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ANEXO 5. POBREZA NO ESTADO DAS AMAZONAS

1. Com uma taxa de pobreza de 39%, o Amazonas é um dos estados com maior número relativo de pessoas pobres do Brasil, bem acima da média nacional de 19,9%. De uma população estadual total de 3,9 milhões, mais de 1,5 milhão de pessoas no Amazonas viviam na pobreza em 2018, com renda inferior a US$ 5,50 por dia (PPC de 2011), incluindo cerca de 370.000 pessoas vivendo com menos de US$

1,90 por dia. Outros 1,34 milhão de pessoas, um terço da população do estado, encontram-se em uma situação de vulnerabilidade e podem vir a entrar na faixa de pobreza. Cerca de um quarto (26%) da população do estado faz parte da classe média (US$ 13 por dia ou mais), o que é pouco em um país em que 48% das pessoas pertencem a esse grupo de renda.

2. Ao mesmo tempo, o Amazonas é altamente desigual, com coeficiente de Gini de 53,1, e as famílias rurais do estado apresentam desempenho ruim nos indicadores de bem-estar. As famílias rurais no Amazonas – equivalente a 16% da população do estado – estão desproporcionalmente expostas à pobreza. Na verdade, sua taxa de pobreza é superior a 65%, com outros 23% vivendo em famílias vulneráveis a cair na pobreza. Além disso, sua capacidade de geração de renda é menor: mais de 61% dos adultos não concluíram o ensino fundamental, e menos de 3% concluíram o ensino superior, em comparação com 30% e 13,9% em todo o estado do Amazonas, respectivamente. Cerca de 63% das famílias rurais possuem telefones celulares; 13% têm acesso à internet; e mais de 42% vivem em favelas.

O estado como um todo apresenta indicadores melhores: 91% das famílias têm telefones celulares, 71%

têm acesso à internet e apenas 21% vivem em habitações precárias. As famílias rurais também dependem mais da agricultura, que é progressivamente afetada pelas mudanças climáticas. Considerando a população ativa em todo o estado do Amazonas, apenas 18% atuam no setor primário; nas áreas rurais do estado, o percentual é 80%.

3. Nas áreas rurais, povos indígenas e afrodescendentes81 são sobrerrepresentados. Cerca de 5%

da população rural do estado se identificam como indígenas e mais de 84%, como afrodescendentes. Isso contrasta com o resto do Brasil rural (0,5% e 66%, respectivamente); e o país como um todo (0,4% e 55%, respectivamente). Esses grupos também apresentam indicadores relativamente piores que a média. Cerca de 66% dos afrodescendentes e 68% dos indígenas vivem com menos de US$ 5,50 por dia. Além disso, mais de 61% dos adultos afrodescendentes e 77% dos adultos indígenas não concluíram o ensino fundamental. Entre outros grupos populacionais, a média é 52%.

81 Este grupo inclui indivíduos que se autodenominam negros ou pardos na PNADC.

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Há uma concentração espacial significativa da pobreza no estado do Amazonas. A pobreza é maior na região sul e no Coração da Floresta82, as duas regiões historicamente mais carentes. Conforme demonstram as figuras a seguir, em 2010, elas concentraram os municípios com menor renda per capita e mais altas taxas de extrema pobreza, pobreza e vulnerabilidade à pobreza.

Fonte: Governo do Amazonas, Amazonas em Mapas – 1ª Edição. Manaus. 2016.

82 Os 62 municípios do estado do Amazonas estão agrupados em quatro regiões distintas: a região metropolitana da capital Manaus, que concentra a maior parte da população do estado, serviços públicos, indústria, comércio e serviços; a região sul, com índices historicamente elevados de desmatamento e imigração, incentivados pelo governo federal nas décadas de 1970 e 1980; a região leste, caracterizada por baixos índices de desmatamento e melhores indicadores socioeconômicos; e a região conhecida como Coração da Floresta, formada por grandes áreas com cobertura florestal nativa, grande número de unidades de conservação e terras indígenas e uma economia baseada na agricultura e produtos florestais.

