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7. Filosofia Política no Império Romano

7.2 Platonismos e outras Filosofias no Império

Embora os homens de negócios do Senado Romano e da corte imperial recorressem frequentemente (mas não exclusivamente) ao estoicismo, nos cen- tros gregos de filosofia, e entre homens de negócios gregos provincianos, o plato- nismo continuou sendo um importante modelo para pensar a ética e a política. Do mesmo modo, um tipo de pitagorismo que pode ser visto como uma continuação do gênero de tratados helenísticos sobre a realeza também permaneceu uma po- sição influente (Centrone, 2000). As contribuições mais importantes deixadas ao pensamento político pelo filósofo platonista do século II d.C., Plutarco (c.46-c.120 d.C.), são as Vidas Paralelas, uma comparação moral e política das vidas de vá- rios estadistas gregos e romanos. Juntamente com as histórias de Tucídies, Lívio e Salústio, as Vidas instruíram gerações de estudantes sobre os princípios e peri- gos da ética política, e instituíram a distinção entre o estadista e o demagogo como a conhecemos hoje: com figuras como o ateniense do século V a.C., Aristides, o Justo, personificando o estadista ideal, em contraste à visão platônica de que to- dos os estadistas, do passado e do presente, seriam fatalmente imperfeitos. Plu- tarco também deixou contribuições importantes para a filosofia política com os vá- rios ensaios compilados nos seus volumes da Moralia.

Plutarco foi um platonista fiel, porém revisionista em certos aspectos. A sua atitude em relação à vida pública foi mais romana do que platônica (condizente com as funções públicas que ele desempenhou em sua própria cidade): para ele a vida política era claramente nobre, não inferior à vida da filosofia. Similarmente, ele revisou o estrito do ditado platônico de que os filósofos é que devem governar para significar que os filósofos podem governar meramente como conselheiros de reis, mas não como reis propriamente (Essa distinção tem raízes platônicas, pois no Politico é defendido que a ciência da governança é a mesma se exercida e conhecida por um conselheiro ou por um rei de fato (259a)). E ele considerava a filosofia mais como um estudo para o aperfeiçoamento do caráter do que uma fonte de conhecimento exato ou politicamente relevante. Com à educação em fi- losofia para estadistas, como exemplificado em Péricles, Brutus, Catão, o Jovem, ele considera isso valioso principalmente devido às virtudes que conferia – em particular, moderação e autocontrole (Van Raalte, 2005). O estudo da filosofia serve como uma espécie de proteção contra ganância e ambição imoderada. Mas ele não confere necessariamente nenhum conhecimento específico substantivo ao estadista (assim filosofias divergentes poderiam ser todas úteis na formação da virtude: a influência de Anaxágoras em Péricles, a eclética mistura de estoi- cismo, ceticismo acadêmico e platonismo em Cícero; estoicismo em Catão, o Jo- vem). De fato, a aderência excessivamente rígida a qualquer filosofia poderia ser deletéria, tornando o estadista rígido e inflexível. Catão, o Jovem, foi derrotado quando concorreu ao consulado porque, segundo Plutarco, aconteceu a ele o mesmo que acontece com frutas "fora de estação" (Phoc. 3.1). Tal como essas frutas, ele foi admirado, mas o "peso e a grandeza" dessa virtude era "completa- mente desproporcional aos tempos imediatos" (asummetron tois kathestōsi kai-

rois, Phoc. 3.2–3).

As simpatias políticas de Plutarco estavam com a monarquia. Ele tratou o estadista ideal, seja grego ou romano, como inerentemente uma figura monár- quica, mesmo quando operando nos limites de um ambiente democrático ou re- publicano. "Aristocrático e monárquico" foi o seu elogio ao tipo de estadismo que

Péricles (literalmente, a sua "política" ou "medidas políticas", politeia) adotou de- pois de ter abdicado dos seus métodos demagógicos iniciais (Per.14.12). Assim, a despeito de toda a sua admiração pelos estadistas gregos da era clássica e da sua posterior influência profunda nos sentimentos republicanos na Europa, Plu- tarco preferiu a monarquia como a melhor constituição e acreditava que nisso es- tava seguindo seu mestre Platão. Como John Dillon coloca, ele sustentou que "o estadista competente, assim como os músicos de primeira categoria, será capaz de fazer o melhor independentemente de qual das três constituições básicas [mo- narquia, aristocracia, ou democracia] esteja ao seu dispor" (Dillon, 1997). Citando o próprio Plutarco sobre isso, em seu fragmento "Sobre a Monarquia, Democracia e Oligarquia":

... se é dada a ele [o estadista] a escolha de governos, assim como muitas ferramentas, ele seguiria o conselho de Platão e escolheria a monarquia, o único capaz de sustentar a mais alta virtude, alta no mais alto sentido, e que nunca a deixa ser rebaixada pela compulsão ou expediência. Pois as outras formas de go- verno em certo sentido, embora controladas pelo estadista, o controlam, e embora sejam conduzidas por ele, o conduzem, uma vez que ele não tem uma força fir- memente estabelecida para se opor àqueles dos quais deriva a sua força... (Peri

mon. 827bc).

A aristocracia coletiva virtuosa de Platão em A República (os seus reis e rainhas-filósofas, no plural) foi transformada por Plutarco, talvez sob a influência do singular monarca e expert político do Político, em um ideal monárquico16.

Filósofos platônicos posteriores, conhecidos como neoplatonistas (ver o verbete sobre Plotino na SEP), também focaram primariamente na ética no con- texto da cosmologia e teologia, enfatizando a ascensão da alma ao entendimento puro e desencarnado do Uno. Ainda assim, as virtudes políticas da alma encar- nada eram vistas como o primeiro passo nesse processo de divinização ou "se tornar como Deus" (O'Meara, 2003). O desenvolvimento das implicações políticas dessas visões teve As Leis de Platão como um importante modelo para a reforma 16 Muito do que está nesta seção é adaptado de Lane 2012: 94s.

política teocrática, especialmente na medida em que o neoplatonismo se tornou influente em uma certa linha de pensadores cristãos, em particular entre aqueles capazes de absorver a tradução dos textos gregos em árabe.

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