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3.1 EXPERIMENTO DE ESTOCAGEM PROLONGADA

3.1.4 Plano de amostragem

a) Método de amostragem

Para a amostragem foram confeccionados coletores em PVC (bomba de sucção), de 1 metro de comprimento, formados por um tubo de diâmetro menor (10 cm) inserido em outro de maior diâmetro (15 cm), conectados por um redutor. O funcionamento ocorre pelo deslocamento vertical do tubo interno, succionando o lodo para o tubo visando obter um perfil integral das amostras. Foram confeccionados 2 amostradores para cada tipo de lodo. Baldes, espátulas e pás foram utilizados para auxílio na coleta, tomando os cuidados necessários para não haver contaminação das amostras. O lodo foi coletado em diferentes pontos da leira ao longo do seu perfil vertical (FIGURA 3.12), formando uma amostra composta homogeneizada, que foi então quarteada, seguindo orientações da (USEPA, 2003), formando amostras com no mínimo 1 kg para as análises microbiológicas e parasitológicas.

O acondicionamento foi feito em embalagens estéreis e armazenadas/refrigeradas em caixas do tipo cooler, mantendo a temperatura em torno de 4 ºC, para o envio aos laboratórios.

FIGURA 3.12 – AMOSTRAGEM DO LODO NA UNIDADE EXPERIMENTAL: (A) PONTOS DE COLETA; (B) (C) COLETORES DE PVC UTILIZADOS

B)Parâmetros analisados e frequência das análises

A amostragem inicial havia sido programada para um período mínimo de 1 (um) ano, com o intuito de abranger as quatro estações do ano para acompanhar as influências climatológicas e as transformações no lodo, finalizando até o lodo estar

higienizado. De acordo com os resultados preliminares obtidos, baseados no acompanhamento do decaimento dos microrganismos e levando em conta fatores econômicos e tempo de desenvolvimento da tese, ficou estabelecido um período de 2 (dois) anos, com início em abril de 2012 e término em abril de 2014, que foi realizado conforme descrito na Tabela 3.4, apresentado juntamente com a nomenclatura utilizada para o tempo.

Foram analisadas 66 amostras em cada uma das 9 coletas realizadas referentes aos 16 tratamentos com quatro repetições e aos dois tratamentos sem repetição. Foram descartados os resultados t0 para ovos de helmintos e t0 no lodo séptico para Salmonella spp..

As amostras de ovos de helmintos e sólidos totais foram analisadas sempre em duplicata. Não foram realizadas análises em t17, t30 e t47, no LUASB1 em FRG para ovos de helmintos. Ao todo foi realizada a contagem de ovos de helmintos de 1.092 amostras de lodo de esgoto no experimento de estocagem prolongada.

Desconsiderando a amostragem em t0, tem-se 960 amostras válidas para este parâmetro.

Os resultados apresentados em t0 referem-se às concentrações de sólidos totais, relação sólidos voláteis/sólidos totais (SV/ST) e coliformes termotolerantes, além do potencial hidrogeniônico (pH). Os resultados de ovos de helmintos são apresentados a partir de t4, quatro semanas após o início do experimento em virtude da adaptação dos laboratórios. Os resultados gráficos são apresentados por semana, correspondendo às amostragens realizadas.

TABELA 3.4 – LEGENDA UTILIZADA PARA A VARIÁVEL TEMPO E FREQUÊNCIA DAS ANÁLISES REALIZADAS NO EXPERIMENTO DE ESTOCAGEM PROLONGADA DE LODO, POR PARÂMETRO

DATA DE COLETA , PERÍODO CORRESPONDENTE E TEMPO Tempo (semanas)

3.1.4.1 Análise de dados

A realização das análises laboratoriais ocorreu em diferentes laboratórios e instituições. Na Tabela 3.5 são apresentados os parâmetros analisados ao longo do processo, o método analítico e o laboratório responsável.

TABELA 3.5 ANÁLISES LABORATORIAIS REALIZADAS NO PERÍODO DO PROJETO – ESTOCAGEM PROLONGADA

Parâmetros Laboratório Responsável Método

Sólidos totais e sólidos

voláteis totais UFPR – LABEAM APHA (1998)

Ovos viáveis de helmintos UFPR – PARASITOLOGIA E UP YANKO MODIFICADO (2000)

pH UFPR – LABEAM APHA (1998)

Salmonella spp. UP USEPA (2003)

Coliformes

Termotolerantes UP CONAMA 376/06

NOTA: UP – Universidade Positivo; UFPR – Universidade Federal do Paraná

Nos primeiros meses, quando o lodo ainda se encontrava com características líquidas, para a realização da análise de sólidos totais o lodo foi submetido a banho-maria.

A contagem de coliformes termotolerantes em amostras de lodo de esgoto e tanque séptico e Salmonella sp. foi realizada pela técnica dos tubos múltiplos, de acordo com o preconizada na norma CONAMA 375/2006. As análises foram realizadas no Laboratório de Microbiologia da Universidade Positivo – UP.

O método utilizado para contagem de ovos viáveis de helmintos é o de YANKO modificado, metodologia descrita por Thomaz-Soccol, Paulino e Castro (2000). Os resultados referem-se a ovos dos seguintes Helmintos: Ascaris sp., Toxocara sp., Trichuris trichiura, Trichuris vulpis, Trichuroidea, Himenolepis diminuta e Taenia sp..

Contudo, foram utilizados os resultados do gênero Ascaris sp. para avaliação de ovos viáveis de helmintos, uma vez que a metodologia estabelecida pela legislação vigente (BRASIL, 2006; PARANÁ, 2009) refere-se a detecção, enumeração e determinação de viabilidade de ovos de Ascaris (BOWMAN; LITTLE;

REIMERS, 2003; EPA, 2003). De forma simplificada, essa metodologia consiste no emprego de técnicas de sedimentação, flutuação e centrifugação com a utilização de

soluções que propiciam uma maior limpeza da amostra. Inicialmente a amostra é tamponada (tampão fosfato), contendo um surfactante (Tween 80). Após a diluição com água deionizada, a amostra é filtrada para a remoção de partículas sólidas e fica em repouso por 12 horas para sedimentação. O sobrenadante é retirado e o sedimento colocado em tubos, centrifugado a 1250 rpm por 3 minutos. O sedimento resultante é resuspenso com solução de sulfato de zinco e centrifugado a 1250 rpm por 3 minutos. O sobrenadante é transferido para um frasco erlenmeyer e diluído à metade da sua concentração, com água deionizada. Em seguida, aguarda-se a sedimentação por 3 horas. O sedimento é resuspenso em água e transferido para tubos e centrifugado a 1400 rpm por 3 minutos. o sedimento resultante é ressuspendido em solução ácido-álcool-éter e novamente centrifugado. O sedimento resultante é ressuspendido em 4mL de solução 0,1N de H2SO4. A amostra é incubada em estufa a 26 ºC, sendo a contagem dos ovos totais e viáveis efetuada após 4 semanas em câmara de Sedgwick-Rafter.

A contagem de coliformes termotolerantes em amostras de lodo de esgoto e tanque séptico foi realizada pela técnica dos tubos múltiplos, de acordo com o preconizado na norma CONAMA 375/2006. As análises foram realizadas no Laboratório de Microbiologia da Universidade Positivo – UP.

A metodologia para diagnóstico de Salmonella em amostras de lodo de esgoto e tanque séptico foi a de Meio Rappaport-Vassialidis modificado (EPA, 2006).

As análises foram realizadas no Laboratório de Microbiologia da Universidade Positivo – UP.

Os vírus não foram analisados em virtude dos recursos laboratoriais disponíveis.