Fonte: Elaborada pela autora (2019).
No local são encontradas duas áreas vazias que servem de ventilação para as garagens contornadas por canteiros de plantas como forma de delimitação do espaço. Esses canteiros, devido a sua altura, também permitem que pessoas se sentem no local, utilizando-os como bancos, pois é percebida a ausência de bancos móveis. Além dos canteiros, encontram-se situados próximo à esquina da edificação, bancos fixos em alvenaria, revestidos com granito, que são utilizados como locais de permanência. A presença de pouco mobiliário aponta para um espaço que não é destinado a permanência de um grande número de pessoas no local, servindo apenas como suporte básico.
Outro elemento encontrado na praça é uma fonte aquática que funciona como um espelho d’agua, com jatos de água ligados esporadicamente. A presença
As características físicas do local revelam uma área livre privada que se assemelha a uma praça, entretanto, nota-se a deficiência de elementos mobiliários. A praça se configura mais com a função de circulação, com a presença de espaços vazios. No local encontra-se um espaço ocioso com função utilitária de ventilação das garagens. Também se apresenta com uma vocação comercial, sendo atrativa ao comércio ali estabelecido. As características do local demonstram então que foi feito um investimento de modo a tornar a praça atrativa, porém não há grandes estímulos ao pedestre a permanecer no local, como a presença de árvores para sombreamento ou a presença de mobiliário mais atrativa e cobertura para proteção da chuva. Tais fatores foram corroborados também com o contato com usuários, ao apontarem que a área poderia oferecer mais atrativos como mobiliário mais confortáveis e a presença de maior arborização.
O espaço é monitorado indiretamente por funcionários das edificações e através de equipamentos de segurança, fator que indica que o espaço não é controlado por meio de barreiras físicas, porém ele é monitorado, o que pode inibir determinados comportamentos no local. Não foram verificados comportamentos no espaço que foram considerados indesejados e alvo de repressão. A questão da segurança foi apontada por entrevistados como um fator benéfico. Segundo uma entrevistada, ela se sente mais segura no espaço do que em espaços públicos tradicionais, citando o caso do Parque Halfeld, como exemplo. De acordo com ela a presença de comércio, a maior circulação de pessoas e a ideia de um espaço aberto, dá mais visibilidade ao espaço, fazendo com que a sensação de segurança seja maior.
Essas características somadas àquelas evidenciadas em outros exemplos trazidos, revelam que certos padrões são mantidos, a presença de pouco mobiliário, a presença de elementos atrativos como a fonte e o controle através de monitoramento. Evidencia também uma certa padronização no que diz respeito ao tipo de configuração desses espaços, com forte influência internacional.
5.3.5 Usos
Para ir além de apenas elencar as características do espaço buscou-se investigar quais as relações dos sujeitos com o espaço, como ele está presente no cotidiano das pessoas que dele usufruem. Para tanto, a ida ao campo foi necessária, com a aplicação de entrevistas aos usuários do espaço.
Uma das perguntas consistia em verificar qual o domicílio da pessoa entrevistada, se era moradora do bairro ou não a fim de investigar se as pessoas se deslocavam para o acesso ao espaço ou se caracterizavam pessoas da própria região. Os resultados obtidos foram que a maioria das pessoas que utiliza o local é do próprio bairro, alcançando 70% dos entrevistados. Já o restante, ou seja, 30% dos entrevistados, não era do bairro, mas realizam alguma atividade no bairro ou nas regiões próximas. Não foram constatadas ocorrências de moradores de outro bairro que se deslocam para o espaço com objetivo exclusivo de utilizar do mesmo. Quando ocorre esse uso há uma outra motivação para esses deslocamentos. Na maioria dos casos a oferta de comércio, serviços e educação. A presença do colégio, Instituto Metodista Granbery nas proximidades, é responsável por um grande número de usuários do local. Foi evidenciado também o uso do espaço por parte dos próprios moradores e usuários dos edifícios.
O fato de os usuários do espaço serem do próprio bairro demonstra que a área não é referência de espaço livre de modo que as pessoas se desloquem para dele usufruírem, revela, no entanto, uma possibilidade a aqueles que transitam pela região ou a moradores do bairro. Verifica-se então que o espaço não é visto como um espaço coletivo de referência para a população da cidade de maneira geral ou um espaço com ampla utilização pública, mas configura-se como uma área livre destinada a uma parcela da população.
O fato de uma possibilidade dessas áreas estarem presentes em maior escala na cidade também foi abordado na entrevista com o arquiteto responsável pelo projeto, segundo ele trata-se de uma tendência a presença dessas áreas, não apenas como foi nesse caso, decorrente de uma exigência legal, disse esses espaços se tratam “de uma busca por sair de uma solução considerada tradicional, trazendo benefícios para a cidade e para o urbano.“ Segundo o arquiteto, é um sonho que ele persegue, e acredita que é sim uma tendência das cidades, enxergando como uma contrapartida natural da verticalização, implicando em como a cidade cresce, adensando ou verticalizando. Acredita também que o adensamento em determinadas áreas vem junto com a verticalização. De acordo com o arquiteto, mesmo que não existam benefícios diretos, quando se consegue demonstrar ao incorporador os benefícios indiretos e que não há perda no potencial, conseguindo se viabilizar de outra maneira, isso é benéfico, devido à carência de espaços públicos em áreas densas da cidade. O arquiteto citou experiências internacionais, algumas já estudadas
nesse trabalho, e a cidade de Nova Iorque. Usuários do empreendimento também citaram que a presença dessas áreas em maior escala seria benéfica à cidade. Segundo outro entrevistado se tem atualmente a necessidade de implantação de espaços similares, com “maior integração com a cidade”.
Quanto à frequência no local, se é esporádica ou contínua, a maioria dos entrevistados (60%) disse que a utilização do espaço é contínua e com frequência de ao menos uma vez por semana. Já o restante (40%) afirmou que a utilização se dava de maneira esporádica.
A observação também constituiu na análise dos fluxos estabelecidos, catalogando os diferentes usos do espaço. Os deslocamentos estabelecidos são distintos, além dos fluxos das calçadas, há fluxos diretos para a entrada dos edifícios e fluxos realizados dentro da área livre do empreendimento de pedestres que desejam diminuir a distância a se percorrer. Os fluxos são apresentados no esquema representado pela Planta 5.