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De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o Plano de Manejo é um:

[...] documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade (MMA, 2000 p.8).

Segundo o MMA/IBAMA (1994), o plano de manejo analisa os aspectos físicos, biológicos e antrópicos das unidades de conservação, para posteriormente apresentar diretrizes básicas para o seu gerenciamento.

O plano de manejo servirá como um instrumento de auxílio no planejamento e na operação de uma unidade de conservação, conforme destaca Milano (1993 p. 2):

Portanto o Plano de Manejo contém as orientações e informações para o adequado desenvolvimento de atividades e ações necessárias para atingir os objetivos específicos de uma determinada área protegida, constituindo-se no documento que orientará o diretor da Unidade de Conservação (UC) em seus trabalhos de administração.

Pode-se então concluir que os planos de manejo resultam de processos de planejamento anteriores a sua publicação, já na criação de uma unidade de conservação. E somente após a elaboração do plano de manejo é que de fato haverá um processo de controle e re-direcionamento das ações e programas.

Visando estabelecer melhores critérios para a administração das unidades de conservação, o Plano de Manejo também indicará de forma detalhada o Zoneamento da área total da unidade.

O objetivo do Zoneamento é a demarcação dos limites geográficos para o estabelecimento de regimes especiais de uso em unidades de conservação, contendo os critérios e normas para a utilização do solo (ZONEAMENTO, 2004).

De acordo com o MMA (2000 p.8), o zoneamento é a:

[...] definição de setores ou zonas em uma unidade de conservação com objetivos de manejo e normas específicos, com o propósito de proporcionar os meios e as condições para que todos os objetivos da unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz.

Segundo Milano, o zoneamento pode ser descrito da seguinte forma:

O zoneamento é efetuado ordenando-se porções homogêneas da Unidade de Conservação sob uma mesma denominação segundo suas características naturais ou físicas e com base nos interesses culturais, recreativos e científicos. O zoneamento, assim, constitui-se em um instrumento de manejo que apóia a administração na definição das atividades que podem ser desenvolvidas em cada setor, orienta as formas de uso das diversas áreas, ou mesmo proíbe determinadas atividades por falta de zonas apropriadas [MILANO, 199-?].

São ainda destacadas as seguintes vantagens relacionadas ao zoneamento de Unidades de Conservação:

• Permite que as determine limites de irreversibilidade e pontos de fragilidade biológica antes que se tomem decisões sobre o uso de cada área, que de outra forma poderiam causar danos irreversíveis, tendo, portanto, caráter preventivo;

• Permite a identificação de atividades para cada setor da Unidade de Conservação e seu respectivo manejo, possibilitando a descentralização de comando e decisão;

• Por ser flexível, permite que se altere a definição e manejo de uma zona, conforme necessidade comprovada cientificamente [MILANO, 199-?].

O zoneamento também pode ser aplicado como uma técnica para limitar o uso público em determinadas regiões, ou ainda para equilibrar a demanda e as atividades recreativas desenvolvidas no interior de uma unidade de conservação.

Segundo Wearing e Neil (2001), o zoneamento deve assegurar que as atividades de determinada zona da unidade de conservação, não entrem em conflito com as funções e objetivos de outras zonas na mesma área. Ou seja, no caso do uso público em que as atividades previstas nos programas respeitem a limitação determinada pelo zoneamento, garante-se assim, o cumprimento dos objetivos de manejo da Unidade de Conservação.

No Brasil, de acordo com o IBAMA (2005), para o planejamento de parques nacionais, o zoneamento pode estabelecer em uma Unidade de Conservação até sete zonas, conforme a seguinte classificação (estabelecida no Decreto n° 84.017 de 21/09/79), (Cf. ANEXO B):

• Zona Intangível: não é permitida nenhuma alteração por parte do homem. Preferencialmente a natureza deve permanecer intacta. Representa o maior grau de preservação e é dedicada à proteção integral dos ecossistemas.

