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Planos e Programas Municipais

No documento Renato Miguel Carromeu Monteiro (páginas 68-71)

3. Caracterização da Área de Estudo

3.2. Instrumentos de Gestão Territorial com Incidência no Concelho de Setúbal

3.2.3. Planos Sectoriais e Especiais

3.2.5.2. Planos e Programas Municipais

3.2.5.2.1. Plano Diretor Municipal de Setúbal

De acordo com o Artigo 95º do Dec. Lei nº 80/2015 de 14 de maio, o Plano Diretor Municipal de Setúbal, adiante designado por PDM-S, constitui um instrumento que estabelece a estratégia de desenvolvimento territorial municipal, a política municipal de solos, de ordenamento do território e de urbanismo, o modelo territorial do município que tem por base a classificação e a qualificação do solo, as opções de localização e de gestão de equipamentos de utilização coletiva e as relações de interdependência com os municípios vizinhos, integrando e articulando as orientações estabelecidas pelos programas de âmbito nacional, regional e intermunicipal.

O PDM-S, aprovado em 1994, tem como propósito estabelecer as regras a que deverá obedecer a ocupação, uso e transformação do território do município de Setúbal, e definir as normas gerais de gestão urbanística a utilizar na implementação do Plano (artigo 1º do Regulamento de 1994). No entanto, por forma a contrariar a tendência, predominante nas

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últimas décadas, de transformação excessiva e arbitrária do solo rural em solo urbano, o PDM-S encontra-se em fase de revisão, com o objetivo de promover um modelo coerente de ordenamento do território que assegura a coesão territorial e a correta classificação do solo.

O PDM-S é um PMOT e consiste num instrumento de referência para a elaboração dos restantes planos municipais de hierarquia inferior (PU e PP), cujo domínio é o resultado de um processo de planeamento onde são especificadas as intenções e normas relativas a medidas e ações que os poderes públicos decidem adotar para a resolução e prevenção de problemas numa dada área territorial (Marques et al., Sem data). O PDM é assim um instrumento de planeamento de ocupação, uso e transformação do território municipal, cuja elaboração é obrigatória, exceto nos casos em que os municípios optem pela elaboração de plano diretor intermunicipal em conjunto com outros municípios.

3.2.5.2.2. Componentes do Plano Diretor Municipal de Setúbal

A primeira versão do PDM-S, publicado em 1994, apresenta-se atualmente desatualizado e, por esse motivo, encontra-se, até à data, em fase de revisão. Com base no RJIGT atual, os PDM da nova geração, a qual irá pertencer o PDM-S, são constituídos por três documentos diferentes, sendo eles:

 Regulamento, que possui todas as normais legais que devem ser seguidas na ocupação do solo municipal;

 Planta de ordenamento, que representa o modelo de organização espacial do território municipal, de acordo com os sistemas estruturantes e a classificação e qualificação dos solos, as unidades operativas de planeamento e gestão definidas e, ainda, a delimitação das zonas de proteção e de salvaguarda dos recursos e valores naturais;

 Planta de condicionantes que identifica as servidões administrativas e as restrições de utilidade pública em vigor que possam constituir limitações ou impedimentos a qualquer forma específica de aproveitamento.

Para além dos documentos descritos anteriormente, ao abrigo do mesmo documento, estes planos têm que ser acompanhados por:

1) Estudos de caracterização do território municipal;

2) Relatório, que explicita a estratégia e modelo de desenvolvimento local, nomeadamente os objetivos estratégicos e as opções de base territorial adotadas para o modelo de organização espacial;

3) Relatório ambiental, no qual se identificam, descrevem e avaliam os eventuais efeitos significativos no ambiente resultantes da aplicação do plano;

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4) Programa de execução contendo as disposições sobre a execução das intervenções prioritárias do Estado e do município, previstas a curto, médio e longo prazo; 5) Plano de financiamento das intervenções previstas.

Os PDM têm ainda que ser acompanhados de elementos complementares que, no caso do PDM-S, são os seguintes:

a) Planta de enquadramento regional com indicação dos centros urbanos mais importantes, principais vias de comunicação, infraestruturas relevantes e grandes equipamentos que sirvam o município e indicação dos demais programas e planos territoriais em vigor para a área do município;

b) Planta da situação existente com a ocupação do solo; c) Relatório dos compromissos urbanísticos na área do plano; d) Mapa de ruído;

e) Carta da Estrutura Ecológica Municipal;

f) Participações recebidas em sede de discussão pública e respetivo relatório de ponderação.

3.2.5.2.3. Fases do Plano Diretor Municipal de Setúbal

A revisão do PDM é um processo complexo que implica o cumprimento de fases em que cada uma delas é constituída por um conjunto de procedimentos correlacionados, que se iniciam na decisão de elaborar ou rever o plano e terminam na sua publicação em Diário da República, ao depósito da Direção Geral do Território (DGT) e na divulgação na página da Internet do Município.

No município de Setúbal, o processo de revisão do PDM-S é acompanhado por 25 entidades exteriores, que constituem uma Comissão de Acompanhamento (CA), cuja composição traduz a natureza dos interesses a salvaguardar e a relevância das implicações técnicas a considerar, integrando representantes de serviços e entidades da administração direta ou indireta do Estado e de outras entidades públicas.

Na tabela 3.3 encontram-se descritas as diferentes fases do processo de revisão do PDM-S, desde a fase de caracterização até à publicação do plano.

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Tabela 3.5 - Fases da Revisão do PDM-S (Adaptado de Marques et al. Sem data)

1. Trabalhos Preparatórios

Caracterização e diagnóstico do território na situação atual

2. Elaboração e Acompanhamento do Plano

Elaboração de estudos de caraterização do Território Municipal, delimitação da RAN e REN brutas, Modelo de Desenvolvimento Territorial, Avaliação Ambiental Estratégica e realização

de Sessões Plenárias e Setoriais da CA para acompanhamento e orientação dos aspetos processuais e técnicos da Revisão do Plano.

3. Concertação

A CMS pode promover reuniões de concertação, se necessárias, com as entidades que integram a CA que formalmente discordaram das soluções do Plano.

4. Discussão Pública

A CMS procede à abertura do período de discussão pública, de acordo com o estabelecido no RJIGT. Disponibilização da versão preliminar do Plano para recolha de comentários e

sugestões de todos os interessados.

5. Versão Final da Proposta de Plano

Ponderados os resultados da discussão pública, a CMS elabora a versão final do Plano, tendo em vista a emissão do parecer Final da CCDR.

6. Aprovação do Plano

O Plano é aprovado pela Assembleia Municipal, ratificado pelo Governo (caso seja necessário), publicado no Diário da República e depositado na DGT.

PUBLICAÇÃO E DEPÓSITO DO PLANO

3.2.6. Síntese das Orientações dos Instrumentos de Gestão

No documento Renato Miguel Carromeu Monteiro (páginas 68-71)