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Planos dos e Políticas Públicas no período

3 PLANEJAMENTO NO BRASIL E NO RIO GRANDE DO SUL

3.4 Planos dos e Políticas Públicas no período

3.4.1 Plano de Governo de Antônio Britto (1995-1998)

As diretrizes do plano de governo da coligação Movimento Rio Grande Unido e Forte, constituída pelos partidos PMDB, PSDB e PL, e proposto por Antônio Britto apresenta uma nítida concepção neoliberal de Estado, e de como esse deveria atuar. Em vários trechos há menção a necessidade de privatização de serviços e atividades realizadas pelo Estado. No tópico “Descentralização e Municipalização”, o plano registra

Nos dias que correm não cabe nutrir ilusões sobre a onipotência do Estado no provimento das condições necessárias ao desenvolvimento econômico e social. (...) é fundamental avaliar criteriosamente os casos com relação aos quais é possível e conveniente a devolução à sociedade de serviços e encargos até agora em mãos do setor público – que se pode fazer em favor de empresas privadas (MOVIMENTO RIO GRANDE UNIDO E FORTE, 1994, p. 9 e 10).

O plano de governo propunha recuperar a capacidade de desempenho das funções de coordenação e planejamento do Estado para que o setor público pudesse efetivamente voltar a orientar o processo de desenvolvimento regional. O quadro 5 traz as ações propostas pelo Governo de Antônio Britto que foram encaminhadas à Assembleia Legislativa no início de seu mandato.

Quadro 5 – Áreas de Ações Propostas pelo Governo Britto segundo as Mensagens enviadas à Assembleia Legislativa

Fonte: Mensagens à Assembleia Legislativa (2016)

Segundo a pesquisa realizada pelo Observatório do Desenvolvimento Regional da UNISC e apresentada no Relatório Final, destaca-se no Plano de Governo Britto o desejo de

Transformar ilhas de desenvolvimento em prosperidade. Como diversas regiões como Vale dos Sinos, Serra e Região Metropolitana que são desenvolvidas e algumas cidades com desenvolvimento específico como Santa Cruz (Fumo), Triunfo (Polo Petroquímico). Haverá uma reforma no estado com uma política séria de investimentos e de captação de recursos com o objetivo de ampliar as demais áreas do estado suas potencialidades para um estado cada vez mais forte (SILVEIRA, 2012, p. 25).

Sem dúvida esta proposta assenta-se na ideia do Consenso de Washington e nas propostas de livre mercado que teria por fundamento a lógica do desenvolvimento social a partir do desenvolvimento dos mercados regionais.

3.4.2 O Plano de Governo de Olívio Dutra (1999-2002)

O plano de governo apresentado por Olívio Dutra trazia as propostas de governo da Frente Popular, coligação encabeçada pelo PT, e que ainda contava com a participação do PSB, PC do B, PCB e PDT. Como principal característica, destaca-se a proposta de um modelo diferente de desenvolvimento praticado pelo governo anterior, assentado na

1995 1996 1997 1998

BRITTO

Área ECONÔMICA: Agricultura e Abastecimento, Ciência e Tecnologia; Desenvolvimento e Assuntos Internacionais; e Turismo.

Área: INFRA-ESTRUTURA: Transportes; Minas, Energia e Comunicações; Obras Públicas, Saneamento e Habitação.

Área SOCIAL: Educação; Justiça e Segurança; Saúde e Meio Ambiente; Trabalho, Cidadania e Assistência Social; Cultura

Área ADMINISTRATIVA: Goveno do Estado, Planejamento, Administração Tributária, Administração e Patrimônio.

democracia efetivamente participativa e em que o Estado tem um papel primordial na promoção do desenvolvimento sustentável, com ênfase na inclusão social.

Propunha que a política econômica deveria ser orientada para um crescimento sustentado e equitativo da renda, das regiões e dos setores. Tal opção possui um conteúdo político que requer um Estado mais ativo, mais participativo e democrático, que busque através da articulação das associações de empresas, sindicatos, escolas e universidades, bem como dos Conselhos Regionais, formular políticas de modernização científica e tecnológica que atendam as demandas das empresas locais e regionais e assegurem a geração de renda.

