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2 INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

3.3 FATORES DE DESENVOLVIMENTO DO MODO FERROVIÁRIO NO NORDESTE

3.3.1 PLANO NACIONAL DE LOGÍSTICA DE TRANSPORTE – PNLT

3.3.1.1 Características Gerais

O Programa de Desenvolvimento do Setor de Transportes – PRODEST, idealizado pelo GEIPOT em 1985, buscava, nesta época, efetuar um planejamento consistente e integrado no país. A necessidade de retomar um processo de planejamento com base cientifica semelhante

ao PRODEST, fez com que o Ministério dos Transportes criasse o Plano Nacional de Logística de Transporte – PNLT.

O PNLT foi concebido em abril de 2007, sendo desenvolvido pelo Ministério dos Transportes – MT, em parceira com o Ministério da Defesa – MD, através do CENTRAN – Centro de Excelência em Engenharia de Transportes. Trata-se de um processo de planejamento com visão de médio a longo prazo, cujos fundamentos baseiam-se em implementar um método de planejamento científico baseado em análise macroeconômica, através de dados georeferenciados, como também a utilização de modelos adequados de simulação e projeção de transportes (MT, 2009).

O Ministério de Transportes (2009) destaca os objetivos a seguir como de grande relevância: a) identificar, otimizar e racionalizar os custos envolvidos em toda a cadeia logística adotada entre a origem e o destino dos fluxos de transportes;

b) adequar a atual matriz de transportes de cargas no País, buscando a permanente utilização das modalidades de maior eficiência produtiva.

Por tratar-se de um plano indicativo, em processo de reavaliação periódica, relacionado com o desenvolvimento do setor dos transportes visualizando as futuras demandas associadas com a evolução da economia nacional e sua inserção no mundo globalizado, o PNLT busca a formalização e a continuidade dos instrumentos de análise, sob a ótica logística, com a finalidade de dar suporte ao planejamento de intervenções públicas e privadas na infraestrutura e na organização dos transportes (MT, 2009).

3.3.1.2 O PNLT e o Investimento em Infraestruturas

Na relação entre o PIB e o Investimento, a meta do PNLT é recuperar níveis adequados de investimentos em infraestrutura, destinando pelo menos 1% do PIB, no período de 2008 a 2023, para o setor de transportes, até atingir entre 4% e 6% do PIB, percentuais semelhantes de outros países em desenvolvimento, a exemplo da China, Índia, Rússia, entre outros. Com isso, o PNLT estima num horizonte de 20 anos racionalizar e equilibrar a matriz de transportes, hoje desbalanceada, fazendo do modo ferroviário o meio estrutural dessa matriz.

Pela projeção efetuada no PNLT, o modo rodoviário sofrerá uma redução dos atuais 58% para 30%, o modo ferroviário aumentará a sua participação de 25% para 35%, aumentam também, o aquaviário de 13% para 29%, o dutoviário de 3,6% para 5% e o aéreo de 0,4% para 1%. O Gráfico 3.1 a seguir apresenta a projeção da matriz de transporte brasileira para o período de 2005 a 2025 (PERRUPATO, 2012).

Gráfico 3.1 - Projeção da Matriz de Transporte Brasileira para o período de 2005 a 2025.

Fonte: Perrupato (2012).

O PNLT fazendo uso de moderna tecnologia de planejamento para a construção de cenários futuros aplicada ao planejamento de transportes, efetuando a associação de uma modelagem macroeconômica a uma modelagem de transportes, através da análise de 110 produtos responsáveis por 90% do PIB (incluindo itens de carga em geral), distribuídas em 558 microrregiões homogêneas, criou um portfolio de investimentos voltado para a área logística, onde mostra a relação entre o setor de transportes e o desenvolvimento econômico. Os estudos buscaram detectar os espaços da produção, da demanda, dos fluxos internos e da exportação, conhecer como se comporta a diversidade econômica brasileira com vistas a dirimir as desigualdades regionais, resultando assim no termo “Vetores Logísticos”5

. (PERRUPATO, 2012).