• Zona Primitiva: a intervenção humana é muito pequena, ou mínima, contendo espécies da fauna e flora com grande valor científico. Seus objetivos são ao mesmo tempo a preservação do meio ambiente e a realização de pesquisas científicas e educação ambiental.

• Zona de Uso Extensivo: é classificada como uma zona de transição entre a Zona Primitiva e a Zona de Uso Intensivo. É constituída na maior parte por áreas com certa alteração humana em suas características naturais. Seu objetivo é manter um ambiente natural com baixo impacto, apesar de oferecer facilidades de acesso para fins educativos e recreativos.

• Zona de Uso Intensivo: são áreas alteradas pelo homem, onde geralmente está prevista a instalação de infra-estrutura para a visitação e recreação. Embora as características naturais tendem a ser mantidas o mais próximo do original possível. O objetivo de manejo desta zona é facilitar a recreação intensiva e as atividades de educação ambiental em harmonia com o meio natural.

• Zona de Uso Especial: são as áreas naturais destinadas ao uso de pesquisadores e gestores da unidade de conservação. Nesta zona estão as áreas necessárias à administração da unidade de conservação. Por estas razões devem estar localizadas na periferia da unidade de conservação sempre que possível. Seu objetivo é minimizar os impactos decorrentes da implantação de infra-estrutura para a administração da unidade.

• Zona Histórico-cultural: são as áreas onde podem ser encontradas manifestações culturais, históricas ou arqueológicas de interesse público. Devem ser preservadas para trabalhos de pesquisa e educação. O objetivo geral do manejo desta zona é a proteção dos sítios arqueológicos ou históricos em harmonia com o ambiente.

• Zona de Recuperação: são áreas provisórias onde houve alteração humana e que após um processo de recuperação podem ser incorporadas novamente a qualquer uma das zonas permanentes. Espécies exóticas devem ser retiradas e a restauração deve ser natural. O objetivo geral de manejo é deter a degradação ou restaurar a área.

O sistema de zoneamento permite o planejamento do uso público das áreas destinadas ao acesso de visitantes, definindo em quais delas as atividades são monitoradas por guias ou acessíveis a todos (DAVENPORT et al, 2002).

De acordo com a mesma fonte:

A execução do plano de zoneamento é provavelmente um dos passos iniciais mais importantes para implementar um parque como um todo e o manejo do turismo. O processo, por si só, torna mais fácil o acesso aos recursos e a solidificação dos objetivos e prioridades do parque (DAVENPORT et al, 2002 p.316).

Em continuidade, Davenport (2002 p.317) complementa: “O zoneamento deve ser completado cedo no desenvolvimento do parque, preferivelmente antes que os principais investimentos em infra-estrutura tenham sido feitos”.

Pode-se perceber a estreita ligação entre o Plano de Manejo e o Plano de Zoneamento de uma Unidade de Conservação, além da importância de seu estabelecimento antes mesmo da implementação dos Programas de Manejo.

Para a definição dos Programas de Manejo, de forma a cumprir os objetivos previstos para cada Zona da Unidade de Conservação, as atividades a serem desenvolvidas devem estar previstas nas normas e diretrizes do Plano de Manejo (IBAMA, 2005).

Conforme Milano [199-?], os programas de manejo podem ser subdivididos de modo a facilitar o cumprimento dos objetivos estabelecidos (Cf. QUADRO 3).

QUADRO 3- PROGRAMAS E SUB-PROGRAMAS DE MANEJO

Programa de Manejo do Meio Ambiente

Programa de Uso Público Programa de Operações

Sub-Programa de Investigação Sub-Programa de Recreação Sub-Programa de Proteção Sub-Programa de Manejo de

Recursos

Sub-Programa de Interpretação Sub-Programa de Manutenção

Sub-Programa de Monitoramento Sub-Programa de Educação Sub-Programa de Administração Sub-Programa de Turismo

Sub-Programa de Relações Públicas e Extensão FONTE: Adaptado de Milano [199-?].

