A) SUBORDINAÇÃO JURÍDICA E ELEMENTOS CIRCUNSTANCIAIS
A.1) PODER DIRETIVO, DE COMANDO OU ORGANIZATIVO
O poder diretivo, organizativo ou de comando, segundo Godinho Delgado,
seria “o conjunto de prerrogativas tendencialmente concentradas no empregador
dirigidas à organização da estrutura e espaço empresariais internos, com a
especificação e orientação cotidianas no que tange à prestação de serviços” (ob. Cit.,
p. 792).
A empresa, por meio de seu algoritmo, por ela desenhado na forma de um
regulamento de empresa, comanda o trabalho, pois distribui o serviço, indicando ao
motorista as corridas que deve realizar e os clientes que deve atender.
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Conforme depoimentos colhidos no Ministério Público do
Trabalho, a distribuição de trabalho pela UBER, ou seja, d as corridas
para os motoristas, também leva em consideração as avaliações dos
motoristas, que são aferidas com base nas notas desses trabalhadores e
também na categoria dos motoristas.
Os motoristas mais bem avaliados recebem mais trabalho. São
direcionados para um maior número de corridas , conforme relataram
alguns motoristas:
Depoimento do Sr. Anderson Mendes de Oliveira (doc. 26).
Relatou:
...que a UBE R po ssu i categorias d e motor istas, sendo que o depoente er a d a categor ia d iam ante (a mais alta que e xiste); que ao que sabe a eleição do m otorista para uma corr id a é feita lev ando -se em con ta se o cliente é assíduo (pede UBE R com frequ ência) e a catego ria do motor ista, sendo que o s moto ristas mais bem avaliado s são d irecionado s para esses clientes; que n ão se record a c om certeza, mas ach a que motoristas que recebem notas muito baixas (abaixo de 4,40) pod e ser bloqu eado no aplicativo ; que havia estipu lação de pr êmio s em d inheiro pela empresa, tanto p ara motoristas bem avaliados qu anto p ara nú meros de v iage n s executadas; que h avia u ma promoção ch amad a de con secu tiv a; que nessa promo ção o moto r ista não pod ia recusar n enhuma corr ida, que era obrig ado a r ealizá -la, caso contrário p er dia o ben efício da promoção; que caso recuse 3 cor ridas con secu tivas, mesmo for a dos período s de promoção , o motorista pode ser deslogado do aplicativo.
Depoimento do Sr. Edson Ferreira Neto (doc. 30). Relatou que
começou a trab alhar par a a UBE R em maio de 2017; que tr abalh ou até o prim eiro semestre de 2020, quando f oi bloqu eado p e lo aplicativo; que a maio ria das chamad as para corridas são p ara catego ria UBE RX; qu e a eleição do mo torista para uma corrid a leva em con ta tan to a prox im idade do mo torista ao lo cal pedido quan to o fato d e o cliente ser assíduo;... que também h av ia bon ific ação par a a rea lização d e vár ias viagen s seguid as; que as premiações er am
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apenas par a mo toristas com notas acima de 4,6 5; que no tas abaixo de 4,65 poder iam o casio nar o bloqu eio n a plataf orma...;
No endereço eletrônico
https://www.uber.com/pt-BR/blog/saiba-como-funciona-uber-vip também encontramos critérios para distribuição das corridas pela UBER,
quando ela estabelece parâmetros para o programa Uber VIP.
Fica evidente aqui, também, o exercício do poder diretivo da UBER sobre os
motoristas, ao definir critérios para a distribuição de trabalho. Trata-se da forma como a
prestação do trabalho é organizada pela UBER.
Além disso, a UBER impõe um padrão de qualidade na prestação de serviços,
que inclui taxa de aceitação e cancelamento de corridas e limpeza de veículo (itens 4.2 e
6.3 dos Termos atualizados, doc. 35). O ostensivo controle das taxas de cancelamento
também está presente no Código da Comunidade Uber (doc. 39):
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64 Aceitação de entregas, pedidos e viagens
Quando motoristas ou entregadores parceiros não quiserem aceitar solicitações de entrega ou viagem, basta desconectar ou ficar offline. No caso de estabelecimentos, basta usar o recurso “Pausar novos pedidos” ou deixar itens específicos indisponíveis. Isso ajuda a manter o bom funcionamento do sistema para todos os usuários.