(PROPOSTA DE GOVERNO DA FRENTE POPULAR, 1998).

No relatório da pesquisa “Planejamento e Gestão Governamental na esfera Estadual:

uma análise comparativa dos processos, conteúdos e sistemas de acompanhamento dos PPAs”, Etges afirma:

Com o curto prazo de entrega [do PPA 2000-2003] (31 de março de 1999, três meses após a posse), os avanços não foram notórios [em relação ao PPA 1996-1999]. Na introdução do documento (PPA 2000-2003), fica explícito que o Orçamento Participativo Estadual seria um importante instrumento de planejamento e deliberação do governo, afirmando que a sociedade seria consultada diretamente sobre as ações planejadas por este último. O PPA 2000-2013 apresentou a Mensagem e o Projeto de Lei, as diretrizes globais da nova Administração estadual que tinham como referência o “Desenvolvimento de Verdade; Afirmar Direitos e Garantir a Inclusão Social; e Gestão Democrática do Estado – Participação Popular.

” Neste PPA constam 158 programas, 165 diretrizes e 353 objetivos. (ETGES et al, 2015, p. 10-11).

Este governo já apresentou melhorias no modelo de gestão em relação aos governadores anteriores. Ainda, segundo Etges (2015:11) foi na Gestão de Olívio Dutra que se

“desenvolveu uma metodologia para Monitoramento das Ações de Governo (MAG), que acompanhou a evolução físico-financeira de 56 projetos prioritários, através do apoio técnico de 16 órgãos envolvidos”.

Não consta que estes projetos tenham sido tratados com metodologias próprias para gestão de projetos (PMI, por exemplo), mas a existência de uma instância formada por diferentes órgãos da administração pública, já configura um avanço em termos de monitoramento e controle da execução dos projetos prioritários. O quadro 6 resume as principais propostas do Governo Olívio Dutra.

Quadro 6 – Áreas de Ações Propostas pelo Governo Olívio segundo as Mensagens enviadas à Assembleia Legislativa

Fonte: Mensagens à Assembleia Legislativa (2016)

3.4.3 O Plano de Governo de Germano Rigotto (2003-2006)

Em 2003 inicia o governo de Germano Rigotto, apoiado pela coligação de partidos políticos do PMDB, PSDB e PHS. O plano de governo denominado “Diretrizes para o Governo” apresenta propostas para o desenvolvimento regional do Estado, propõe a criação da Secretaria do Interior e de Desenvolvimento Regional, e enfatiza políticas voltadas ao apoio a empreendimentos empresariais com o objetivo de induzir novos focos dinâmicos na economia estadual. O plano destaca

[...] como um eixo estratégico de sua proposta de fortalecimento econômico e social do Estado a promoção de um desenvolvimento regional mais dinâmico e mais justo no Rio Grande do Sul. Na verdade, nossa convicção é que a atenção ao desenvolvimento regional, se implementada com efetividade, terá ganhos que transcenderão à melhora no padrão de distribuição espacial das atividades econômicas e que, ademais disso, trarão ganhos muito importantes com relação à geração de empregos e à redução das desigualdades sociais (DIRETRIZES PARA O GOVERNO, 2002, p. 18).

1999 2000 2001 2002

Área INFRA-ESTRUTURA: Energia, Minas e Comunicações; Obras Públicas e Saneamento;

Transportes; Habitação.

Área ECONÔMICA: Agricultura e Abastecimento; Ciência e Tecnologia; Desenvolvimento e Assuntos Internacionais; Turismo.

Área SOCIAL: Cultura; Educação; Justiça e Segurança; Meio Ambiente; Saúde; Trabalho, Cidadania e Assistência Social.

Área ADMINISTRATIVA: Gab Governador e Vice; Casa Civil; Casa Militar; Defensoria Pública;

Procuradoria; Coordenação e Planejamento; Administração e RH; Fazenda.