Na concepção de vetores logísticos, o PNLT fez uso dos critérios macrorregional; microrregional e setorial; corredores de transportes e sustentabilidade ambiental para configurar a nova espacialização da economia brasileira. Da análise elaborada pelo PNLT surgiu a nova configuração espacial da economia brasileira, a qual resultou em sete

5 Vetor Logístico, na visão de Colombini (2011), é um conceito de divisão territorial onde são considerados os

agrupamentos vetoriais logísticos: Amazônico, Centro Norte, Nordeste Setentrional, Nordeste Meridional, Leste, Centro Sudeste e Sul (Figura 3.2).

Figura 3.2 – Representação dos Vetores Logísticos de acordo com o PNLT.

Fonte: Perrupato (2012).

O PNLT tem ainda como metas, enquadrar e validar os projetos de transportes em vetores logísticos, estruturantes do desenvolvimento econômico e social do País, para que alcancem os seguintes objetivos (PERRUPATO, 2012):

a) Aumentar a eficiência produtiva em áreas consolidadas (AEP)

Os projetos são voltados para o aumento de capacidade de infraestrutura viária (duplicação e faixas adicionais), dragagem e vias de acesso portuário com a eliminação dos conflitos entre ferrovias e zonas urbanas (contornos, passagens de nível). Com essas ações, pretende-se contribuir para a eficiência do escoamento da produção e do abastecimento de insumos nas áreas com maior solidez de desenvolvimento em sua estrutura produtiva.

b) Induzir o desenvolvimento de áreas de expansão de fronteira agrícola e mineral (IDF)

Neste item, os principais projetos são de pavimentação ou de reconstrução de rodovias e também implantação de novos eixos ferroviários, na direção das novas áreas de fronteira agrícola e nas regiões de exploração de riquezas minerais estimulando a expansão do desenvolvimento;

c) Reduzir as desigualdades sociais em áreas reprimidas (RDR)

Os projetos baseiam-se especificamente, na implantação ou melhoramentos na infraestrutura viária e na recapacitação de portos, viabilizando as atividades econômicas potenciais dependentes dessa infraestrutura. A partir daí, espera-se reduzir as desigualdades entre as regiões do País, despertando o potencial de desenvolvimento em regiões que hoje apresentam indicadores econômicos e sociais abaixo dos valores médios da nação.

d) Integração regional sul-americana (IRS)

Os principais projetos são a implantação ou melhoramentos na infraestrutura viária, em regiões próximas à fronteira, onde a construção de pontes internacionais merece destaque. Essas ações buscam reforçar e consolidar a ligação do Brasil com os países limítrofes através da infraestrutura na América do Sul, viabilizando a realização de trocas comerciais, intercâmbio cultural e social entre o Brasil e demais países vizinhos.

Observa-se que os itens a, b, e c são aplicáveis ao tema desse trabalho.

3.3.1.3 O PNLT em Pernambuco

Como dito anteriormente, o Ministério dos Transportes com a criação do PNLT, pretende modificar a Matriz de Transportes, investindo prioritariamente nos modos ferroviários e hidroviários para que resultem em menores custos de operação e frete por tonelada por quilômetro útil (tku) dessas modalidades em relação ao rodoviário.

A Região Nordeste, como se observa na Figura 3.2 acima, está representada por dois vetores logísticos e o estado de Pernambuco está inserido no Vetor Nordeste Setentrional. Conforme descreve Colombini (2011) as atividades predominantes do Nordeste Setentrional encontram- se na administração pública, no comercio e serviços de baixa especialização. Este vetor é geograficamente formado em sua maioria por biomas da Caatinga e por uma Mata At lântica litorânea. Possui seis estados litorâneos com uma boa quantidade de portos favoráveis para exportações de diversos produtos. Os produtos demandadores por transportes são apresentados abaixo com a representação das cargas transportadas no ano de 2010 e a projeção para o ano de 2031 (Figura 3.3).

Figura 3.3 - Portos do Nordeste Setentrional e os principais produtos exportáveis com projeção para

2031.

Fonte: Colombini (2011).

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), baseado nos estudos efetuados pelo PNLT, visa dar continuidade aos investimentos em transportes. Nele destaca-se a “Expansão da malha ferroviária”, ao qual encontramos a implantação da Ferrovia Transnordestina e dos “Estudos de ferrovias para Integração Intermodal”, onde está prevista a integração de 596 km de ferrovias entre a Ferrovia Transnordestina e a Ferrovia Norte-Sul, a partir de Eliseu Martins (PI) até Estreito (MA) (PERRUPATO, 2012).