Nossa tecnologia pode supor que motoristas e entregadores parceiros e estabelecimentos que recusam diversas solicitações consecutivas de viagens ou pedidos não querem aceitar mais viagens ou pedidos ou se esqueceram de sair da conta. Nesses casos, a conta pode ficar offline temporariamente. Nada impede a reconexão para que eles voltem a aceitar viagens ou pedidos.
O poder de comando ou diretivo também fica evidente nos depoimentos colhidos
nos autos do Inquérito Civil n. 003255.2016.02.000/3:
Depoente sigiloso ouvido em junho de 2017 relatou que (doc. 11):
(...) qu e subm etido a uma entrev ista pessoal em um ho tel localizado na Alamed a San tos, co m o g erente da área, senhor João, entrev ista com a p sicó loga e poster iormen te fo i encaminhado p ara assistir uma palestra, explica ndo a forma de tra balho, a fo rma de se t rajar e se port ar e de t ratamento pa ra com os client es, como por exemp lo, abr ir a por ta do c arro, servir ág ua, balas, d entr e outros aspecto s, qu e também foi explicado o funcion amen to do aplicativo; que nessa palestra fo i dito pelo representan te d a empresa, qu e passou em um slid e que se o trab alhador laborasse por 06 dias na seman a e 06 horas po r d ia, receber ia a quan tia sem anal de R$2.500,00 (...) que o depoen te fica em méd ia on lin e d e 12 a 15 horas por dia; qu e o tempo de viagen s é r egistrado corretam ente; que qua ndo fica um perío do superior a 01 sema na, recebe mensagens det ermina ndo o reto rno ao tra balho, so b pena de cancelamento da conta; (...) que exist e uma fa ixa para cancelamento de corridas e que se ultra pa ssada pelo motorista , o mesmo sofre uma punição; qu e o depo ente chego u a f icar blo quea do por 72 ho ras em razão de ca ncelamento de viagens pagas em d inhe iro (...) ( sem g rifo s no or igin al)
O Sr. Saadi Alves de Aquino, ex-empregado, ouvido em 25 de outubro de 2016
perante a PRT da 1ª Região, relatou que (doc. 24):
(...) que exer ceu d iversas ativ idades estand o mais dedicado à ativ ação do s mo t or istas, distr ibuição desses m otoristas no map a -
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posicionamento do s m otoristas no m apa para garan tir que o atend imen to da dem an da, exp ansão terr itor ial, t reinamento do s motoristas presencial e tutoria is em websit e e an álise de dado s para v erif icar qu ão sa u dável estavam o s indicadores (...); que, no início, eram rea liza do s dois test es, sendo um com uma psicóloga terceiriza da co nsist ent e com uma ent revista (...), outro teste psicológ ico ch amado MIDOT e um t est e so bre a pla taforma - o candidato v ia um víd eo e d epois respond ia pergun tas; qu e, inicialmen te, esse caráter a dmissiona l tra dicio nal estava bem present e, o que fo i se altera ndo com o tem po; qu e a finalid ade ser ia "dim inuir a fr icção", ou seja, d iminu ir as etapas p ara ativação do motorista de fo rma q ue o motor ista p asse mais r apid amen te pelo "funil" adm issional; (...) que o teste p sicológ ico e a entrev ista co m a p sicó loga foram retir ados; (...) qu e o teste sobre a platafor ma deixou d e ser obrig ató rio to rnando - se apenas uma r ecom endação para que o motor ist a aprenda sobre a p lataf orma; qu e assim, o processo p assou a pod er ser f eito inteir