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Mapa 4 Identificação das zonas e áreas especiais

4. PLANEJAMENTO E O PLANO DIRETOR

4.1. PLANO DIRETOR DE NATAL

O primeiro Plano Diretor de Natal data de 1974, e teve características funcionalistas e técnicas, de um planejamento centralizado, condizentes com o período político autoritário, foi influenciado pelo desenvolvimento do turismo que efervescia na época e demonstrava preocupações ambientais, entretanto aparentemente estéticas. Em seguida o Plano Diretor de 1984 teve como particularidade a organização físico-territorial da cidade, e como destaque a preocupação com o controle de gabarito a fim de conter a especulação imobiliária para as zonas de interesse turístico (ZET). Em contrapartida o plano de 1994 foi apoiada pela lei Orgânica de Natal (1990) e pelas diretrizes postas na Constituição Federal de 1988, dando a ele especificidades advindas do ideário da Reforma Urbana, orientado de forma democrática (DUARTE, 2010).

de 2007, como visto, tem sua formulação legal baseada na Constituição Federal através dos Artigos 182 e 183, com a regulamentação do Estatuto das Cidades (2001) e Lei Orgânica do Município de Natal. As informações a seguir são destaques de capítulos do PDN, considerados importantes pela autora, a fim de proporcionar um embasamento teórico específico.

O PDN de 2007 traz no seu primeiro artigo o compromisso com o desenvolvimento urbano sustentável, em sequência o artigo 2º determina o seu objetivo de desenvolvimento das funções sociais e ambientais da cidade, frisando o uso socialmente justo e ecológico do território, a fim de garantir a qualidade de vida, bem-estar e segurança.

O artigo 3º, garante o cumprimento desses quesitos se pautando na Lei Orgânica de Natal, onde se nota o realce à sustentabilidade econômica, ambiental e a preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade. Nota-se que o plano segue as diretrizes impostas na Constituição Federal, tendo como pontos de destaque a necessidade de minimizar o deslocamento entre a moradia e o trabalho através da acessibilidade, assim como a criação de uma política habitacional que prioriza o interesse social e da ênfase ao ambiental.

O artigo 5º traz a função socioambiental à propriedade urbana, que garante o compromisso com a capacidade de infraestrutura instalada, preservação ambiental, histórico e artístico do meio.

O artigo 8º informa que o macrozoneamento da cidade ocorre através de três zonas (Adensamento básico, Adensável, Proteção ambiental), onde a Zona de Adensamento básico se aplica o coeficiente de aproveitamento básico definido no Artigo 10 º abaixo:

Art. 10º - O coeficiente de aproveitamento básico para todos os usos nos terrenos contidos na Zona Urbana é de 1,2 (um vírgula dois). §1º - Para o cálculo do coeficiente de aproveitamento será subtraído da área de construção, o total da área não computável da edificação.§2º - No caso de edifícios garagens serão subtraídos do cálculo do coeficiente 25% (vinte e cinco por cento) da área total do empreendimento.

Onde o coeficiente de aproveitamento se refere a divisão da área construída pela área do lote, e o coeficiente de aproveitamento básico é o coeficiente determinado para todos os terrenos do Município. (Capitulo III - Das definições, do PDN 2007).

38 utilizando o coeficiente de aproveitamento máximo. O mapa 02 abaixo demonstra o macrozoneamento da cidade, onde é possível notar a Zona Adensável da cidade.

Fonte: Elaborado pela SEMURB (2007).

Nota-se que a Zona Adensável da cidade prevalece na Zona Administrativa Leste. Contudo, após o ano de 2007, identificou-se um decréscimo populacional nesta Zona (SEMURB, 2019).

O artigo 18 vem para definir as Zona de Proteção Ambiental (ZPA), ao qual são áreas com restrições de uso do solo para que se garanta a preservação das características que as determinam como importantes, estão identificadas no mapa 2 sobre o macrozoneamento, sendo divididas em 10 zonas:

Quadro 2 - Zonas de Proteção Ambiental

ZONAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL

a) ZPA 1 - campo dunar dos bairros de Pitimbu, Candelária e Cidade Nova, regulamentada pela Lei Municipal n°4.664, de 31 de julho de 1995;

b) ZPA 2 - Parque Estadual das Dunas de Natal e área contígua ao parque, Avenida Engenheiro Roberto Freire e rua Dr. Sólon de Miranda Galvão, regulamentado pela Lei Estadual nº 7.237, de 22 de novembro de 1977;

c) ZPA 3 - área entre o Rio Pitimbu e a Avenida dos Caiapós (Cidade Satélite), regulamentada pela Lei Municipal n°5.273, de 20 de junho de 2001;

d) ZPA 4 - campo dunar dos Bairros: Guarapes e Planalto, regulamentada pela Lei Municipal n°4.912, de 19 de dezembro de 1997;

e) ZPA 5 - ecossistema de dunas fixas e lagoas do bairro de Ponta Negra (região de Lagoinha), já regulamentada pela Lei Municipal n°5.665, de 21 de junho de 2004;

f) ZPA 6 - Morro do Careca e dunas fixas contínuas; g) ZPA 7 - Forte dos Reis Magos e seu entorno;

h) ZPA 8 - ecossistema manguezal e Estuário do Potengi/Jundiaí; I) ZPA 9 - ecossistema de lagoas e dunas ao longo do Rio Doce;

J) ZPA 10 - Farol de Mãe Luíza e seu entorno – encostas dunares adjacentes à Via Costeira, entre o Farol de Mãe Luiza e a Avenida João XXIII. (PDN, 2007)

Fonte: Dados da pesquisa (2019) de acordo com o Plano Diretor de Natal.

