Este capítulo apresenta as metas traçadas pelo Estado de Pernambuco para compor o Plano Estadual de Educação (PEE), com vigência de 10 anos (2015-2025) e que estão alinhadas ao Plano Nacional de Educação (PNE). As metas e estratégias do PPE consistem em uma série de propostas educacionais para os mais variados níveis de ensino (da creche à pós-graduação) baseados na legislação pertinente, na análise situacional da educação no Estado e na contribuição de estudos e indicadores de órgãos competentes, tais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
O PPE “expressa um compromisso político de Estado que transcende governos e promove mudanças nas políticas educacionais geradoras de avanços no processo educacional, e em consequência, da qualidade de vida da sociedade pernambucana” (PERNAMBUCO, 2015, p. 8). As metas do PPE estão divididas em seis diretrizes que abarcam todo o sistema educacional do estado: direito à educação básica com qualidade, valorização da diversidade e enfrentamento das desigualdades, valorização dos profissionais da educação: formação e condições de trabalho, elevação da oferta de educação superior, gestão democrática e financiamento da educação.
Como explicitado em seçõesanteriores, a centralidade desta pesquisa está no ensino médio. Portanto, serão analisadas as diretrizes e metas que possuem relação com essa etapa de ensino. Das seis diretrizes do PPE, duas contemplam explicitamente o ensino médio, o que acarreta em seis metas a serem avaliadas nesse trabalho. No quadro 27 são apresentadas todas as diretrizes e metas do PPE relacionadas ao ensino médio.
Quadro 27 - Diretrizes e Metas do Plano Estadual de Educação de Pernambuco PLANO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO
DIRETRIZ META DESCRIÇÃO
Direito à educação básica com qualidade
3
Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de quinze a dezessete anos e elevar, até o final do período de vigência deste Plano Estadual de Educação - PEE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 82,2%.
6
Oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 38,4% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 51,5% dos (as) alunos (as) da educação básica.
7
Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias estaduais para o IDEB: 5,5 nos anos iniciais; 4,7 nos anos finais; e 4,9 no ensino médio.
10
Oferecer, no mínimo, 36,3% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional, no ensino fundamental e médio.
11
Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e, pelo menos, 50% da expansão no segmento público. Valorização da diversidade e enfrentamento das desigualdades 4
Universalizar, para a população de quatro a dezessete anos, o atendimento escolar aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços.
Fonte: Elaborado pelo autor (2018).
A diretriz “direito à educação básica com qualidade” abarca três dimensões: a) direito à educação, que tratados aspectos legais e jurídicos (Constituição Federal, LDB, etc) que envolvem a educação;b) educação
básica, que se refereà etapa de ensino que vai da pré-escola ao ensino médio e alcança a faixa etária dos 4 aos 17 anos de idade; e c) qualidade da educação, que trata de diversos aspectos intra e extra-escolar, haja vista que esta é uma questão complexa e resultante de inúmeros fatores.
A meta 3 “Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de quinze a dezessete anos e elevar, até o final do período de vigência deste Plano Estadual de Educação - PEE, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 82,2%” justifica-se, pois, a Constituição Federal de 1988 determina a “progressiva universalização do Ensino médio gratuito” (BRASIL, 1988) e a LDB estabelece que compete aos Estados “assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio”” (BRASIL, 1996).
No contexto pernambucano, o ensino médio é ofertado nas modalidades: “(a) ensino médio em turno único; (b) ensino médio em turno integral; (c) ensino médio em turno semi-integral; (d) ensino médio na modalidade integrada à educação profissional; e (e) ensino normal médio” (PERNAMBUCO, 2015, p. 27).
A meta 6 “oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 38,4% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 51,5% dos (as) alunos (as) da educação básica” justifica-se pois o modelo de educação integral em Pernambuco é regulamentado pela Lei Complementar nº 125, de 10 de julho de 2008, cujo objetivo é “o desenvolvimento de políticas direcionadas à melhoria da qualidade do ensino médio e à qualificação profissional dos estudantes da Rede Pública de Educação do Estado de Pernambuco”. Além disso, a lei assinala que o modelo deve ser “implantado e desenvolvido, em regime integral ou semi-integral, nas escolas de referência em ensino médio, unidades escolares da rede pública estadual de ensino”.
Observa-se desde 2011, um avanço no IDEB de Pernambuco, em todas as etapas da educação básica. No entanto, é notória a necessidade de avançar na melhoria da qualidade da educação ofertada e elevar o nível de aprendizagem dos estudantes do Estado (PERNAMBUCO, 2015). A meta número 7 do PPE desdobra-se nesse ponto ao “fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem, de modo a atingir as seguintes médias estaduais para o IDEB: 5,5 nos anos iniciais; 4,7 nos anos finais; e 4,9 no ensino médio”.
No Brasil, historicamente, a educação de jovens e adultos (EJA) é reconhecida como a modalidade de ensino destinada a população que não teve acesso à educação ou que não pôde finalizar a educação básica em idade escolar adequada (PERNAMBUCO, 2015). A meta 10 “oferecer, no mínimo, 36, 3% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional, no ensino fundamental e médio” visa reparar esse problema.
A meta 11 “triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta e, pelo menos, 50% da expansão no segmento público” visa atender a LDB, alterada pela Lei nº 11.741/2008 e a Resolução CNE/CEB nº 04/2010, que assinala que a educação profissional e tecnológica deve articular-se com o ensino regular e com outras modalidades educacionais: EJA, educação especial e educação à distância. A diretriz “valorização da diversidade e enfrentamento das desigualdades” sinaliza um componente da política educacional que preza pelas singularidades e problemáticas de grupos que compõem a sociedade brasileira, como os negros, os índios, a população do campo e os portadores de necessidades especiais.
Nessa diretriz, destaca-se a meta 4 que visa “universalizar, para a população de quatro a dezessete anos, o atendimento escolar aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços”.
Nesta seção, apresentamos as metas do PPE que estão relacionadas ao ensino médio. No próximo capítulo, daremos início ao cruzamento de informações e a análise de resultados.