amen te online; que quando estava se deslig ando d a empr esa, h avia ind icação d e que o teste psicológ ico ser ia reativ ado, porém também seria onlin e; (...) sobre treinamento de motorista s: que fazia pa lestra presenciais so bre o uber poo l, não o brig atória, ma s eram enca minhava ema ils que "davam a entender" que seria importante pa rticipar sem destaca r que não era obrigatório (ex.: mais de 60% da base já completou o tr einamento do u ber pool, você v ai ficar de fo ra?) ; (...) que também f ez t utoriais que eram disponibilizado s no site e existia um co ntro le de quem respondia o quiz e a meta era que tivesse 75% dos motorista s completa ndo o quis; (...) que também havia a hipótese de um blo q ueio tempo rá rio ( "ga ncho") que ocorria qua ndo motorista não aceitava ma is do que 80 % da s viagens e esses gancho s eram progressivo s, ou seja, 10 minu tos, 2 horas e até 12 horas of fline, ou seja, bloqu ead o; que esse gancho era automático do sistema e não p as sava po r qualqu er avaliação humana; ( ...) que se o motorista fica r mais de um mês sem pega r qua lquer v iagem, o motorista seria inat ivo; (...) que esse contro le ( desat ivar quem trabalha sse pouco) era feito para que a empresa po ssa ter co ntrole de quem não e st á mais int ere ssado em dirig ir para a UBER; (...) que o s relatór io s da per formance do motorista feitas pelos clientes eram en cam inhad as par a o motoristas com recom endaçõ es p essoais p ara que o s mo to ristas melhorassem ; que as d eclarações er am "anonim izad as" e encam inhadas como forma de recom endação , ou seja, houveram reclam ações de que o carro estava sujo ou o som estava alto e, assim, o motorista recebia recomenda ção pa ra ma nter o carro limpo e o som adequa do; qu e essas recomend ações pessoais são semana is e encam inha das por em ail ou pelo pró prio a plicat ivo; (...) ( sem grifos no orig inal)
O Sr. Augusto César Duarte da Silva, ex-empregado, ouvido em 25 de outubro
de 2016 perante a PRT da 1ª Região, relatou que (doc. 24):
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(...) que apó s a apresen tação do s docum ento s, o motorista ia para uma pa lestra com o gerent e de o pera ções, que explicava como a UBER f uncio nava, dav a estimativas de gan hos para o s mo toristas e sug eriam padrões de qua lida de no atendim ento; (...) qu e em torno de setemb ro de 2 015, a palestr a fo i abo lida e sub stitu ída por um processo ainda presencial no qual o m otorista fazia uma entrevista com psicólo go, um teste psicológ ico e um t este de qua lida de so bre a UBER, apó s a ssist ir uma série de v ídeo s — que era prat icamente a repro dução da palestra; qu e essa sub stitu ição da p alestra pelo v ídeo se mo tivou em razão do aumen to da escala de interessad os; que em fevereiro d e 2016, delib erou - se pela elimin ação do teste psico lógico e de qualidade; (...) ; qu e o fluxo f icou apen as em inscr ição — ap resentação de do cumen to s — checag em de documen tos e anteced entes — ativ ação ; (...) que foram orienta do s a condiciona r o s incent ivos a um número mínimo de viagens par a evitar que o motorista se ativasse e não conclu ísse um número mínimo d e viagen s e, assim, o investim en to de premiação p ara a ativação teria sido perd ido; (...) que