OLÍVIO

Quadro 7 – Áreas de Ações Propostas pelo Governo Rigotto segundo as Mensagens enviadas à Assembleia Legislativa

Fonte: Mensagens à Assembleia Legislativa (2016)

Com relação aos COREDES o Governo de Germano Rigotto “não anunciou em seu plano de governo nenhum assunto relacionado ao desenvolvimento destas regiões, mas aponta as seguintes ações (SILVEIRA, 2012, p. 30):

a) Reduzir as diferenças de renda e bem-estar social prevalecente entre as principais regiões do Estado;

b) Promover a geração de ocupação e empregos na base sociais hoje prevalecentes entre as principais regiões do Estado;

c) Promover a geração de ocupação e empregos na base social, no coração do RS;

d) Na estruturação política o candidato propõe a estruturação da política de desenvolvimento regional sobre os seguintes princípios;

i. Princípio de concentração que de acordo de transferência voluntária dos municípios, as operações de crédito favorecido, os investimentos situados fora do núcleo dinâmico da economia estadual, bem como a utilização dos instrumentos específicos da política de desenvolvimento regional, com créditos favorecidos, incentivos fiscais especiais e a tomada de participações societárias que deverão convergir para as regiões deprimidas;

ii. No princípio de parceria toda a ação de fomento estadual deve estar integrada em metas de participação e envolvimento da iniciativa privada e em geral da comunidade local no plano de ação destinado a reverter a situação regional indesejável. Sobre o PPA (2004-2007), Etges destaca:

2003 2004 2005 2006

ADMINISTRAÇÃO, GESTÃO e FINANÇAS:Governo do Estado; Coordenação e Planejamento;

Administração e Recursos Humanos; Administração Fazendária; Assistência Jurídica e Judiciária..

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO e TECNOLÓGICO: Desenvolvimento Econômico, Atração de Investimentos; Agricultura e Desenvolvimento Agrário; Turismo, Esporte e Lazer; Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

RIGOTTO

INFRA-ESTRUTURA e MEIO AMBIENTE:Transportes, Energia, Saneamento e Obras Públicas;

Habitação e Desenvolvimento Urbano; Meio Ambiente.

POLÍTICAS SOCIAIS: Saúde; Educação; Justiça e Segurança; Trabalho e Assistência Social; Cultura.

Neste período o Rio Grande optou por uma integração PPA-LOA diferente da adotada na esfera federal. Enquanto naquele as ações dos programas do PPA correspondiam exatamente às ações orçamentárias, sendo inclusive já codificadas no Plano, no Rio Grande do Sul, a cada ação do programa do PPA, poderiam corresponder um ou mais projetos ou atividades orçamentárias. [...] A proposta de trabalho apresentada pela SCP aos órgãos em 2003 sugeria que, para a elaboração dos programas, se partisse da identificação de problemas, objetivos a serem perseguidos pela ação de governo e metas a serem alcançadas no período. Ainda, sempre que possível, para os programas finalísticos, deveriam ser elaborados indicadores que permitissem aferir o alcance dos objetivos dos programas, assim como as metas deveriam ser regionalizadas. [...] os programas foram orientados por quatro diretrizes estratégias: (a) promoção da inclusão social; (b) atração de investimento e fomento ao desenvolvimento econômico; (c) combate às desigualdades regionais; (d) modernização da gestão e dos serviços públicos (ETGES et al, 2015, p. 11)

3.4.4 Plano de Governo de Yeda Crusius (2007-2010)

A Coligação Rio Grande Afirmativo integrada pelos partidos PSDB, PFL e PPS e liderada pela candidata ao governo estadual Yeda Crusius, apresentou em seu plano de governo denominado “Um novo jeito de governar”, identifica como histórica a problemática das desigualdades regionais. Propõe combatê-la, sobretudo nas regiões mais atrasadas (Norte, Noroeste, Fronteira-Oeste e Litoral) com:

a introdução de dinamismo econômico com aumento da produtividade nos setores tradicionais e a diversificação da produção.(...) Isso significa que para as regiões mais atrasadas economicamente, diferentemente do “Rio Grande do Sul Industrial”, a saída inicial é aumentar a produtividade das suas atividades tradicionais! Mais do que isso, essa estratégia deve estar ligada a um esforço de aumento das exportações internacionais do produto dessas regiões e do aumento do valor agregado dessas exportações (UM NOVO JEITO DE GOVERNAR, 2006, p. 4).

