PARTE I FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3.9 Plataformas de EAD e modelos tecnopedagógicos
O advento da telemática fez evoluir os ambientes de aprendizagem a distância, favorecendo todos os tipos de mediação citadas neste capítulo, no item 3.2 que trata da comunicação pedagógica midiatizada, que vai além dos aspectos tecnológicos, pois, em curto espaço de tempo, conforme observa Lamontagne (2001 apud Martin, 2001), rapidamente passou-se da formação a distância para a on line e depois para as plataformas de gestão das aprendizagens cada vez mais sofisticadas.
3.9.1 Plataformas de EAD
Segundo o Etude Comparative technique et pédagogique des plate-formes pour la formation ouverte et a distance (1999), um estudo com objetivo de comparar as plataformas para a formação aberta e a distância, verificou-se que reagrupa, geralmente, ferramentas necessárias a três principais usuários: professor, aprendiz e administrador – que tem por finalidade a consulta a distância de conteúdos pedagógicos, a individualização da aprendizagem e a tele-tutoria.
Na distribuição das funções dos usuários, o professor cria percursos pedagógicos típicos e individualizados de seu plano de ensino, incorpora recursos pedagógicos multimídia e efetua o acompanhamento e orientação das atividades dos aprendizes.
O aprendiz, dependendo de sua origem espaço-temporal, consulta on line ou armazena em seu computador os conteúdos pedagógicos recomendados, organiza e tem uma
visão evolutiva de seu trabalho, efetua os exercícios, auto-avalia-se e envia as atividades a corrigir.
Professores e aprendizes comunicam-se individualmente ou em grupo, criam temas de discussão e colaboram com documentos comuns.
Quanto ao administrador, este instala e assegura a manutenção do sistema, gera os acessos e os direitos de todos e cria links com sistemas de formação externos (instituições, empresas, catálogos, recursos pedagógicos, etc). Outras categorias podem se acrescentar nos papéis de administração, cabendo a outros profissionais de suporte, como administrador de material pedagógico, da escolaridade e formação, entre outros.
Lamontangne (2001) vem divulgando uma compilação de plataformas constantemente atualizadas, a partir do portal de informação sobre tecnologias da formação a distância denominado THOT (http://thot.cursus.edu). Atualmente, foram compiladas 186 anglofônicas e francofônicas, das quais, 10 são gratuitas. O autor afirma claramente que se certas plataformas são bastante onerosas, outras são capazes de transformar um servidor em um campi virtual por algumas centenas de dólares.
3.9.2 Modelos tecnopedagógicos
Os modelos pedagógicos de ensino a distância repousam sobre alguns pressupostos básicos como a individualização e a autonomia do estudante. As potencialidades das atuais tecnologias síncronas e assíncronas ampliaram também o caráter social da aprendizagem, valorizando as trocas e as colaborações e favorecendo a construção de verdadeiras comunidades virtuais.
Em essência, existe uma centena de modelos pedagógicos baseados em teorias e concepções de aprendizagem e correntes pedagógicas, elaborados situacionalmente, de acordo com a demanda do triângulo pedagógico (saber-conhecimento X professor-autor X aprendiz), pois cada instituição define sua política pedagógica e os instrumentos para avançar nas estratégias educativas. No caso da modalidade de EAD, é preciso considerar sobretudo a via tecnológica de tratamento pedagógico e a “entrega” do conteúdo.
A considerar ambientes de aprendizagem a distância mais abertos como os portais de aprendizagem, campos virtuais e plataformas de formação, é possível implementar modelos pedagógicos mais diversificados e evoluídos.
Paquette (2000) faz referência a seis modelos tecnopedagógicos que uma plataforma de formação deve manter, integrar e combinar:
!" Classe tecnológica – modelo tradicional que reúne um conjunto de tecnologias instaladas e utilizadas de maneira permanente. Assim, computadores ligados em rede e acesso a Internet, equipamentos de projeção para apresentações e navegação, softwares e sistema de videoconferência integrada podem ser instalados nas estações de trabalho. Links bidirecionais na sala são suficientes para assistir a apresentações de pessoas situadas a distância. A classe é aberta às informações do exterior, mas não necessariamente distribuída em vários locais.
!" Classe distribuída – sistema predominante utilizado no Laboratório de Ensino a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina, constitui-se de uma classe tecnológica virtual dividida em vários locais, distantes e equipados com sistema de videoconferência e uma variedade de periféricos ligados ao computador (câmeras, microfones, câmera documentos, leitor de Cd etc.). Os eventos de aprendizagem se desenvolvem em tempo real, animados por um professor que utiliza uma variedade de instrumentos de apresentação da informação. Implica presença simultânea dos estudantes em outras salas ligadas por telecomunicações com a sala geradora.
