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Pode ser requerida tanto em face de prisão em flagrante quanto em face de prisão preventiva

No documento Prisão e Liberdade Provisória. (páginas 39-45)

Noções de Direito Penal e Processual Penal para Soldado da PM PB

Premissa 1: Pode ser requerida tanto em face de prisão em flagrante quanto em face de prisão preventiva

Ela não pode ser obtida em face da prisão temporária.

Premissa 2:

Prisão em flagrante

Liberdade provisória obrigatória Liberdade provisória vedada

Liberdade provisória possível

Estabelecidas as duas primeiras premissas, vamos avançar com o conteúdo.

A partir de agora, vamos analisar cada uma das hipóteses da premissa 2!

Liberdade provisória obrigatória a) Art. 69, p.ú, do JECrim – se o autor do fato concordar em comparecer na audiência preliminar não se impõe a prisão em flagrante. Veja só:

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.

Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.

b) Art. 301 da Lei 9.503/97 – Se o condutor do veículo parar para prestar socorro não se impõe a prisão em flagrante.

Prof. Leonardo dos Santos Arpini

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Art. 301. Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela.

c) Art. 48, §2º, da Lei 11.343/06 (Lei de Tóxicos) – se for preso do artigo 28 não se impõe a prisão em flagrante.

Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal.

§ 2º Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei (posse de droga para consumo pessoal), não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários.

Liberdade provisória possível (sem fiança): No sistema original do CPP funcionava assim: prisão em flagrante por crime inafiançável, o indivíduo ficava preso até a sentença, salvo se o crime tivesse sido praticado com excludente de ilicitude. Atualmente, caríssimo(a), funciona da seguinte forma:

A)

Art. 310, §1º 7 – se o fato for praticado sob o amparo de causa excludente de ilicitude: deve, então, o juiz verificar que o crime foi praticado nas hipóteses do art. 23 do CP e, assim, concederá liberdade provisória mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo. Não há previsão para as hipóteses excludentes de culpabilidade (menoridade, coação moral irresistível e obediência hierárquica, p.ex.), então, você não deve confundir, meu amigo(a).

B)

Art. 321 – ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as cautelares do art. 319 (conforme visualizamos anteriormente a partir da leitura do artigo). Nesse caso em análise a prisão em flagrante (PF), o juiz verifica que não estão preenchidos os requisitos da prisão preventiva e, desse modo, se o crime for inafiançável, a pessoa é solta com

7Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)

§ 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato em qualquer das condições constantes dos incisos I, II ou III do caput do art. 23 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento obrigatório a todos os atos processuais, sob pena de revogação. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)

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cautelar diversa da prisão, salvo fiança. Se o crime for afiançável, o juiz poderá soltar o agente com a imposição de cautelar do art.319 e pode ser também imposta a fiança.

C)

Art. 3508 – caso o réu não tenha dinheiro para pagar a fiança. Para a jurisprudência, se o único motivo é o não pagamento por condições financeiras, deverá ser solto sem fiança (HC 496093/SE, Ribeiro Dantas, DJe 01.07.19).

Tudo entendido?!

Liberdade provisória com fiança:

1) Rol de crimes inafiançáveis: Art. 323, CPP – Por exclusão, doutor(a) tudo o que estiver fora do rol é afiançável.

“Certo, professor! Mas quais são os crimes inafiançáveis?!”

Como inafiançáveis temos a prática do racismo, tortura, tráfico ilícito, terrorismo (lembre-se do mnemônico

“TTT”) e hediondos e, também, os cometidos por grupos armados civis ou militares contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

1.2) Situações de inafiançabilidade: Art. 324 – se houve quebra da fiança ou violação dos deveres da fiança sem motivo justo

2) Fiança pelo Delegado de Polícia:

Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos.

Em que pese a autorização expressa para o Delegado de Polícia conceder a fiança, você deve ter claro em sua mente que o Juiz deve decidir acerca dessa fiança em 48h.

3) Procedimento da fiança:

Art. 333. Depois de prestada a fiança, que será concedida independentemente de audiência do Ministério Público, este terá vista do processo a fim de requerer o que julgar conveniente.

4) Arbitramento da fiança: procedimento bifásico. Veja só:

8 Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a situação econômica do preso, poderá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código e a outras medidas cautelares, se for o caso.

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4.1) Art. 325, CPP: para os crimes com pena máxima menor ou igual a 4 ano, o valor atribuído à título de fiança irá variar 1 a 100 salários mínimos. Porém, para os crimes com pena máxima maior do que 4 anos, o valor da fiança será entre 10 a 200 salários mínimos.

“Ok, Arpini! Mas qual é o parâmetro utilizado pelo Juiz para saber dosar qual o valor de fiança é condizente com a infração penal?”

Ótima pergunta, doutor(a)!

