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2. REVISÃO DE LITERATURA

4.5. PLANO DE COLETA DE DADOS

Os instrumentos utilizados para avaliar os pacientes foram a anamnese, a antropometria e os exames laboratoriais. As informações resultantes foram registradas numa ficha de coleta de dados (Apêndice 2). O tempo decorrido desde o diagnóstico da infecção pelo HIV, o tempo total de uso dos ARV, os ARV utilizados e o tempo de uso para cada um deles foram coletados mediante consulta aos prontuários médicos.

4.5.1. Dados antropométricos

Os dados antropométricos utilizados para a avaliação foram peso, altura, índice de massa corporal (IMC) e circunferência da cintura (CC). A estatura corporal foi medida através de um antropômetro fixo a uma balança mecânica de plataforma, marca Filizola, com precisão de 0,1 cm. O peso corpóreo foi avaliado através da mesma balança, com precisão em 100 gramas. O IMC foi calculado como a razão entre o peso em quilogramas e o quadrado da estatura em metros. Os pacientes foram, de acordo com as recomendações da Organização

Mundial de Saúde, 69 distribuídos conforme seus IMC em indivíduos de baixo peso (IMC <18,5); indivíduos eutróficos (IMC entre 18,5 e 24,9); indivíduos com sobrepeso (IMC > 25); e obesos (IMC > 30 kg/m2).

A CC foi medida por meio de fita antropométrica inelástica com precisão de 0,1 cm, adotando as técnicas e critérios de classificação preconizados pela Organização Mundial de Saúde. 70 Foram considerados indicativos de obesidade central os valores de CC  90 cm para homens e  80 cm para mulheres. 46 Foram considerados dois critérios para a classificação conforme o risco cardiovascular: (1) Considerou-se que havia RCV quando os valores de CC foram >94 cm para homens e >80 cm para mulheres. 70 Este critério foi usado para a comparação com outros estudos, uma vez que foi o mais empregado na literatura consultada. (2) Com o fim de estabelecer possíveis associações com outras variáveis do presente estudo, estabeleceu-se a classificação sugerida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que estabelece pontos de corte específicos para a medida da circunferência da cintura para cada sexo. Estes pontos de corte, de 102 cm para os homens e de 88 cm para as mulheres, são aplicados em conjunto com os IMC, de modo a gerar quatro categorias de risco cardiovascular: (1) aumentado, correspondendo a um IMC entre 25 e 29,9 com cintura abaixo dos limites; (2) alto, correspondendo a um IMC entre 25 e 29,9 com cintura acima dos limites, ou a um IMC entre 30 e 34,9 com cintura abaixo dos limites; (3) muito alto, correspondendo a um IMC entre 30 e 34,9 com cintura acima dos limites, ou a um IMC entre 35 e 39,9 com qualquer cintura; e (4) extremo, correspondendo a um IMC  40,0, não importando também a medida da cintura. 70

4.5.2. Dados laboratoriais

Os exames laboratoriais do perfil lipídico, da glicemia, bem como a medida da carga viral e dos linfócitos T CD4 foram coletados do Serviço de Infectologia no mesmo dia da entrevista com a nutricionista. Estes exames foram processados conforme a rotina do HUAP.

As dosagens séricas dos lipídios foram consideradas normais quando assumiram valores inferiores a 200 mg/dL para o CT; inferiores a 150 mg/dL para os TG; superiores a 40 mg/dL (entre os homens) ou 50 mg/dL (entre as mulheres) para o HDL; e inferiores a 130 mg/dL para o LDL. Estes valores correspondem aos preconizados pela IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. 86 Em algumas comparações, os valores do CT foram considerados como normais quando menores de 200 mg/dL, limítrofes quando 200 mg/dL mas <240 mg/dL, e aumentados quando 240 mg/dL. Estes valores são preconizados pelo NCEP e também recomendados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. 54

Em relação à glicemia de jejum foram considerados normais os valores inferiores a 100 mg/dL, conforme o que preconiza a Federação Internacional de Diabetes. 46 Indivíduos com valores superiores a 126 mg/dL foram considerados “diabéticos”, conforme recomendação da American Diabetes Association. 51

A análise laboratorial do colesterol foi realizada in vitro (em soro e plasma) com o método CHOL (Dimension Clinical Chemistry System - Siemens) utilizando a técnica

polimérica (esterase colesterol). A análise do HDL foi realizada utilizando o método ensaio AHDL CHOL, um método homogêneo para a medição direta dos níveis de HDL sem a necessidade de qualquer passo de pré-tratamento exterior ou centrifugação (Flex Reagent Cartridge - Siemens). A análise dos TG in vitro (soro e plasma) foi realizada com o método

que se baseia no processo enzimático com o cartucho de reagente TG Flex (Flex Reagent Cartridge - Siemens). Na análise da glicemia foi utilizado o método GLU (DimensionClinical Chemistry System - Siemens) que é uma adaptação do método da hexoquinase-

glicose-6-fosfato desidrogenase (apresentado por Kurst e colaboradores), um teste diagnóstico in vitro (soro, plasma, urina e líquido cefalorraquidiano) com a técnica bicromática. Todos os exames bioquímicos foram realizados após um jejum de 12 horas. Os valores do LDL foram calculados pela equação de Friedewald:

LDL = CT - HDL - TG/5

onde TG/5 representa o colesterol ligado à VLDL, segundo a IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. 86 Em pacientes com hipertrigliceridemia (nível de TG acima de 400 mg/dL), com hepatopatia colestática crônica, diabetes melito ou síndrome nefrótica, a equação é imprecisa. Como a fórmula de Friedewald é adequada para a maior parte dos pacientes e tem custo muito menor, sendo por esta razão empregada pelo Hospital, o seu uso no estudo foi aceito.

A técnica utilizada para a medida de carga viral foi a do DNA ramificado, cujos limites mínimo e máximo de detecção são de 50 cópias e 500 mil cópias por ml de sangue, respectivamente. A técnica utilizada para a contagem dos linfócitos T CD4 foi a de citometria de fluxo (Facscalibur). Os exames são rotineiramente executados no Laboratório Municipal Miguelote Viana.

4.5.3. Síndrome metabólica

Os critérios para definição da síndrome metabólica foram os sugeridos pela IDF com a presença obrigatória de obesidade central conforme valores específicos para sul e centro americanos (CC 90 cm para homens e 80 cm para mulheres) mais a presença de pelo menos dois dos seguintes fatores: TG elevados ( 150 mg/dL), valores reduzidos de HDL (<40 mg/dL em homens e <50 mg/dL em mulheres), pressão arterial elevada (TA sistólica 130 mm Hg ou diastólica 85 mm Hg), e glicemia de jejum elevada (100 mg/dL). 46

O critério de hipertensão aplicado em nossos pacientes foi o diagnóstico de hipertensão feito pelo médico acompanhante, complementado pela presença, no prontuário, de medidas da pressão arterial superiores aos limites acima descritos ou de tratamento anti-hipertensivo.

4.5.4. Hábitos e história de vida

As informações referentes ao tabagismo, etilismo e atividade física foram fornecidas pelos próprios pacientes, bem como as referentes à história de doenças oportunistas, ao uso de outros medicamentos, à presença de outras doenças prévias não relacionadas ao HIV/aids e à história familiar dessas doenças. Estas informações foram coletadas no questionário no momento da avaliação antropométrica.

Consideraram-se não-etilistas os indivíduos sem o hábito de ingerir álcool e etilistas os que o faziam pelo menos uma vez por semana. Foi considerado tabagista o paciente que se disse fumante no momento da entrevista. Em relação à atividade física, foram considerados sedentários os que não praticavam nenhuma atividade, ou que o faziam menos de três vezes por semana durante menos de 30 minutos, e ativos todos os outros. O que se considerou uma atividade física foi o exercício, por um período superior a 30 minutos, com frequência mínima de três vezes por semana, de atividades físicas aeróbias (como aeróbica, caminhada, pedalada ou corrida) e anaeróbias (musculação). 86

Perguntou-se também aos pacientes se tinham recebido algum tipo de orientação sobre sua alimentação e, em caso afirmativo, de que profissional a tinham recebido, porque motivo a tinham procurado, e se efetivamente seguiam esta orientação.

A etnia foi a declarada pelo próprio paciente, segundo as seguintes opções: branca, negra, amarela (para os de origem japonesa, chinesa, coreana etc.), parda e indígena, conforme definido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 11

A escolaridade foi também a descrita pelos próprios pacientes, e classificada do seguinte modo: (1) Analfabeto; (2) Fundamental incompleto; (3) Fundamental completo; (4) Ensino médio incompleto; (5) Ensino médio completo; (6) Ensino superior incompleto; (7) Ensino superior completo. Os critérios para classificação foram os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 11

A renda familiar foi também a declarada pelos próprios pacientes, sendo classificada, de acordo com a tabulação padronizada pelo IBGE para a realização do Plano Nacional de Amostragem de Domicílios (PNAD) de 1998, 9 segundo as seguintes categorias: (1) sem rendimento; (2) inferior a um salário mínimo; (3) entre 1 e 2 salários mínimos; (4) entre 2 e 3 salários mínimos; (5) entre 3 e 5 salários mínimos; (6) entre 5 e 19 salários mínimos; (7) de 20 ou mais salários mínimos; e (2) não declarada.

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