er am estabelecido s requisito s mínimos que env olv iam, en tre outro s: taxa de a ceitação de pedido s mínima, em torn o de 80 a 85 %; taxa mínim a de v iagen s com pletadas, av aliação mín ima (4,7 estrelas d e média) , quant idade de viagen s comp letadas em determ inada r egião e não praticar qualquer fraude par a preen cher os requ isitos; (...) que em novembr o d e 2015 foi desenvo lvido um sistema automatiza do de co ntrole de qualidade, no qua l o gerent e de opera ções po deria co locar alg uns parâmetros que iriam gera r ações a utomáticas; que então pa ssaram a cont rolar não somente a nota, mas tam bém a taxa de aceitação e a taxa de viag ens completada s; qu e co m o novo sistema a rej eição do motorista poderia ser a utomática e a liberação da c onta por co nta de suspensão po deria ser automática; que hav ia a suspensão qua ndo ele f icava a baixo do s mínimo s co loca dos pela Uber; (...) que na época desse sistema, após rej eição pelo motorista de três pedido s de v iagem, havia a suspensão a utomát ica por dez m inuto s; qu e o princíp io seria que se ele estivesse online ele teria qu e atend er; (...) (sem grifo s no or igin al)
Sr. Anderson Mendes de Oliveira, ouvido em 27 de maio de 2021, relatou que
(doc. 26):
(...) que tamb ém teve que fazer alg un s curso s exig idos pela UBER, como por exemp lo, d ireção d efen siv a; q ue esta exig ência d a UBE R é proveniente de uma legislação da pref eitur a; que tev e que assistir v ídeos educa tivos que ex plicavam como trata r o s client es, como manter o carro e como se vest ir , te ndo que usa r camisa , calça e ` sapatenis` ; que det erminava que no calor deveria deixar o ar co ndiciona do liga do e of erecer bala s e ág ua aos clientes; qu e teve que cad astrar o veícu lo ; (...) que não po de ser ut iliza do o utro t ipo de carro que não o cadast ra do; qu e isso viola as normas da emp resa; que se utilizar ou tro carro que não o
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cadastr ado, pode ser bloqueado pela UBE R; (...)que caso recuse 3 corrida s co nsecut iva s, mesmo fora do s períodos de promoção, o motorista po de ser deslogado do aplicativo, tendo que entr ar co m e-mail e senha nov amen te para ser logado ; que o depo ente depo is de uma sema na boa de traba lho, no sába do o depoente desligou o aplicat ivo e na segunda -feira quando o depoente tento u retornar ao trabalho já estava blo quea do sem sa ber o moti vo (...) (sem grifos no orig inal)
Depoente sigiloso ouvido em 27 de maio de 2021 relatou que (doc. 28):
(...) que a empresa encaminha uma espécie de treinamento po r vídeo, mas que d epoen te en tende qu e este v ídeo não reflet e a realida de do motorista; que o vídeo fala como tratar o s clientes, como manter o carro; que eles dão alg umas o rienta ções relacio nada s a vest imenta, v eda ndo o uso de camiseta regata, de time de fut ebo l e de boné; que o oferecim ento de bala e água é feito p elo mo torista e a compra desse s brind es é r ea lizada pelo motorista; (...) que os carro s tem que ter um adesivo co lado no vidro do ca rro com o nome do a plica tivo (UBER), ex igência regulam entada por lei m unicip al; (...) (sem gr ifo s no or igin al)O Sr. Edson Ferreira Neto, ouvido em 01 de junho de 2021, relatou que (doc.