O Programa de Manejo do Meio Ambiente atende aos objetivos relacionados aos recursos da unidade de conservação, sendo que cada Sub-Programa direciona suas ações da seguinte forma:

• Sub-Programa de Investigação: Destinado ao levantamento dos recursos da flora e das espécies da fauna na unidade de conservação, estimulando a pesquisa sobre os ecossistemas existentes na área.

• Sub-Programa de Manejo de Recursos: Seu principal objetivo é a recuperação dos recursos de toda a área da unidade de conservação.

• Sub-Programa de Monitoramento: Realiza uma avaliação periódica dos recursos naturais renováveis da unidade de conservação, identificando as condições climáticas e os efeitos do fogo.

O Programa de Uso Público busca o incentivo e o desenvolvimento de oportunidades de Educação Ambiental, Interpretação e Recreação nas zonas pré-determinadas no Plano de Manejo da unidade de conservação. Este programa pode aumentar o nível de relacionamento entre a Unidade de Conservação, os órgãos gestores e os visitantes. Abaixo, segue o detalhamento dos seus Sub-Programas:

• Sub-Programa de Recreação: Seu principal objetivo é proporcionar oportunidades de recreação para os visitantes, como por exemplo a observação da fauna e flora, fotografia, camping, piquenique e caminhadas, desde que sejam compatíveis com os recursos e objetivos da Unidade de Conservação.

• Sub-Programa de Interpretação: Tem como principal objetivo o auxilio aos visitantes para melhor entender e apreciar os recursos naturais e culturais da Unidade de Conservação, tornando sua experiência o mais satisfatório possível e atingir os objetivos do Plano de Manejo quanto a utilização racional dos recursos.

• Sub-Programa de Educação: Tem como objetivo possibilitar oportunidades para professores e visitantes que buscam através da observação estudos práticos de biologia, geologia, arqueologia e arte.

• Sub-Programa de Turismo: Seu objetivo é a integração da Unidade de Conservação com os planos de médio e longo prazos do órgão de turismo.

• Sub-Programa de Relações Públicas e Extensão: Seu objetivo é a divulgação ao público dos objetivos, recursos, programas e benefícios da unidade de conservação para a comunidade.

O Programa de Operações é direcionado á proteção, manutenção e administração dos recursos disponíveis na Unidade de Conservação. Pode ser dividido nos seguintes Sub- Programas:

• Sub-Programa de Proteção: Seu objetivo é a proteção dos recursos naturais e culturais da unidade de conservação, assim como de suas instalações. Proporcionar condições de segurança para os seus visitantes e manter o controle total da área da unidade de conservação, ampliando seus limites quando necessário.

• Sub-Programa de Manutenção: Tem como principal objetivo a manutenção da integridade do patrimônio da Unidade de Conservação.

• Sub-Programa de Administração: Seu objetivo é garantir o cumprimento do Plano de Manejo, com relação aos recursos humanos, instalações e equipamentos necessários.

No planejamento de uma unidade de conservação, é necessário para a elaboração de um Plano de Manejo definir o Zoneamento da área, assim como as prioridades e alternativas de programas e ações relacionadas para cada uma delas.

Milano [199-?], informa que:

Uma vez definidos os programas, projetos e atividades a serem desenvolvidos e orçados seus custos, a programação deve materializar o plano, estabelecendo o cronograma físico-financeiro de execução e redigindo-o. Concluído e redigido o plano, este deve ser, se possível, publicado. Tal fato, além de possibilitar a divulgação da Unidade de Conservação em diferentes níveis, propicia a divulgação de conceitos, de alternativas de ação para projetos específicos, de metodologias e, em última instância, dos princípios filosóficos e práticos da conservação da natureza [MILANO, 199-?].

Para o cumprimento dos objetivos estabelecidos no Plano de Manejo, todas as etapas, desde a definição do Zoneamento até as prioridades de cada um dos Programas de Manejo devem ser elaboradas em função da necessidade da área, dos objetivos propostos pelo gestor e das necessidades dos visitantes.