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No início da minha atividade na HP, em 1990, participei, em Portugal, na Regularização Fluvial e Controlo de Cheias da Bacia Hidrográfica do Rio Trancão, onde executei os trabalhos de campo de identificação da ocupação dos solos, elaborei a respetiva carta e participei na elaboração do Plano Geral de Intervenção.

Entre 1992 e 1993, efetuei alguns estudos para Planos Diretores Municipais (PDM), dos quais se destacam os PDM´s de Alcácer do Sal, Chaves, Boticas e Vila do Bispo. Colaborei, igualmente, no Plano Diretor do Douro Norte e no Plano Integrado de Desenvolvimento do Distrito de Beja. Nestes planos, executei os estudos hidrológicos, a avaliação dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, a caraterização dos solos e da ocupação dos solos e o cálculo das necessidades hídricas.

Em 1992, executei o estudo “Análise Técnico-Económica dos Regadios Individuais no Baixo Sorraia”, onde efetuei a caraterização dos recursos hídricos, agrológicos e pedológicos, a identificação de regadios “Tipo”, baseados em pequenas barragens com capacidades de armazenamento entre 0,10 e 0,50 hm³; e de regadios “Tipo”, baseados em recursos hídricos subterrâneos. Para estes regadios, foram determinados os custos de investimento, de exploração e de manutenção das infra- estruturas de rega (barragens, furos, canais trapezoidais, redes de distribuição de água sob pressão).

Na Argélia e para as Barragens de Béni Slimane e Dermoun, efetuei, entre 2011 e 2012, a coordenação da Missão 10, que incluía o cálculo das perdas de solo nas bacias hidrográficas (176 e 683 km2), de acordo com a equação da RUSLE, em SIG, a elaboração da carta de coberto vegetal e ocupação do solo e a identificação das zonas suscetíveis à erosão por ravinamento. Foi igualmente apresentado o plano de controlo de erosão para as bacias hidrográficas. Em 2014 iniciei a execução deste tipo de estudos para a bacia hidrográfica da barragem de Bounachi (62 Km2).

No Brasil, para a Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, e no âmbito da “Mitigação das Cheias do Rio Muriaé e do Rio Pomba - Convergência entre os sistemas de cheias e o Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável em Microbacias Hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro (Municípios de Santo António de Pádua, Cardoso Moreira, Muriaé, Itaperuna e Italva)” fui coordenador do Estudo de Viabilidade e do Projeto Básico (2012 e 2013). Neste estudo, procedeu-se à caraterização da situação de referência, ao estudo técnico e económico de alternativas para a regularização, armazenamento, elevação e adução

75 de água, com dimensionamento de tomadas de água nos rios Muriaé e Pomba, de pequenas barragens, de estações elevatórias e de redes adutoras. A área total delimitada com pequenos e médios perímetros irrigados, para os cinco municípios, ascende a cerca de 8.205 ha. Para aqueles municípios, desenvolvi igualmente os Estudos Ambientais e propus ainda um Programa de Reflorestação.

Da observação das condições locais referentes aos aspetos ambientais e agronómicos, e após análise das soluções técnicas para os sistemas hidráulicos, constatou-se que estas obras necessitam de ser prioritariamente enquadradas com outras medidas e ações a empreender para a região. Desta forma, foi efetuado um Plano Estratégico de Intervenção, de modo a que os investimentos a efetuar nos sistemas hidráulicos de irrigação sejam inseridos numa ótica global e estratégica para a região. As conclusões dos estudos agronómicos referem que a política adotada nos últimos anos com a desflorestação e o aumento das áreas afetas ao pastoreio deve ser radicalmente alterada e que parte substancial destes terrenos deve ser reconvertida para floresta. Nos últimos dois séculos, a floresta tem desaparecido a um ritmo muito elevado (Mata Atlântica), restando atualmente apenas cerca de 2% da área inicial. A desflorestação iniciou-se principalmente com a plantação do café. A decadência da cafeicultura, ainda na década de 1930, e depois em 1960, e a derrocada total do café determinaram a substituição gradual da lavoura cafeeira por pastagens, tornando a pecuária leiteira a principal atividade desta região. Face principalmente às condições orográficas da região (terrenos dobrados) e ao tipo de solos existentes, esta última atividade possui reduzidas produções, o que se tem traduzido nos baixos rendimentos dos agricultores, no abandono sucessivo dos campos e no aumento de fenómenos de erosão.

Por outro lado, com a alteração da ocupação cultural que ocorreu nesta região, resultou o aumento, nos últimos anos, da frequência e dimensão das cheias e da severidade das secas.

Assim, uma das principais medidas previstas nos estudos foi promover um ambicioso programa de florestação de parte significativa das áreas em estudo. Outras medidas com caráter urgente a introduzir em algumas áreas desta região foi a reconversão do tipo de agricultura, nomeadamente na reconversão de pastagens localizadas em terrenos com declive acentuado e com maneio deficiente e na introdução de espécies arbóreas/frutícolas, e a alteração das tecnologias de rega.