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4. Os mesmos resultados se verificam quando índices multifatoriais são usados como referência.

Por exemplo, o Índice de Progresso Social (IPS) é um índice composto que compila um conjunto de indicadores sociais e ambientais organizados em três pilares: Necessidades Humanas Básicas;

Fundamentos de Bem-Estar; e Oportunidades (https://www.socialprogress.org/). O estado do Amazonas (IPS em 2018 = 54,92) fica atrás da região amazônica (IPS em 2018 = 56,52), que, por sua vez, tem resultados piores que a média nacional (IPS em 2018 = 67,18). No estado do Amazonas, a maior parte dos 58% dos municípios classificados nas duas faixas mais baixas do IPS estão localizados na região denominada Coração da Floresta ou no sul do estado. O Índice de Capital Humano (ICH) do Banco Mundial estima a lacuna de produtividade que as crianças nascidas hoje enfrentarão ao longo de suas vidas devido a limitações de saúde e educação83. Um ICH de 59 significa que as crianças nascidas hoje atingirão apenas 59% de sua produtividade potencial, e, portanto, um ICH mais baixo acarreta menores níveis de desenvolvimento. As regiões sul e oeste do estado do Amazonas parecem ficar atrás nesses indicadores, principalmente se comparadas à região leste, onde fica Manaus.

Fonte: Santos et al., Resumo Executivo – Índice de Progresso Social na Amazônia Brasileira – IPS Amazônia 2018. Imazon/Progresso Social Brasil.

Disponível em https://s3-sa-east-1.amazonaws.com/ipsx.tracersoft.com.br/documents/2018/publicacoes/Resumo-Executivo-V12.pdf.

83 O índice é baseado nas taxas de sobrevivência infantil, expectativa de vida e conquistas educacionais ajustadas ao aprendizado. Disponível em https://www.worldbank.org/en/publication/human-capital.

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Fonte: ICH do Banco Mundial.

Impactos da Covid-19

5. Desde que atingiu o Brasil em fevereiro de 2020, a pandemia da Covid-19 causou crises sanitárias, econômicas e sociais sem precedentes, com fortes impactos no estado do Amazonas. Até 3 de novembro de 2020, o Brasil tinha mais de 5,5 milhões de casos registrados oficialmente e mais de 160.000 mortes. O estado do Amazonas foi particularmente afetado pela pandemia: com mais de 4.500 mortes, tem a quarta maior taxa de mortalidade entre todos os estados brasileiros (1.100 por milhão de pessoas), o que reflete o impacto inicial da pandemia em um sistema de saúde já sobrecarregado. Com os impactos sanitários quase superados, o estado está definindo um plano de recuperação para fazer frente à crise econômica. Projeta-se que a economia brasileira entrará na recessão mais profunda da história, com uma queda de 5,4% no produto interno bruto (PIB) de 2020, além de consequências generalizadas para os níveis de emprego, pobreza e desigualdade. Os habitantes do estado do Amazonas apresentam resultados piores que os do resto do país nos indicadores de bem-estar. Em 2018, a parcela de pessoas que viviam com menos de US$ 5,50 era praticamente o dobro da média nacional (39% e 20%, respectivamente). Segundo projeções do Banco Mundial, sem medidas de mitigação, a renda per capita média no Amazonas cairia outros 4%, ao passo que a taxa de pobreza aumentaria em 5 pontos percentuais – o que equivale a 185 mil novos pobres no estado. Embora as medidas de mitigação adotadas pelo governo, como o seguro-desemprego e a extensão do Programa Bolsa Família, tenham feito a diferença em outras partes do país, isso não ocorreu no Amazonas. Em contraste, algumas simulações demonstram

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que Auxílio Emergencial (que fornecerá um total de R$ 4.200 aos beneficiários divididos em 9 pagamentos) será capaz de mais do que compensar o aumento da pobreza no estado em 2020.

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