Entre as Subzonas de preservação, se encontra a Zona Especial de Preservação de Histórica e as Zonas Especiais de Interesse Turístico – ZET’s, sendo consideradas áreas de controle de Gabarito, limitando a 7,5 (sete metros e meio) o gabarito máximo para a ZET – 4. Para a ZET – 2 o gabarito não pode ultrapassar o nível da Avenida Dinarte Mariz; (Art.21, IV, §1º, §2º) devido ao seu valor social e por proporcionar bem-estar e qualidade de vida.

Em contrapartida o artigo 15 autoriza construções maiores, acima do coeficiente de aproveitamento básico nas áreas adensáveis, porém é necessário que ocorra por meio da outorga onerosa ou da transferêncial de potencial construtivo.

40 a identificação das ZET’s.

Fonte: Elaborado pela SEMURB (2007).

Como visto, o Turismo se mostra presente nas tomadas de decisão do planejamento da cidade. Em detrimento de novos empreendimentos, o PDN ordenou

diretrizes para empreendimentos e atividades de impacto que possam alterar a funcionalidade urbana ou provocar sobrecarga na infraestrutura (Art.34), devendo ser licenciados apresentando o Estudo de Impacto de Vizinhança (Art.37).

Da Política de Mobilidade Urbana, o artigo 58 determina a inclusão social como direcionamento para este instrumento, onde a população tem o acesso a equipamento públicos e de lazer, buscando a integração social. Para isto, deve-se promover praticas econômicas e ecológicas condizentes com a necessidade da população. O artigo 59 estabelece a necessidade do Plano Diretor de Mobilidade Urbana para que os projetos de mobilidade urbana estejam fundamentados em suas definições.

Outro ponto relevante do PDN é a possibilidade de uso do instrumento Operação Urbana Consorciada (OUC), que se refere a intervenções em áreas específicas da cidade coordenadas pelo Poder Público, privado e a sociedade organizada, com o objetivo de realizar em uma área transformações urbanísticas estruturais (ART. 32, LEI N. 10.257, 2001).

O PDN também determina o sistema de planejamento e gestão urbana do município. O artigo 93 assegura que as determinações federais de desenvolvimento urbano sejam cumpridas garantindo a descentralização a partir das seguintes ações:

§1º - A participação da população será assegurada no Sistema de Planejamento e Gestão Urbana do Município, por representantes do Poder Público e da sociedade civil organizada, através da indicação por seus pares, mediante composição paritária garantindo os critérios de diversidade, pluralidade e representatividade, e através dos seguintes conselhos:

I - Conselho da Cidade do Natal – CONCIDADE

II - Conselho Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente – CONPLAM

III - Conselho Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos – CMTTU IV - Conselho Municipal de Habitação de Interesse Social – CONHABIN

Segundo os Artigo 95 e 96 o CONCIDADE é um órgão consultivo e deliberativo que tem como objetivo articular e aplicar políticas de desenvolvimento sustentável, através de aprovação de diretrizes e normas para implantar programas, orientar a aplicação do Estatuto das Cidades e promover a articulação dos conselhos municipais.

O Artigo 98 informa que cabe ao CONPLAM, também de caráter consultivo e deliberativo, opinar sobre projetos urbanos da cidade, alterações do Plano Diretor,

42 analisar propostas de Operações Urbanas Consorciadas (OUC), acompanhar aplicação do Fundo de Urbanização (FURB).

O PDN não descreve as competências do CMTTU, que são definidas pela Lei Complementar nº 20, de 2 de março de 1999, Decreto nº. 6.734, de 16 de maio de 2001.

As competências do CONHABIN são descritas pelo Artigo 100, e estão relacionadas a aprovação de programas habitacionais e políticas de subsidio, fiscalização do fundo Municipal de Habitação de Interesse Social – FUNHABIN que deve ser aplicado para suporte na implementação dos programas habitacionais de interesse social.

Percebendo a importância das diretrizes contidas neste plano, a complexidade dos assuntos abordados reflete nos aspectos socioespaciais da cidade. O PDN se mostra uma arena política de múltiplos interesses, onde um processo de condução democrática é prescrito, segundo legislação regulatória, para o alcance da descentralização das decisões. Diante disso, é importante informar que o PDN de 2007 apresentava suporte legal para a realização de um processo democrático, no entanto, passou por dificuldades como a ocorrência da Operação Impacto que condenou 17 parlamentares da Câmara Municipal de Natal por corrupção envolvendo a compra de votos para aprovação do plano diretor, a favor de empresários do ramo imobiliário e da construção civil (TJRN, 2014).

Esse acontecimento revela a importância da ferramenta para o desenvolvimento urbano da cidade, pois a tentativa de manipulação dos resultados demonstra que as decisões tomadas desagradam algumas instâncias de poder que tentam corromper o sistema em prol de seus interesses. Passados dez anos, desde a efetivação do PDN de 2007, se faz necessário a revisão de suas diretrizes. Esta revisão do PDN tem seu início no ano 2017 e em 2019 permanece em processo de execução.

Com isso, os argumentos e aspectos apresentados até aqui sobre as complexidades contidas nos discursos de desenvolvimento urbano, de turismo e a relação do processo de planejamento urbano e uso do plano diretor, promoveu a demarcação téorica que esta pesquisa precisava para cumprir os objetivos que estão descritos a seguir.

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