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2.5 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE APLICADAS AO SETOR

2.5.2 NBC T 16.2 Patrimônio e sistemas contábeis

2.5.2.1 Plano de Contas Aplicado ao Setor Público PCASP

A Contabilidade enquanto ciência deve registrar os atos e fatos originários da administração da organização, com o objetivo de evidenciar com fidedignidade a situação patrimonial da entidade e fornecer informação útil para o controle social, a tomada de decisão e a prestação de contas. Esses registros necessitam de padronização a fim de facilitar o entendimento e localização da informação, seguindo, dessa forma, uma linha preestabelecida para produzir os efeitos desejados. Por essa razão, o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público é construído com base em contas contábeis, distribuídas obedecendo à determinada ordem lógica (SCHNEIDER e MIGUEL, 2013).

Podemos observar o que o MCASP na sua 5ª Edição trás sobre o conceito de contas contábeis:

Conta é a expressão qualitativa e quantitativa de fatos de mesma natureza, evidenciando a composição, variação e estado do patrimônio, bem como de bens, direitos e obrigações e situações nele não compreendidas, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo.

Para ajudar nesse entendimento, SCHNEIDER e MIGUEL (2013, p. 202) explicam sobre 1 – “expressão qualitativa e quantitativa de fatos de mesma natureza”, 2 – “evidenciando a composição, variação e estado do patrimônio” e 3 – “bem como de bens, direitos e obrigações e situações nele não compreendidas, mas que, direta ou indiretamente, possam vir a afetá-lo”:

1 – as contas contábeis do setor público registram fatos que possuem a mesma natureza, ou seja, situações que ocorrem no dia a dia que possuem a mesma semelhança e, por isso, podem ser registradas na mesma conta contábil. Tal registro terá efeito no patrimônio de maneira qualitativa (altera o peso de uma conta em relação as demais) e quantitativa (altera a situação patrimonial);

2 – o conjunto de contas contábeis que faz parte de um plano de contas que se encontra um patrimônio, em determinada data. Além disso, evidencia também quais foram as variações sofridas em determinado período de tempo e como elas se deram;

3 – Esta parte final mostra que, além dos fatos que devem ser registrados e que evidenciam em que montante e de que maneira ocorrem as variações no patrimônio, os atos também devem se registrados, uma vez que poderão causar alterações patrimoniais.

O PCASP que de acordo com a Portaria STN 753/2012 deverá ser adotado por todos os entes da Federação até o término do exercício de 2014 (CFC, 2012) pode ser entendido, de acordo com Scheinder e Miguel (2013, p. 209) como:

uma estrutura básica, que possui uma quantidade de contas distribuídas logicamente, onde serão realizados os registros dos atos e fatos administrativos que ocorrem na vida da entidade, permitindo a geração de informações de ordem gerencial, para tomada de decisão, bem como a elaboração de demonstrações que evidenciam a sua composição patrimonial em um determinado período.

Podemos definir como o objetivo do PCASP, organizar os registros dos atos e fatos administrativos, padronizando-os, organizando-os logicamente, conforme o tipo de registro, facilitando o acesso à informação no momento da tomada de decisão, dando agilidade ao gerenciamento e evidenciando, para os interessados (consolidação das contas), os demonstrativos necessários ao acompanhamento dos resultados obtidos com a gestão da entidade (SCHNEIDER e MIGUEL, 2013). De acordo com Rosa (2011, p. 344) o objetivo do PCASP é mais especificamente “atender as necessidades de informação das organizações do setor público, observância das legislações vigentes, dos Princípios de Contabilidade e das NBCASP, e adaptar-se, dentro das possibilidades, as exigências dos agentes externos”.

Os registros realizados no Plano de Contas não o são ao acaso. Devem ser estuados com um documento de suporte, seja ele físico ou eletrônico. Além disso, deve obedecer a uma série de regras, conforme estabelece a NBC T 16.5 – Registro Contábil - Comparabilidade, Compreensibilidade, Confiabilidade, Fidedignidade, Imparcialidade, Integridade, Objetividade, Representatividade, Tempestividade, Uniformidade, Utilidade, Verificabilidade e Visibilidade (CFC, 2008).

A NBC T 16.5 aponta ainda que a entidade do setor público deverá manter sistema de informação contábil refletido em plano de contas que compreenda:

(a) a terminologia de todas as contas e sua adequada codificação, bem como a identificação do subsistema a que pertence, a natureza e o grau de

desdobramento, possibilitando os registros de valores e a integração dos subsistemas;

(b) a função atribuída a cada uma das contas; (c) o funcionamento das contas;

(d) a utilização do método das partidas dobradas em todos os registros dos atos e dos fatos que afetam ou possam vir a afetar o patrimônio das entidades do setor público, de acordo com sua natureza orçamentária, financeira, patrimonial e de compensação nos respectivos subsistemas contábeis;

(d) a utilização do método das partidas dobradas em todos os registros dos atos e dos fatos que afetam ou possam vir a afetar o patrimônio das entidades do setor público, de acordo com sua natureza de informação; (Redação dada pela Resolução CFC n.º 1.437/13)

(e) contas específicas que possibilitam a apuração de custos; (Excluída pela Resolução CFC n.º 1.437/13)

(f) tabela de codificação de registros que identifique o tipo de transação, as contas envolvidas, a movimentação a débito e a crédito e os subsistemas utilizados.

O PCASP possui duas divisões distintas. Na primeira, a divisão se dá conforme a Natureza das Informações que evidenciam, podendo ser divido em três grandes grupos:

a) contas que possuem informação de Natureza Patrimonial; b) contas que possuem informação de Natureza Orçamentária; e

c) contas que possuem informação de Natureza Típica de Controle (SCHNEIDER e MIGUEL, 2013).

A segunda divisão diz respeito à quantidade de classes que compõem o PCASP. São oito conforme pode se visualizado no quadro a seguir:

Quadro 04 – Classes x Naturezas do PCASP

Classes Natureza

1. Ativo Patrimonial

2. Passivo e Patrimônio Líquido Patrimonial

3. Variações Patrimoniais Diminutivas Patrimonial

4. Variações Patrimoniais Aumentativas Patrimonial

5. Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento Orçamentária 6. Controles da Execução do Planejamento e Orçamento Orçamentária

7. Controles Devedores Controle

8. Controles Credores Controle

Fonte: Adaptado pelo autor SCHNEIDER e MIGUEL, (2013, p. 215).

A nova estrutura do Plano de Contas adotou como filosofia a teoria patrimonialista, complementada pela necessidade do controle orçamentário, que separa as contas em três blocos de natureza da informação, contas patrimoniais,

contas de controle do orçamento e contas de controles diversos (CASTRO, 2011), conforme exposto no quadro a seguir:

Quadro 05 - Modelo resumido do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público

Fonte: Brasil (2011, p. 424)

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