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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.5. Inventários Florestais e Planos de Maneio

3.5.2. Plano de Maneio

A elaboração de um plano de maneio constitui uma exigência funda- mental para a aprovação de initiva da licença, seja esta simples ou por concessão. O Regulamento Florestal em vigor fala da necessidade do plano de maneio, porém não de ine as características do plano de maneio e ainda refere apenas que a metodologia utilizada deve ser internacionalmente aceite.

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Sitoe et al. (2003), referem que dada a generalizada falta de co- nhecimento sobre o crescimento das espécies de árvores comerciais bem como da sua distribuição e frequência, nas áreas de concessão, os cálculos de ciclo de corte e consequentemente das áreas de con- cessão, baseiam-se numa série de supostos que na prática podem es- tar fora da realidade. Os mesmos autores chamam a atenção ao facto de que nos moldes nos quais a exploração lorestal é praticada em Moçambique, muitos operadores não empregam pessoal quali icado nas suas equipas de trabalho, bastando, na maioria das vezes, ter um “mateiro” que conhece a área e as espécies que produzem madeira. Para uma situação destas, não é importante para o operador ter um documento de plano de maneio quando o que interessa a ele é locali- zar árvores dentro da concessão (Sitoe et al., 2003).

O manual de elaboração de planos de maneio elaborado por Sitoe e Bila (2003) tem sido de elevada ajuda para a elaboração de planos de maneio, embora não seja um instrumento aprovado legalmente. Todavia, para além de ser um guião exaustivo, e às vezes inalcançável face à realidade das lorestas nacionais, que inclui a falta de conheci- mento sobre o crescimento das lorestas, o incremento médio anual, o ciclo de corte de cada espécie no geral e de acordo com a qualidade do sítio onde cresce e etc., tem sido ignorado por vários consultores de inventários lorestais e planos de maneio.

Das consultas feitas em alguns planos de maneio de conces- sões lorestais constataram-se erros tais como: (i) o somatório das abundâncias relativas das espécies arbóreas maior que 100%; (ii) volume comercial superior ao volume total; (iii) não especi icação do corte anual admissível; (iv) falta de uma metodologia estatisti- camente aceite; (v) falta de mapas anexos: mapas de vias de acesso, mapas dos limites das concessões, mapas das unidades amostrais alocadas à concessão, mapa de infra-estruturas; (v) falta de blocos de produção; (vi) blocos de produção maiores ou menores que o ci- clo de corte. O mais grave ainda: nota-se a reéplica de planos de ma- neio pelos próprios consultores (um plano de maneio para mais de uma concessão, com apenas ligeiras alterações). No entanto, mesmo com erros graves, esses planos de maneio são aprovados pelos Ser- viços Provincias de Florestas e pela Direcção Nacional de Terras e Florestas.

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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Fora de alguns aspectos do guião do plano de maneio referidos

acima como inalcançáveis, muitos consultores tomam o guião como algo completamente inalcançável, principalmente devido ao mau domínio de técnicas de maneio lorestal, inventário lorestal, mate- mática e estatística, mapeamento e GIS/Sensoreamento Remoto, no geral, especialmente os consultores só com nível de licenciatura em engenharia lorestal e áreas a ins. Notam-se di iculdades nos consul- tores em estimar o corte anual admissível e a meta de toros, devido à de iciência em técnicas de maneio lorestal e mau domínio da mate- mática. Di iculdades na divisão da loresta em blocos de exploração, di iculdades essas encontradas em quase todos consultores, devem- se ao mau domínio de técnicas de maneio lorestal e de GIS/Sensore- amento Remoto. Veri ica-se que muitos consultores não fazem o uso de softwares existentes, como o GIS e ERDAS, para o mapeamento e zoneamento das concessões lorestais, limitado-se a decalcar os ma- pas topográ icos datados de mais de 4 décadas.

A DINAGECA/CENACARTA, DNTF, DIRN possuem uma ampla base de dados sobre o uso e cobertura de terra de Moçambique, base de dados essa que pode ser usada para a produção de planos de maneio

idedígnos.

A di iculdade na elaboração de planos de maneio que visam uso sustentável dos recursos, é também in luenciada pelo limitado co- nhecimento da composição lorística, estrutura e crescimento destes ecossistemas (Bila & Mabjaia, 2012). De acordo com Scolforo (1998) citado por Cossa (2008), o estudo da composição lorística, principal- mente a análise da estrutura da vegetação, é de fundamental impor- tância na elaboração de planos de maneio e também para a adopção de tratamentos silviculturais voltados para a conservação da diversidade de espécies. A análise da estrutura da vegetação fornece informações quantitativas sobre sua estrutura horizontal e vertical, sendo uma das alternativas para se conhecer as variações lorística, isionómicas e es- truturais a que as comunidades estão sujeitas ao longo do tempo e es- paço (Oliveira et al., 2006 citados por Cossa, 2008). O conhecimento da composição lorística e da estrutura da loresta permite o planeamento e estabelecimento de sistemas de maneio com produção sustentável, condução da loresta a uma estrutura balanceada, bem como práticas silviculturais adequadas (Souza et al., 2006 citados por Cossa, 2008).

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Na loresta nativa existem variações nas diferentes características fenotípicas entre as árvores de uma mesma espécie. Para o objecti- vo de produção de madeira e outros produtos, deve-se seleccionar as melhores árvores. Estas árvores, denominadas de árvores matri- zes, são aquelas que comparadas com as outras da mesma espécie, apresentam características superiores. Dum modo geral, as matrizes seleccionadas para a produção de madeira devem apresentar fuste recto, de maior diâmetro e de maior volume (Nogueira e Medeiros, 2007). No entanto, árvores com essas características são também as mais procuradas para a exploração lorestal, daí que não existindo um instrumento ou um guião para a preservação de árvores matrizes de boa qualidade, depois da exploração culminar-se-á com árvores de má forma e no mais grave tal forma pode estar inclusa no genótipo da árvore, o que comprometerá a futura geração e portanto a futura exploração.

Estudo feito pela FAEF (2013b), a irma que uma das premissas para a correcta implementação dos planos de maneio é a disponibi- lidade de pessoal capacitado e competente ao nível das concessões. As concessões ainda enfrentam limitações em termos de capacidade técnica para implementar correctamente os planos de maneio, par- ticularmente escassez de pessoal com formação técnica em lorestas ou áreas a ins. De acordo com o estudo, a falta de capacitação dos gestores e do pessoal técnico tem sido um dos factores que di iculta a implementação de planos de maneio, mesmo em concessões com técnicos lorestais, pelo que para além de recrutamento de técnicos, as concessões deveriam garantir capacitação sistemática do pessoal técnico em aspectos relativos à implementação do plano de maneio.

Apesar de nos termos da legislação lorestal o plano de maneio ser um instrumento obrigatório sem o qual a exploração lorestal em re- gime de concessão lorestal não pode ter lugar e deve por isso ser par- te integrante do contrato de concessão por ser neste instrumento que se encontram vertidos todos os princípios de exploração sustentável do recurso bem como as acções de gestão a serem desenvolvidas pelo concessionário, para grande parte das concessões, os seus planos de maneio foram aprovados após a celebração do contrato de concessão e início da exploração, isto é, iniciaram a exploração lorestal antes da aprovação do respectivo plano de maneio (FAEF, 2013b).

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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.6. Processo de Fiscalização Florestal

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