo anterior.

O plano anual da turma alusiva ao 6º ano de escolaridade foi construído em conjunto com os meus colegas de NE, uma vez que foi a nossa turma partilhada. Como já referimos no capítulo anterior, a distribuição das aulas nesta turma foi de uma aula por semana para cada um de nós, visto que a sua carga horária semanal se repartia em três vezes numa hora por dia. Optámos, assim, por selecionar três modalidades por período, alternando entre modalidades coletivas e individuais, percorrendo o atletismo, o andebol, o basquetebol, a

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dança, o voleibol, a ginástica, o futebol e as lutas. Esta grande variedade de modalidades proporcionou aos alunos um vasto desenvolvimento motor, uma diversificada aquisição de habilidades motoras e de cultura desportiva e um leque recheado de novas experiências.Como nos revelam Graça e Mesquita (2013, p. 11)“o ensino dos jogos tem que conduzir a uma melhoria da capacidade de jogar, de entender e de fruir o jogo; a uma melhoria da relação com a situação de jogo e com os intervenientes”, conduzindo a uma formação do aluno desportivamente competente e entusiasta. A apresentação de uma coreografia de dança foi um dos nossos principais focos e desafios planeados com esta turma e que, com sucesso, conseguimos concretizar. Tentámos, desta forma, proporcionar um desenvolvimento motor o mais diversificado possível, onde as quatro categorias de Vickers (1990) mantiveram-se sempre presentes: desenvolvimento da cultura desportiva; das habilidades motoras; da fisiologia do treino e da condição física; e dos conceitos psicossociais, numa formação indispensável e contínua de competências para a vida (Rosado, 2011).

Na construção dos restantes planos anuais pertencentes às minhas duas turmas, os mesmos foram bastantes distintos devido ao caráter do curso em questão. Por um lado, lecionei a disciplina de EF com a turma do 11º ano, onde realizei um plano anual semelhante às turmas dos mesmos anos de escolaridade dos meus colegas de NE. Por outro lado, na minha turma do 12º ano lecionei a disciplina de APD, onde o plano anual foi um pouco díspar das outras turmas. No planeamento do 11º ano, mais uma vez, reunimos os três e refletimos sobre o que achávamos mais pertinente abordar e como o iríamos concretizar. Concluímos que o primeiro período seria o mais extenso e optámos por considerar três modalidades no mesmo: uma coletiva (andebol) e duas individuais (atletismo e badminton). No segundo período selecionámos apenas duas modalidades: uma coletiva (voleibol) e uma individual (ginástica acrobática). Por fim, no terceiro período o futebol foi a modalidade de eleição devido à melhoria das condições climatéricas podendo utilizar os campos sintéticos para a prática desta modalidade situados na parte exterior da EC. Neste último período planeamos, também, o ensino das modalidades alternativas râguebi e softbol. Esta inserção apareceu como forma de difundir

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estas modalidades, oferecendo aos alunos experiências variadas, não nos limitando, apenas, às modalidades ditas “tradicionais”. A divisão do número de aulas para cada modalidade foi bastante equitativa, conseguindo alternar entre oito a dez aulas por modalidade. No entanto, em determinados casos específicos foi necessário o acrescento de mais uma ou duas aulas. Na modalidade de ginástica acrobática foi preciso esse implemento, uma vez que os alunos se dirigiram a mim e questionaram-me: “Oh professora podemos ter mais uma ou

duas aulas de ginástica? É que os nossos esquemas ainda não estão bem preparados para a avaliação e temos medo de tirar má nota”. Este tipo de

situações foi-nos previamente avisado pelo nosso PC, que com a sua experiência na prática, sabia que estas situações poderiam se suceder. Assim sendo, no plano anual, no final de cada período coloquei duas aulas apelidadas de “aulas de reserva” para que se eventuais casos assim se verificassem, nenhuma matéria ficaria prejudicada, não sendo necessárias profundas alterações nos objetivos previamente definidos.

Relativamente ao meu planeamento com a turma do 12º ano na disciplina de APD, o meu plano anual foi de encontro à preparação dos alunos para a realização dos pré-requisitos, inserindo as modalidades de ginástica, atletismo e natação na grande “mancha” do primeiro e segundo períodos e, também, no primeiro mês do terceiro, uma vez que a data das provas se situava na primeira semana do mês de maio. No entanto, no segundo período alternei as aulas de ginástica com uma modalidade coletiva lecionada de três em três semanas, uma vez que senti os alunos um pouco desmotivados sem a presença de jogos desportivos coletivos. Foram dois anos, 10º e 11º ano, onde nesta disciplina não desenvolveram jogos desportivos coletivos, devido aos objetivos da mesma. No entanto, quando optei por introduzir esta adaptação senti que consegui cativar os alunos, motivando-os de novo para as modalidades com mais dificuldades, fazendo-os compreender que só com treino, trabalho, empenho e esforço é que iriam conseguir atingir os seus objetivos. A partir da realização dos pré- requisitos, em maio de 2015, restava-me um mês para planear. Optei, juntamente com o PC, por incluir diferentes modalidades coletivas, como forma de possibilitar aos alunos a passagem por diversas aprendizagens. Essa

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passagem iria complementar o que foram desenvolvendo nas aulas referentes à disciplina de EF desde o 10º ano de escolaridade até ao 12º, realizando, assim, uma pequena revisão das diferentes matérias: voleibol, andebol, basquetebol, futebol e râguebi.