A área total prevista para reflorestação dos 5 municípios foi de cerca de 7.320 ha e, os custos totais de investimento, incluindo os custos com as infra-estruturas, rondam os 101.500.000 euros.

6.2. Pareceres

Nos últimos anos, a COBA tem sido convidada para executar pareceres técnicos e económicos de viabilidade de investimentos em fazendas no interior de Angola.

Neste âmbito, fui chefe de projeto de alguns pareceres efetuados para Projetos de Desenvolvimento Agrícola nas Províncias de Malange e Uíge, dos quais se destacam os pareceres para as Fazendas das Pedras Negras, Sanza Pombo e Quizenga. Estes pareceres incluíam a elaboração de um relatório com caraterização e análise técnica e económica destas fazendas. Estes Projetos compreendiam a exploração de grandes fazendas agro-industriais no Centro e Norte de Angola, e tinham por objetivo impulsionar o desenvolvimento agrícola e económico da região através de investimentos em infra-estruturas e no desenvolvimento de fazendas agro-pecuárias e instalações industriais de apoio à produção agrícola.

O Projeto de Desenvolvimento Agrícola da Fazenda Pedras Negras previa a instalação de um projeto agro-industrial de produção de milho, feijão e soja, em regime de sequeiro e regadio, na margem do rio Kwanza, na Província de Malange (10.000 ha). O Projeto do Polo de Desenvolvimento Agroindustrial de Quizenga, localizado na região da Quizenga, na Província de Malange (30.000 ha), fundamentava-se na instalação e produção de milho, feijão, fuba, ração e, sobretudo, produção de carne. O Projeto de Desenvolvimento Agrícola de Sanza Pombo, localizado na região de Sanza Pombo, na Província do Uíge (9.433 ha) fundamentava-se na produção de arroz e milho.

76 A consultoria técnica prestada pela COBA contribuiu para a estruturação de um Business Plan por fazenda agro-industrial. Foi analisada a informação de cariz técnico necessária para produção de informação financeira e económica para o modelo económico, como custos de investimento, custos e receitas de exploração, manutenção ou contas previsionais de exploração. No âmbito deste estudo, os documentos existentes das Fazendas foram objeto de uma análise crítica, de forma a assegurar que a conceção e implementação da obra seja efetuada de acordo com as regras de arte, com custos razoáveis e com processos de trabalho adequados, tendo-se inclusivamente recomendando cenários alternativos de otimização que tornem os projetos mais interessantes à operação por parte do sector privado (ex: aumento das áreas com regadio, aumento da densidade do sistema de drenagem, redução das produções apresentadas em sequeiro para valores mais comuns para a região, etc.).

6.3. Formação

Em 1997, dei formação a técnicos da EDIA sobre o modelo para o dimensionamento das infra-estruturas primárias de adução e armazenamento do empreendimento de Alqueva (Modelo SIMOP).

No âmbito da Reabilitação das Obras do Perímetro de Rega e Drenagem de Xai-Xai, em 2010, dei formação em hidráulica agrícola e na organização, gestão e manutenção de perímetros irrigados a quadros técnicos moçambicanos.

Este curso possuía dois módulos, sendo o primeiro ligado ao funcionamento e gestão das infra-estruturas hidráulicas e o segundo ligado à organização, planeamento, manutenção e gestão de perímetros irrigados. No primeiro módulo foi distribuído um manual de funcionamento do perímetro irrigado e distribuído software de drenagem (HEC-HMS – programa para determinação dos hidrogramas de cheia e dos caudais de ponta de cheia; HEC-RAS – programa para simulação hidráulica do escoamento em valas de drenagem; folha de cálculo utilizada para a determinação do caudal drenado pelas comportas do Umbape) e rega (CROPWAT – programa que permite determinar as necessidades de água das culturas; EVAPOT56 – programa utilizado para determinação dos valores médios de evapotranspiração de referência, através da fórmula de Penman-Montheith; ISAREG – programa para determinação das necessidades globais de rega; WinSRFR – programa para simulação e análise de sistemas de rega em superfície). Foram igualmente distribuídas folhas de cálculo referentes a “Hidrologia_TC” (para determinação do tempo de concentração, que é utilizado na determinação do hidrograma de cheia de uma determinada bacia hidrográfica), “Q_ponta- M_racional” (para determinação do caudal de ponta de cheia, através da utilização da fórmula racional) e o “Dim_RREga” (utilizado no dimensionamento hidráulico das redes de rega).

No âmbito do Plano Nacional Director de Irrigação de Angola (Planirriga), efetuei, em 2012, uma ação de formação a técnicos do Ministério da Agricultura de Angola, sobre o dimensionamento e caraterísticas das principais infra-estruturas hidráulicas de armazenamento, elevação, adução e distribuição existentes em perímetros irrigados e sua gestão, exploração e manutenção, tendo por base algumas das infra-estruturas projetados e construídos no EFMA.