30):
(...) qu e recebeu um treinam ento o nline de como t ratar os client es, como manter o carro, com recomendações para of erecer brindes como água e ba la ao s client es; que os motorista s deveriam usar vestimenta mais pa ra o s port chique, co mo calça , camisa , sa patenis; que era proibido o uso de regata , cam isa de time de fut ebo l; que a exig ência com rela çã o ao ca rro é de no máximo 8 a no s de uso; (...) qu e não permit ida a utilização de outro tipo de veículo , a não ser que o motor ist a altere o c ada stro e o mesmo seja aprovado pela UBE R; ( ...) qu e os veículo s dev em esta r sem pre limpo s e im pecáveis; (...) que as prem iaçõ es er am apenas para mo toristas com notas acima d e 4,6 5; (...) ( sem gr ifo s no origin al)
Depoente sigiloso ouvido em 24 de junho de 2021 (doc. 31):
(...) que recebeu treina mento por meio de v ídeos encaminha do s de como trata r o s clientes, como manter o ca rro; (...) que o depoen te teve que fazer tam bém um curso, exig ido pela prefeit ura, pa ra poder dirig ir em São Paulo; que nesse cu rso foram dada s vá ria s orientaçõ es, como por exemplo: como tratar o cliente, advert ência pa ra não dirigir se estiv er muit o cansa do, dent re
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outro s a spectos; que a cho u o curso muito fa lho, com uma ca rga horária baixa, sendo que o depo ent e a prendeu mesmo na práti ca, trabalhando ; (...) que não po de ser utilizado o utro tipo de carro , além daquele cada stra do na platafo rma; que para u tilizar carro diferen te pr ecisar fazer outro cadastro ; (...) ; que o d epoen te ressalta que ex iste um limite de 12 ( doze) h ora s diária s pa ra ficar loga do no a plicat ivo; que essas 12 (do ze) hora s são hora s dirigida s; que o aplicativo soment e co nta essas ho ras loga da s qua ndo o carro está em movimento; que o depoente já chego u a ficar para do at é 1 ho ra e meia , sendo que esse t emp o não é conta do para fins da s 12 (do ze) hora s; que a pós à s 12 ho ras o motorista t em que f icar 6 ho ras off line e depo is pode vo ltar a traba lha r; ( ...)
O Sr. Aparecido Batista, motorista, ouvido em 11 de junho de 2021 perante a
PTM de São Bernardo do Campo/SP, relatou que (doc. 32):
(...) que recebeu instruções por v ídeo pa ra co meçar a tra balhar; que an terio rmen te o cadastramen to era feito d e forma presen cial, depois passou a ser feito via ap licativo; (...) que não po de usa r outro veículo que não aquele ca d ast rado no aplicat ivo; (...) que pode recusar uma corrida, m as qu e isso baix a o seu conceito na plataforma; que b aix ar o seu conceito na p lataforma a carreta consequência s ruins para os moto rista s, co mo diminuição do número de corrida s recebidas, podendo ch eg ar em bloqueio ( ...) (sem grifo s no or igin al)
O Sr. Jarbas de Oliveira, motorista, ouvido em 11 de junho de 2021 perante a
PTM de São Bernardo do Campo/SP relatou que (doc. 32):
(...) que atu alm ente não é possível t raba lhar mais de 12 ho ras por dia por bloqueio no aplicat ivo; (...)que o treinamento é por mensagens escrita s; que precisou cadastrar seu v eículo no aplicativo; (...)que não po de utiliza r o utro carro qu e não seja o cadastr ado; (...) que po de recusar a s corridas, mas que isso po de prej udica -lo; que é motorista Uber Diamant e e, po r co nta disso, tem que t er uma taxa de aceitação de v iagens muito eleva da; (...) (sem grifo s no or igin al)
Depoente sigiloso, ex-empregado, ouvido em 29 de junho de 2021 (doc. 33):
(...) que são realiza da s dua s avaliaç õ es do motorist as/entregado res; que um as dessas avaliações é feita pelo s usuár ios e a ou tra avaliação é realiza da int ernamente pela própr iaMINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO
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UBE R; que ao qu e sabe essas avaliações da UBER levam em co nta se o motorista a ceita muita corrida , se perde muita co rrida, se cancela m uita corrida e o tempo que leva para aceita r a co rrida; que uma nota muito baixa pode en sejar a exclu são do mo torista da plataforma ; (...) que a UBER encaminha orientações para os motoristas/entregado res que ing ressam na pla taforma, por meio de v ídeos que estão , na sua ma ioria , no Yout ube; que são orientaçõ es práticas de como receber o cliente no seu veículo, de como tratá - lo, dentre outro s a spect os da ativida de; que não é perm itido que o ent regado r/motorista t ra balhe com veículo dif erent e do ca da stra do; (...) que o ap licativo av isava para o motorista o s locais con sid erado s d e r isco; que o motorista nesses caso s po deria recusar a corrida, ma s, no f ina l, essa recusa v inha