CAPÍTULO 2 CENÁRIOS, REVISÃO DE LITERATURA E METODOLOGIA
2.2 PLM E PLANEJAMENTO DE PROCESSOS COLABORATIVOS DE
Não muito diferente da maioria dos autores, a definição de PLM pode ser obtida na obra ‘Product Lifecycle Management – 21st Century Paradigm for Product Realization’ de John Stark (2005) – ainda, o autor comenta sobre os ganhos oferecidos com a abordagem PLM e afirma que muitas empresas têm melhorado seus padrões de competitividade através de implementações bem sucedidas de tecnologias PLM, reduzindo, por exemplo, os custos de desenvolvimento de produtos em 15%, o tempo de desenvolvimento de produtos em 25%, o tempo de mudanças de projetos de engenharia em 30% e o número de mudanças nos projetos em 40%. Stark (2005) ainda deixa evidente que a adoção do PLM traz um grande impacto na competitividade das organizações. Cita exemplos claros, como o da Orckit Communication que conseguiu uma redução anual de custos na ordem de 28% sobre o valor de seu inventário. A Hewlett-Packard conseguiu uma melhora de 80% no desenvolvimento de projetos e reuso de processos, causando aumento de produtividade entre 20% e 30%. A redução mensal da carga de trabalho, na engenharia da NEC Computers, foi estimada em 30% e as melhorias nos padrões de qualidade conseguiram uma redução de refugo na ordem de 39%. Saaksvuori e Immonen (2010) comentam que, nos dias atuais, cada vez mais as empresas de manufatura precisam controlar o ciclo de vida de cada um de seus produtos. O cenário exige novas e melhores formas de produzir produtos, exige flexibilidade e melhores formas de tomar decisões, com mais lucro e menos mão de obra. Para que tudo isso aconteça, as empresas precisam ter uma idéia clara da abordagem PLM, que considera as definições de produtos e processos de manufatura para cada produto.
O modelo de produtividade PLM2M está focado na melhoria de processos colaborativos de manufatura que releva as definições de produto ao longo de seu ciclo de vida e considera a interoperabilidade de informações e do conhecimento. Deixa de visualizar uma manufatura clássica que se apóia nos estágios de projeto de produto, desenvolvimento de processos, produção e ferramentas tecnológicas associadas (SILLER et. al, 2009) - onde a comunicação entre departamentos é feita de uma forma linear e muitas vezes existe ruptura. No artigo ‘Extending PLM to the Shop Floor’, Mayer e Plapp (2008) afirmam que a demanda
pelo gerenciamento do ciclo de vida do produto é muito grande, especialmente se o produto é complexo e sujeito a regulamentações.
Mayer e Plapp (2008) complementam com o fato de que a linha entre o mundo virtual de projetos e a realidade de manufatura está - muito rapidamente - se tornando nublada. A tecnologia está ajudando a quebrar as ‘muralhas’ que frequentemente impediam um acesso rápido e fácil da informação e está expandindo as oportunidades para a colaboração. Também comentam que hoje é possível compartilhar e visualizar grandes quantidades de dados entre os departamentos de uma empresa, instalações e na rede de fornecedores. Com isso, pode-se reduzir os ciclos de tempo, melhorar a qualidade e eficiência, e ainda, apoiar decisões de planejamento estratégico. Nesse sentido, vale destacar a revisão de literatura de Siller et al. (2009) para planejamento de processo distribuído e colaborativo e que serviu de inspiração para o modelo PLM2M (Anexo I). A revisão mostra a evolução e características da tecnologia da automação de planejamento de processos entre os anos de 1998 e 2008 e situa o surgimento da abordagem PLM no planejamento de processos de manufatura. Os autores afirmam ter encontrado artigos de pesquisa e protótipos diversificados em termos de funcionalidades, protocolos de comunicação, linguagens de programação e representações de estruturas de dados, porém não citam gerenciamento de portfólio, gerenciamento de programas ou gerenciamento de projetos.
Siller et al. (2009) também citam outros trabalhos, que complementam a revisão de literatura, os quais podem ser observados no sentido da manufatura baseada na Web (web-based) e sistemas colaborativos. Confirmam - assim como Mayer e Plapp (2008) - as tendências de futuro em tópicos como integração, segurança, flexibilidade e interoperabilidade. Um fato importante, destacado na revisão de Siller et al. (2009), é que a grande maioria dos trabalhos acadêmicos está baseada na necessidade de integrar as atividades de planejamento de processos em diferentes estágios - projeto do produto, processos de desenvolvimento e processos de produção. Sumarizam os principais resultados da revisão em três tópicos: (1) a infraestrutura de tecnologia usada para o planejamento de processo distribuído e colaborativo é predominantemente baseada em Java, XML (eXtensible
Markup Language) e VRML (Virtual Reality Modeling Language) - isso mostra a
possibilidade do uso de aplicações com arquiteturas heterogêneas, assim como tendências para o uso de modelos 3D e visualização via Web; (2) um rápido desenvolvimento de sistemas baseados em agentes (agent-based) para o planejamento de processos - neste cenário,
os autores acusam que a dependência da experiência humana é ainda predominante, muito em função desses sistemas - que simulam modelos complexos - não abrangerem requisitos de flexibilidade para a manufatura; (3) os autores ainda citam que, embora a literatura revisada estabeleça um ‘roadmap’ para a próxima geração de ferramentas comerciais, em nenhum momento pôde-se encontrar qualquer menção de gerenciamento de fluxo de trabalho colaborativo nas atividades de planejamento de processos com foco no conceito de empresa estendida.
Esse panorama de Siller et al. (2009) leva a entender que a abordagem de empresa estendida aplicada nas atividades de planejamento de processos de manufatura, pelo menos até o ano 2007, não acusava um modelo colaborativo de planejamento de processos de manufatura. A revisão também indica que o framework de Ming et al. (2008), para planejamento e manufatura de processos colaborativos com base na abordagem PLM, marca uma referência. Foi nesse mesmo período, em novembro de 2008, que a MESA International (www.mesa.org), com o patrocínio da Siemens, SAP, TCS (Tata Consulting Services) e Lógica, lançaram um guia denominado ‘Product Lifecycle Management (PLM) Strategic Initiative Guidebook’, onde a MESA afirma que, embora as raízes do PLM tenham iniciado nos domínios das indústrias de manufatura discreta, eletrônica, máquinas e dispositivos, atualmente os conceitos do PLM estão sendo aplicados a muitas outras indústrias como bens não duráveis, bens de varejo, vestuário e indústrias regulamentadas - como alimentos, higiene, cosméticos, farmacêutica e outras. O guia destaca a relevância do PLM em relação aos tradicionais sistemas de execução e gerenciamento de manufatura, os sistemas MES (Manufacturing Execution Systems). Diz que o domínio predominante da execução da manufatura está nas plantas e fábricas que produzem o produto físico, esses produtos são manufaturados a partir de uma definição virtual que essencialmente tem início no PLM. A definição virtual abrange o produto e seus atributos e a definição de processos, pelos quais os produtos são manufaturados (GAMA, 2011).