DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS
3.3 Poder de escolha e decisão: perspectivas
3.3 Poder de escolha e decisão: perspectivas.
“ Notar cedo as pequenas mudanças ajuda a gente a se adaptar às grandes mudanças que virão” ( JOHNSON , 2010, p.65)
O aluno que está habituado à constante proposta de objetivos, devendo obedecer a regras, cronogramas e tempo, traz inerente uma capacidade de adaptação e de busca por soluções de problemas.
A interdisciplinaridade consta como uma ferramenta na vida escolar de grande utilidade e de contextualização do conhecimento. Estudar, por exemplo, a chegada da família real portuguesa ao Brasil sob um enfoque histórico, geográfico, artístico ou econômico, pode despertar no aluno a real compreensão de tal fato, de como isto influencia nos acontecimentos atuais da vida de cada cidadão e da contextualização do conteúdo adquirido. Mas e se este mesmo conteúdo fosse abordado de forma interdisciplinar a culminar em uma feira cultural na qual cada aluno desenvolvesse aquilo que mais despertou seu interesse ou que se julga mais capaz no momento?
Pode parecer de início, uma mera reprodução do sistema educacional vigente que preconiza datas comemorativas, situações atuais e exposições. A diferença estaria na maneira como isto seria feito, pois não imposição ou direcionamento do aluno.
Uma situação recorrente ao divulgar um projeto é o professor ou o coordenador induzir ou até mesmo determinar que aluno será o responsável pelos cartazes, que outro pela argumentação, qual tema tem mais identificação com determinado aluno. Isto é a própria castração do desejo.
Algumas frustrações dos alunos são de inteira responsabilidade dos pretensos educadores que, na tentativa de apresentar um bom trabalho de sua disciplina, não possibilita ao aluno o momento da dúvida, do questionamento, do desejo e da escolha. É um exercício raramente feito pelos alunos: escolher, tendo variadas opções. E desta forma é também um exercício de autoconhecimento, de identificação com variados grupos, da migração de grupo dependendo da situação.
Os alunos devem se habituar a mobilizar suas capacidades, a enfrentar desafios, resolver problemas e conflitos para que suas inteligências não apenas se desenvolvam, mas que sejam visíveis, que sejam competências.
Outro ponto de conflito está no autoconhecimento dos próprios professores.
Muitos tentam realizar feiras, projetos e exposições sem saber de suas próprias competências, o que tem mais facilidade, o que tem mais prazer. A escola precisa formar diferentes parcerias entre sua própria equipe para que haja um ambiente propício ao desenvolvimento da escolha visto pelos alunos.
O desenvolvimento de competências levando em conta as múltiplas inteligências colaboraria de forma providencial ao despertar de interesses, à percepção de que é possível gostar e ser bom não apenas em algo específico, mas em variadas funções ( anexo 2)
A mutação, os objetivos que o trabalho por projetos e a inquietação que é gerada pela proposta, levam à formação de grupos, à descoberta de
interesses, habilidades e à promoção de competências. Tudo isto deve ser monitorado pelos professores e equipe pedagógica de forma a oferecer ao aluno situações que ele possa estar em constante desenvolvimento. A percepção que existe no interesse da escola em sua formação e a satisfação gerada com o sucesso de suas produções, fazem com que o aluno reconheça suas próprias capacidades e se sinta com a atenção necessária a este momento de transição e perceba que tem poder de transformação através de suas argumentações ( anexo 3).
O despertar de possibilidades, do contato com profissões, com suas próprias habilidades e a certeza que todos tem potencialidades muitas vezes desconhecidas e que um ambiente em que seu desenvolvimento seja propício (anexo 4).
A reprodução de uma sociedade marginalizante ou a criação de um espaço para a autonomia deve ser a escolha de uma instituição que pretenda tornar seus educandos portadores de diplomas ou cidadãos com poder de transformação social.
Sem que haja privações no currículo que remete conteúdos e saberes, o ensino por competências pode ser associado aos projetos que despertem sua curiosidade, interesse, unindo-os às potencialidades e formando pessoas capazes de decidir sua carreira profissional com consciência e mais chances de acertar em sua escolha.
CONCLUSÃO
Apesar da boa aceitação por alunos e corpo docente no projeto Copa Grécia, as consequências do ensino por competências para promover a orientação vocacional na escola são pouco esclarecedoras. O presente estudo terá sua continuidade no ano letivo de 2011 com turmas específicas da E. M.
Grécia.
O primeiro ponto de embate está no equilíbrio do tempo destinado aos projetos para que não comprometam os saberes, ainda que sejam baseados nestes. O segundo está em um processo de estimulação da curiosidade, das inteligências e promoção de competências dos alunos, que deve ser uma tarefa de toda a equipe pedagógica e a inserção de um profissional de Orientação Profissional na instituição. Finalmente, a criação de um processo indicativo no qual sejam inseridas e devidamente valoradas as competências adquiridas dos alunos. Trata-se de um objeto minucioso que despenderia tempo e recursos humanos, pois não poderia ser aferida pelo próprio aluno com seus materiais didáticos como são costumeiramente realizadas as avaliações atuais.
A continuidade no projeto será realizada com base na expectativa de que o conhecimento das possibilidades forneça ao aluno uma formação plena, na qual ele será o protagonista de sua própria história profissional, agindo com consciência em suas escolhas e tendo perspectivas de realizá-las.
O projeto piloto pode ser considerado como de sucesso, pois foi capaz de desconhecidos, e o melhor de tudo, foram reconhecidos com aplausos por sua dedicação e divertiram-se durante dois dias inteiros.
A Orientação Profissional na Escola Municipal Grécia não pretende ser a fonte de todas as soluções educacionais. Porém, é importante ressaltar que seu papel como instituição educacional, não está preocupada apenas cuidar de seus alunos, tão pouco torná-los meros receptores de conhecimento.
É preciso que a escola assuma seu poder de transformar a situação social de seus alunos através de uma educação de qualidade, uma educação na qual o sucesso não seja apenas subjetivo, que seja palpável. E a orientação profissional atuando junto aos alunos tem muito a acrescentar neste sentido.