Nesses casos, os critérios concretos de fixação do valor serão aqueles que levam em conta a natureza da infração, as condições pessoais de fortuna e vida pregressa, circunstâncias indicativas de sua periculosidade (do acusado) e a importância provável das custas (despesas com o processo). Porém, é possível que haja alterações do valor (art.325), podendo ser aumentada em mil vezes, reduzida em até 2/3 e, ainda, pode ser dispensada quando o acusado for pobre. Vejamos:

Art. 325. O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes limites: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

I - de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos, quando se tratar de infração cuja pena privativa de liberdade, no grau máximo, não for superior a 4 (quatro) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários mínimos, quando o máximo da pena privativa de liberdade cominada for superior a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

§ 1o Se assim recomendar a situação econômica do preso, a fiança poderá ser: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

I - dispensada, na forma do art. 350 deste Código; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

II - reduzida até o máximo de 2/3 (dois terços); ou (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

III - aumentada em até 1.000 (mil) vezes. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

Quer ver como isso vem caindo em concurso?! Dê uma olhada nessa questão:

Ano: 2019 Banca: INSTITUTO AOCP Órgão: PC-ES Prova: INSTITUTO AOCP - 2019 - PC-ES - Escrivão de Polícia Acerca dos valores da fiança, assinale a alternativa correta.

A) Será de 1 a 100 salário mínimos quando se tratar de infração cuja pena privativa de liberdade, no grau máximo, não for superior a 4 anos.

B) Será de 20 a 200 salários mínimos quando o máximo da pena privativa de liberdade cominada for superior a 4 anos.

C) A depender da situação econômica do preso, a fiança poderá ser reduzida em até 2/5.

D) A depender da situação econômica do preso, a fiança poderá ser aumentada em até 100 vezes.

E) Em nenhuma hipótese, a fiança será dispensável.

Resolução: veja como a redação do artigo 325 do CPP é importante para o seu concurso. Desse modo, através das assertivas que nos são apresentadas, a única que se encaixa perfeitamente com a redação do CPP é a que reproduz

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o texto do artigo 325, inciso I, que Será de 1 a 100 salário mínimos quando se tratar de infração cuja pena privativa de liberdade, no grau máximo, não for superior a 4 anos.

Gabarito: Letra A.

Também, é necessário sabermos que a fiança acarretará alguns deveres para o afiançado. Vamos conferir?!

5) Deveres da fiança: Vejamos os art. 327 e 328 do CPP.

Art. 327. A fiança tomada por termo obrigará o afiançado a comparecer perante a autoridade, todas as vezes que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal e para o julgamento. Quando o réu não comparecer, a fiança será havida como quebrada.

Art. 328. O réu afiançado não poderá, sob pena de quebramento da fiança, mudar de residência, sem prévia permissão da autoridade processante, ou ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência, sem comunicar àquela autoridade o lugar onde será encontrado.

Desse modo, o afiançado terá que comparecer perante a autoridade todas as vezes que for intimado para atos do Inquérito ou para a instrução criminal. Ainda, não pode mudar de residência sem prévia permissão (Macete Mudança Permissão = MP) da autoridade processante e não pode se ausentar por mais de 8 dias sem comunicar à autoridade onde pode ser encontrado.

6) Perda e quebra da fiança: vejamos o artigo 344 do CPP:

Art. 344. Entender-se-á perdido, na totalidade, o valor da fiança, se, condenado, o acusado não se apresentar para o início do cumprimento da pena definitivamente imposta.

Ocorre quando o acusado não se apresentar para o cumprimento da pena definitivamente imposta (implica na perda da integralidade do valor).

6.1) Hipóteses de quebra da fiança: Quando houver violação dos deveres do 327 e do 328.

Art. 341, do CPP:

I – quando regularmente intimado, não comparece sem motivo justificado;

II – quando deliberadamente praticar ato de obstrução ao andamento do processo;

III – quando ele descumprir cautelar imposta cumulativamente com a prisão;

IV – resistir injustificadamente à ordem judicial;

V – Praticar nova infração dolosa não exige trânsito em julgado.

Consequências da quebra: Art. 343 do CPP: a) Perda da metade do valor; b) Questão pessoal, o juiz decide sobre a imposição de outras cautelares, decidindo se for o caso, pela decretação da prisão preventiva.

Prof. Leonardo dos Santos Arpini

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Desse modo, meu amigo(a) terminamos as hipóteses de liberdade. Entretanto, para fecharmos nosso estudo na aula 10, fareis brevíssimos comentários acerca do procedimento para requisição de liberdade provisória, ok?!

O procedimento do pedido de liberdade sem fiança na grande maioria dos casos é feito pela Defensoria Pública, porém, caso o réu possua advogado próprio, este fará um “pedido de liberdade provisória”, razão pela qual, logo em seguida, esse pedido será encaminhado ao Ministério Público, ocasião em que o Promotor de Justiça se manifestará pela concessão ou não da liberdade e, por fim, o Juiz irá decidir acerca do pedido. Lembre-se, caríssimo(a), independente da posição adotada pelo MP em seu parecer, o Juiz não está vinculado ao pensamento do Promotor de Justiça, podendo decidir da forma que melhor que convier dentro das circunstâncias do caso concreto.

Espero ter alcançado todas as suas expectativas com essa aula, meu(a) caro(a) colega!

Foi um prazer imenso estar na sua presença em mais uma aula!

Desejo-lhe todo o sucesso do mundo e muita determinação na sua caminhada!

Qualquer dúvida estarei aqui para auxiliá-lo!

Fique com Deus! Até a próxima.

Forte abraço!

Prof. Leonardo dos Santos Arpini

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