!" Hipermídia distribuída – com a Internet, proliferam cursos hipermídia sobre a Web. A aprendizagem se dá de forma autônoma pelo aprendiz e geralmente sem intervenção de um formador e não necessariamente por meio da colaboração entre aprendizes. Não há exigência de lugar ou tempo imposto pelo modelo de formação. Cada aprendiz acessa conteúdos pré- fabricados multimidiatizados. O material pedagógico pode ser inteiramente local (CD ROM ou instalado no posto de trabalho) ou on line via Internet, ou ainda de forma híbrida (local e on line).
!" Formação on line – utiliza a Internet, mas de maneira diferenciada. É gerado por um professor que faz a apresentação e coordena as interações de modo assíncrono com um grupo de aprendizes. Estes podem progredir em seu ritmo, interagir entre si e com os materiais pedagógicos de acordo com etapas definidas pelo professor, por quem todas as atividades são
acompanhadas. Nesse modelo, as ferramentas tecnológicas principais são assíncronas como fóruns de discussão, correio eletrônico, transferência de arquivos para entrega e avaliação dos trabalhos.
!" Comunidade de prática – como na formação on line, utiliza ferramentas assíncronas e também síncronas. O que caracteriza esse modelo é a troca de informações e a discussão entre um grupo de especialistas em torno de um trabalho em comum. A figura do professor é substituída pela do coordenador (animador) de rede que assume um papel semelhante ao de animador de grupo presencial. Diferente do papel do professor, o coordenador não possui, necessariamente, as informações dos participantes, mas dispõe de técnicas para facilitar as relações.
Paquette (op.cit.) assinala que esse modelo é particularmente bem adaptado em formação profissional continuada, quando se pretende aprender a utilizar tecnologias da informação, e em cursos universitários a distância, como nos casos em que vários módulos tomam a forma de oficinas em torno de uma tarefa a executar ou no aprofundamento de uma prática.
!" Suporte a performance – (Eletronic performance support systems – EPSS) são sistemas informatizados centrados sobre uma tarefa de trabalho de maneira diferenciada. A formação é individual, vez que se desenvolve em estreita relação com as atividades de trabalho, seja durante essa atividade, quando o aprendiz tem necessidade de formação para avançar na tarefa, seja depois dela para aprofundar questões postas no exercício da tarefa, seja antes da tarefa, por necessidade de uma formação suplementar.
Esse sistema integra-se estreitamente naqueles informatizados da organização, principalmente nas bases de dados institucionais. Neles se acrescentam diversos módulos de formação formais, ajudas a tarefa, FAQs mantidos por um gestor ou especialista de conteúdo, agentes conselheiros inteligentes. Enfim, o usuário obtém informações just in time em função das tarefas a resolver. A aprendizagem é vista como um processo de tratamento da informação.
Por fim, os diferentes recursos da tecnologia conjugados (internet, softwares aplicativos, multimídia interativa, hipermídia, videoconferência, áudioconferência, teleconferência, realidade virtual não-imersiva e imersiva, quando esta for possível e outros) provocam modificações substanciais nos paradigmas de educação vigentes, vez que se têm aberto ao estudante e professor inúmeras possibilidades de acesso à informação, formas de se comunicar com o meio ou através dele, novas formas de aprender e ensinar, requeridas por esse novo ambiente.
3.10 DISCUSSÃO
Na perspectiva de concepção e avaliação de PEIs, é importante considerar que a comunicação é de fato o princípio da Pedagogia, pois constitui uma ação que visa provocar efeitos precisos sobre a aprendizagem, presencial ou a distância.
Neste capítulo procurou-se dar destaque aos elementos de comunicação pedagógica midiatizada, englobando conceitos, classificações, relações, implicações dos dispositivos tecnológicos, considerando a pluraridade das mídias que afetam a comunicação pedagógica e, ao mesmo tempo, visando elaborar um escopo conceitual para determinar um conjunto critérios mínimos necessários à avaliação que considere espaços de mediação entre usuário-leitor, a mensagem e o dispositivo tecnopedagógico.
O capítulo seguinte discute as questões de interfaces ergonômicas, modelos e técnicas de concepção e avaliação, com ênfase na avaliação de Interfaces Humano- Computador.
4 ERGONOMIA DE INTERFACE HUMANO-COMPUTADOR
4.1 INTRODUÇÃO
A utilização do computador como ferramenta de trabalho, meio de comunicação, entretenimento e educação, entre outros usos, vem exigindo dos projetistas e desenvolvedores de produtos informatizados uma preocupação com a qualidade da interface.
A quantidade de usuários leigos em conhecimentos de informática é crescente. Diferentemente dos que possuem experiência, as dificuldades de interação com as máquinas apresentam-se evidentes nos que não a têm. Essas dificuldades são geralmente provenientes da falta de prática do uso da tecnologia informática, das diferenças individuais e das funções cognitivas exigidas na tarefa de interação homem - máquina, forçando, assim, o desenvolvimento de interfaces cada vez mais amigáveis e intuitivas, ou seja, mais ergonômicas.