Embora haja essa percepção do que, segundo a candidata, precisa ser feito para combater as desigualdades regionais, o plano de governo não apresenta nenhuma proposta explícita e concreta de ação política de promoção do planejamento territorial visando o desenvolvimento regional.

Mas, ainda assim, entre todos os planos e metodologias de Governo apresentadas, talvez a deste Governo tenha sido a mais bem elaborada em termos metodológicos. Pois, parte de um diagnóstico bem organizado que aborda temas como a desigualdade regional, pobreza urbana, crise das finanças e qualidade dos serviços públicos.

Logo em seguida apresenta propostas por eixos temáticos: (a) desenvolvimento econômico sustentável; (b) desenvolvimento social; (c) finanças e gestão pública. E, cada um destes eixos é constituído pelas funções de Governo com uma breve análise situacional e

propostas para o desenvolvimento. Etges et. Al (2015), destaca que o planejamento do PPA (2008-2011) passou pelas seguintes etapas:

Elaborado por meio de oficinas de planejamento envolvendo o primeiro escalão do Governo, assessorado por uma empresa de consultoria e com base no Programa de Governos e em documentos anteriormente publicados, como Rumos 2015, Agenda 2020 e Pacto pelo Rio Grande. [...] Apresentou visão de futuro de longo prazo (20 anos) e um conjunto de estratégias de médio prazo (4 anos), organizadas em três eixos (a) Desenvolvimento Econômicos Sustentável, (b) Desenvolvimento Social, (c) Finanças e Gestão Pública. [...] para as 10 estratégias de longo prazo, foram associados propósitos e indicadores que possibilitassem avaliar o grau de realização ao longo do tempo. Já a agenda estratégica de médio prazo compreendia 32 prioridades do governo para o período 2007-2010, organizadas em três eixos de atuação, das quais 10 eram prioridade referentes ao eixo Desenvolvimento Econômico; 16 ao eixo Social; e 6 ao eixo Finanças e Gestão Pública. [...] Para o monitoramento dos Projetos Estruturantes, foi elaborado um convênio com o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), que, por meio de consultoria, assessorou o Estado na utilização das técnicas de monitoramento do Project Management Institute (PMI). [...] o Estado foi dividido em nove regiões funcionais. O PPA e os Cadernos de Regionalização foram regulamentados através de lei, [...] e em seguida, foi elaborado um caderno contendo as metas regionais, indicadores e ações de programas finalísticos para cada Região Funcional de Planejamento. Isto possibilitaria estabelecer metas regionais para indicadores e ações de programas finalísticos e, posteriormente, elaborar os cadernos de políticas transversais para temas que envolvessem vários programas e setores, consolidando as políticas públicas dirigidas a diferentes segmentos sociais em situação de vulnerabilidade (ETGES, et al, 2015, p. 12-14).

Pode-se então, com base nos textos referidos, afirmar que este plano de governo contou com apoio de consultorias externas especializadas na elaboração de planos de longo prazo e que tiveram por base os planos e estudos realizados antes e durante o Governo de Yeda. Do ponto de vista gerencial, houve a parceria com o PGQP que tem por finalidade melhorar os processos gerenciais e, para a elaboração, monitoramento e controle dos projetos, o governo contou com a participação do PMI. Portanto, constitui-se, até este momento, no plano de governo que apresentou a metodologia que possui a melhor adequação às teorias e práticas de gestão. Mas, por outro lado, como será detalhado posteriormente, os resultados não expressam estas boas práticas de gestão, pelo contrário, apresentou as melhores práticas, mas os piores resultados, como ficará evidente na análise da trajetória do PIB Gaúcho. Quadro 8 resume as propostas de Yeda Crusius para o período 2007 – 2010.

Quadro 8 – Áreas de Ações Propostas pelo Governo Britto segundo as Mensagens enviadas à Assembleia Legislativa

Fonte: Mensagens à Assembleia Legislativa (2016)